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BULLYING E AS 12 CRIANÇAS MORTAS

BULLYING E AS 12 CRIANÇAS MORTAS

Antônio de Pádua Galvão (*)

Por que estão matando crianças e adultos nas escolas? Afinal o que se passa como a nossa sociedade, que não se contém, escuta e reage com firmeza diante de tanta violência escolar.

Nada justifica a crueldade e frieza do assassino-suicida que matou 12 crianças, 10 meninas e 02 meninos, e feriu mais 18 na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo. Dia 07 de Abril de 2011, ficará para sempre na lembrança de todos os estudantes, educadores, pais e autoridade, como uma advertência, uma tragédia que não podemos aceitar ou deixar repetir.

É necessário chorar muito e lamentar profundamente. Mas a sociedade precisa compreender o que esta tragédia revela. Precisamos montar este quebra cabeça, este mosaico de insanidade para enfrentar e nos antecipar para que não ocorra esta tragédia. Estudar este caso, com vista a agir, temos varias linhas de investigação, a saber:

• Rejeição da mãe biológica e herança genética da doença mental
• Sofrimento de violência psíquica ou física na escola: Bullying.
• Acesso às armas de fogo com facilidade.
• Fanatismo religioso com idéia terrorista.
• Entrar na escola com facilidade e segurança frágil
• Omissão da família e comunidade para levar ao tratamento psiquiátrico

Enfim, são varias as hipóteses para investigar. Focarei de modo breve apenas a possibilidade de ter sofrido violência psíquica ou física na escola, o chamado bullying escolar.

O assassino-suicida, psicótico ou psicopata. O ex-estudante Wellington Menezes de Oliveira Filho rejeitado de uma mãe biológica, portadora de esquizofrenia. Tornou-se filho adotivo. Tinha um perfil esquisito, comportamento estranho, ficava isolado, tímido, dificuldade de relacionamento, aprendizado, sem amigos e sempre calado.

Seu colega de escola que estudou a 7ª e 8ª serie, comentou dele: “Não dá para acreditar que um garoto que era o bobo da sala se tornou um criminoso. “Eu me lembro muito, o Wellington era o ‘bundão’ da turma, era um cara totalmente tranqüilo, um bobão”. Implicavam bastante com ele, zuavam ele de tudo o que é nome”. “Ele apesar de ser bundão, ele tinha um sorriso assustador”.

Nesta fala acima fica claro que ele sofreu de Bullying na escola. Que sofrimento foi este silenciado em seu interior combinado com o transtorno mental, que desencadeou esta tragédia.

A escola não pode ser lugar de violência psíquica ou física. Passou da hora que para as autoridades, educadores, pais e toda a sociedade possam debate e construir uma política publica educacional. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte existe um projeto de lei 596/2009 de autoria do Vereador Adriano Ventura que trata desta questão que urge a sua votação e implantação pelo Prefeito de Belo Horizonte.

O surto psicótico de um doente mental ou um assassino frio? Por que ele retorna a sua antiga escola com o desejo de morte. Estaria ele sua loucura respondendo as agressões do tempo de estudante? Ele não foi matar e morre na escola a toa, não é aleatória. Ele veio praticar sua revanche. Vingar da humilhação juvenil. Isto tudo combinado com uma psicose.

A carta suicida reflete da pista da sua insanidade:

“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas (…) nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão (…) quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme (…) Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus (…), preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.” (…) os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho (..) eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi.”

A psicose rompe com a realidade, longo no inicio da carta. Só existe o mundo dos puros e impuros. Ele quer estar junto à mãe adotiva morta, que o protegeu em vida. Ele pede oração, perdão para a loucura que fará. Gosta mais dos animais, sente-se tão frágil e indefeso como eles no seu mundo interior. Responde com ódio a indiferença. Ele fala de respeito aos pais, mas massacra as filhas e filhos do pai.

Temos a sociedade receios e dificuldade de conviver com os chamados “loucos” e com ficamos acuados com os violentos e agressivos na escola. Precisamos de autoridade, limite, prevenção e cuidados com a saúde mental. Precisamos usar ferramentas pedagógica, legais, medicas, terapêuticas, segurança e outros para enfrentar este fenômeno.

Fico pensando quantos portadores de sofrimento mental e psicopatas estarão dentro das escolas, sem nenhuma vigilância, assistência medica e psicoterapêutica. Ficam vagando entre os corredores e sala de aula, carecendo de limites e tratamento. E não tem nenhum resposta das instituições, especialista ou pessoa preparada para identificar e encaminhar seus casos.

Estamos educando sádicos, perversos, “bullyinhadores”, jovens sem limites, fazendo vitimas silenciosas. Afinal por que estão matando e ferindo tantos estudantes, professores, diretores, funcionários e outros dentro dos educandários do século XXI? Que Deus no ajude a encontrar sabedoria, ciência, inteligência e firmeza para conter estes ser cruel e adoecidos da sociedade.

(*) Economista e Psicanalista
galvaoconsultoria@terra.com.br ou www.galvaoconsultoria.com.br
31 99569161

Por: ANTONIO DE