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Desenvolvimento sem precedentes: aprendizado em partículas pequenas

Desenvolvimento sem precedentes: aprendizado em partículas pequenas

A Association for Talent Development (ATD) de 2017 trouxe de maneira provocativa os desafios de aprendizagem e desenvolvimento que transitam na arena corporativa e algumas tendências em termos de conceitos e práticas. Mais do que nunca, parece notório que o mundo vive uma transformação sem precedentes motivada por fenômenos que transcendem o entendimento racional e colocam a prova todas as tentativas de previsibilidade. As tendências e iniciativas procuram dar conta de algo que ainda não está pronto, tornando o desafio de gerir talentos ainda mais instigador.

O mundo digital é sim sobre pessoas. O pano de fundo da transformação é a digitalização e a forma como lidamos com ela. Mas, como dar conta de desenvolver gente tão diferente e tão igual ao mesmo tempo? Como incluir a diversidade e seus diferentes dilemas nas estratégias dos negócios? Como desenvolver, comprometer e engajar? Questões como estas aparecem em vários contextos e dão forma a equações inusitadas. E aí vai o desafio que atravessa fronteiras de gerações e regiões: como conviver sem respostas e sem o controle do que está por vir?

Cada vez mais diferentes abordagens e metodologias de desenvolvimento são incorporadas nas organizações como o microlearning que proporciona o aprendizado em partículas pequenas, seja através de nuggets, podcasts, posts, simulações, games etc. Ele se tornou uma realidade mundial e sua metodologia tenta se encaixar em um modelo atual que pressupõe menos tempo e recurso financeiro. Além disto, pressupõe trazer para o contexto organizacional não só o profissional, mas o ser humano que está por traz dele.

A tentativa de criar experiências de aprendizado diferentes traz o fenômeno da realidade virtual, na qual o usuário explora o mundo real de maneira virtual e também a realidade aumentada que mistura o virtual com o digital, como por exemplo o Pokemon Go. Do ponto de vista de aprendizagem corporativa, estas inovações ainda precisam ser validadas e testadas, mas prometem.

Por fim, a Neurociência aparece bastante nas discussões sobre desenvolvimento de liderança. Henry e Stephens, em seu interessante tratado sobre sociobiologia, afirmam que um dos impulsos sociobiológicos centrais do cérebro humano são: o impulso para integração social e a conexão (a necessidade de pertencimento e o impulso por pertencer a um grupo (ser parte de algo maior que o indivíduo). Vale dizer que uma das condições cognitivas mais tóxicas ocorre quando a realidade experimentada é incompatível com a esperada. Quando tal incompatibilidade acontece, aparece a dúvida, a ansiedade e a incapacidade de tomar decisões (paralisia cognitiva). Por isso, os líderes precisam fazer esforços extraordinários para comunicar de forma transparente, alinhar expectativas e gerir mudanças de forma contínua. De fato, desenvolver e engajar nunca foi tão desafiador.

Silvana Mello é Diretora de desenvolvimentos de talentos, liderança e engajamento da Lee Hecht Harrison (LHH)