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Ele é de confiança

Em um momento onde a palavra confiança tomou proporções gigantescas como se fosse algo anormal ou inovador, muitas empresas – principalmente empresas familiares – estão confundindo este atributo corriqueiro e obrigatório a qualquer ser humano, a uma virtude profissional que diferencia e até substitui a qualificação técnica de pessoas.

Realmente no mundo de hoje é muito difícil sabermos em quem podemos confiar de verdade. Políticos, amigos que desaparecem quando mais precisamos, são apenas alguns exemplos da dificuldade diária que temos para confiar em alguém num mundo que vem se caracterizando pela individualidade imposta, inclusive, pelas redes sociais.

Recentemente, conhecemos uma empresa que tinha como premissa básica para contratar e manter funcionários: a honestidade, a família (filho de quem), a condição social (precisa realmente trabalhar), deixando em segundo plano o conhecimento e a experiência profissional que o cargo exige. Para esta empresa não importa o grau de risco que estes funcionários representam, mas sim a imagem de sérios e honestos que passam para seus superiores.

Certa vez um professor me disse que nenhuma empresa quebra do dia para noite. Todas as empresas que passaram por dificuldades e até fecharam já vinha há tempos, dando sinais de que algo precisava ser corrigido. Em um primeiro momento cheguei a questionar esta afirmação com o argumento de que se estas empresas soubessem do risco que corriam teriam mudado sua trajetória. Hoje percebo que o professor estava correto em sua afirmação.

Esta troca de valores se deve principalmente a insegurança de empresários e gestores que por medo ou por falta de conhecimento técnico preferem um honesto que possam controlar a um profissional que lhes diga o que fazer ou mudar. Para esses empresários – mesmo errados – é mais fácil manter honestos corrigindo seus erros em virtude da sua origem a terem que encarar profissionais que podem apontar novos caminhos e cenários

A minha insegurança destrói meus caminhos

Ser honesto, pontual, cumprir com suas obrigações, leal, são obrigações de qualquer ser humano e não deveriam ser encarados como diferencial. Tenha certeza de que estas pessoas serão as primeiras a chegar ao seu enterro e dizer que você deveria ter mudado, que sabiam que a empresa não iam bem, mas que você não ouvia ninguém e preferia fazer tudo do seu jeito.

Tenha convicção de que quando sua empresa quebrar estas pessoas irão se preocupar primeiro com as suas rescisões de contrato e que, se por algum motivo você não pagar integralmente, serão os primeiros a aciona-lo na justiça trabalhista.

Portanto, considere as características pessoais como atributos importantes, mas priorize também a qualificação e a experiência profissional porque sem elas você irá para o buraco abraçado com seus amigos sérios e honestos.