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Lidera Quem Pode E Tem JuÍzo

Existe um ditado popular que parece ter sido inventado com a intenção de encerrar as conversas da hora do cafezinho. Reclama disso, reclama daquele e então alguém pronuncia com aquela típica expressão de perigo iminente estampada no rosto: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Os outros suspiram conformados e fim de papo. De volta à mesa, torcendo para que os ponteiros cheguem logo nos números seis e doze.
Engraçado que um velho ditado de caráter superficial e generalista ainda seja levado em consideração, em uma época na qual os padrões organizacionais se utilizem de conceitos como motivação, participação, cooperação, confiança, aprendizado constante e valorização de competências. Preocupante, porém, pensar nos tipos de líderes que as organizações podem estar produzindo, visto que a maior parte dos conceitos de liderança inclui o verbo influenciar.
O que mais me atrai na área de Recursos Humanos é a oportunidade de ouvir as pessoas e, parece-me que mesmo que se sintam insatisfeitas com a empresa como um todo ou com suas próprias frustrações profissionais, atribuem sempre a sua liderança – ou à falta dela – a responsabilidade por sua desmotivação. De fato, assumir um cargo deste nível pode ser uma tarefa ingrata se as táticas utilizadas não forem periodicamente revistas e repensadas.
Como não fazemos parte de uma corte que se ajoelha em torno de um rei e devido ao avanço tecnológico e ao maior alcance de informação e preparação intelectual, o poder de comandar e o ato de ser comandado se tornam muito mais complexos do que dar e receber ordens. O modo de liderar autoritário e centralizador vêm perdendo cada vez mais o seu crédito, o que traz bons resultados para o mundo corporativo por criar um ambiente de trabalho mais agradável.
No entanto, ainda é muito comum que grande parte das pessoas que se demitem não o faça por causa da empresa e sim, devido a problemas de relacionamento com seus superiores imediatos. Aspectos problemáticos no ambiente de trabalho podem acarretar prejuízos também no convívio familiar e social, gerando um círculo vicioso de mau humor e baixo desempenho que pode ser evitado quando o clima organizacional é devidamente monitorado.
Acredito que se deva sempre focar o papel da liderança para a motivação e a adaptação através do alinhamento das pessoas às estratégias dos negócios, para que os esforços de todas as áreas estejam alinhados às metas da empresa. Neste contexto, porém, surge como fator de reflexão a maneira como se influencia as pessoas na direção de objetivos comuns, uma vez que as velhas regras de persuasão não funcionam mais. Considerando que o estímulo ao desenvolvimento pessoal e profissional parte da mobilização individual, é necessário estabelecer um nível de confiança entre líder e liderado. A confiança que, por sua vez, é conquistada através de atitudes, comportamentos e exemplos.
O líder precisa, ainda, saber extrair o melhor de cada um dos seus colaboradores, considerando suas particularidades. Alguém que ocupa o cargo ao qual melhor se adapta dentro da empresa e que não tem suas habilidades desperdiçadas, com certeza é um colaborador que colabora mais. Cabe sempre lembrar que os liderados são responsáveis perante o líder, mas é o líder que responde pelos resultados e uma boa liderança que gera resultados positivos necessita de boa vontade a seu favor.
Sempre precisaremos de uma pessoa que, por ser humana e dotada de racionalidade, possa vislumbrar soluções para os problemas mais inesperados e, por ser dotada de sentimentos, consiga compreender os outros de modo que os ajude a trazer para o trabalho o melhor de si.
Independente do sucesso ou fracasso de sua iniciativa, um líder sempre será lembrado pela atitude. É fundamental que haja ousadia e empenho, buscando sempre o aprimoramento e a atualização, visto que uma pessoa em cargo de liderança não é um guia nato e sim, uma pessoa que foi lançada a um desafio maior por possuir o potencial requerido. Vivemos uma rotina composta por mudanças constantes, o que gera desafios às empresas que esperam de suas lideranças um desempenho a altura da confiança que depositaram nelas, pois, se hoje os colaboradores são mais astutos e o mercado mais exigente, em alguns momentos o líder será desafiado a mostrar porque merece sua posição.
Grande parte dos sucessos diários de um líder vem da humildade em reconhecer que não precisa saber tudo. Por essa razão conta com assistência operacional e conhecimento técnico a seu favor, pronto para realizar as tarefas solicitadas e com o direito e dever de orientar quanto às decisões arriscadas. Porém, não ter o domínio total de um assunto não significa deixar de acompanha-lo e de ter ciência sobre que se passa na sua própria área de responsabilidade.
Estar à frente significa dar o exemplo, e não esperar que tudo seja entregue com prontidão, simplesmente porque se está no comando. Significa hoje, mais do que nunca, guiar e acompanhar, não lançando ao escuro os que lhe são subordinados na mesma missão. É também, ter a visão ampla e de futuro em relação às decisões, aceitar opiniões válidas e ouvir as que não são. E completando a tríade organizacional, considerar os valores individuais de cada pessoa e os seus próprios, na busca pelo refinamento da relação profissional, lembrando sempre que a hierarquia define as posições, mas todos atuam em função dos mesmos fins.
Espero que o tempo continue trazendo consigo a evolução e que com isso possamos superar velhos preceitos de imposição, substituindo-os pela valorização das capacidades obtidas pelo esforço pessoal e pelo respeito em relação aos que convivem diariamente conosco.

Maria Duz
Analista de Recursos Humanos
Pós-graduada em Gestão de Pessoas

Por: Maria Duz