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Liderança 2006

Aprendendo com
os percalços de nossa Seleção


  Muitos irão, nestes tempos de desclassificação inexplicável,
procurar os responsáveis pelo desastre. Outros farão comparações sobre as
atuações individuais e coletivas com o mundo corporativo e os temas
principais certamente serão: liderança, operações, capacidade de execução,
gerenciamento, logística e por aí vai…
  Não dá para perder a oportunidade de aprender com a grande experiência
que é a copa do mundo de futebol, principalmente em se tratando de nós
brasileiros, apaixonados pelo escrete canarinho.
  Ao longo de várias copas, umas vitoriosas outras não, percebi algo
que ocorre independentemente do resultado e está relacionado ao orgulho que
sentimos de nosso time. Identificado os motivos óbvios comecei a refletir a
respeito do que faz a diferença e a resposta é: o líder.
  Liderança, entre outras coisas está alicerçada em três pilares
muito importantes, um é a capacidade do líder em inspirar os membros de sua
equipe, o segundo a habilidade em tomar para si a responsabilidade da missão
e por último a conciliação dos objetivos individuais ao do grupo. Os outros
ingredientes são integridade, capacidade de comunicar-se, orientação para
resultados, identificação de pessoas-chave, identificar e traduzir
expectativas individuais, poder de decisão, perspectiva do problema, como
medir o desempenho, proficiência, estratégia e tática, poder de síntese e
etc.
  Quero me ater aos três primeiros porque, assim como na Seleção, o
mundo corporativo anda as voltas com desafios bastante semelhantes aos de um
time de futebol. Primeiro nosso objetivo ao contratar é (ou deveria ser)
montar uma seleção de craques e segundo gerenciá-los. Isto não é tão
simples como pode estar parecendo.
  Ora bolas, se eu tenho o melhor time do mundo posso ter um líder
mediano que organize as tarefas e a operação, o resto acontece por si só!
Armadilha que caímos na copa e por vezes caímos em nossas corporações. Se
você tem um time mediano deve por à frente um líder com habilidade de
extrair o máximo de cada um. Se tiver um time de estrelas deve ter um líder
com pulso firme, capaz de inspirar os membros a transformar o desejo de
cumprir seus objetivos individuais no objetivo maior do grupo, da empresa, da
nação.
  Quando não conseguimos estes ingredientes nas medidas corretas, ou
temos a conquista sem brilho, para fazer o paralelo com o futebol olhe para
1994, ou um desastre que termina em todos se acusando e o líder se isentando
da responsabilidade. No entanto, quando os ingredientes funcionam, temos tanto
a conquista como a derrota alcançadas com brilho, olhe para 1892 e 2002,
temos orgulho destas seleções.
  Muito bem, mas onde está o fiel da balança?
  Na alma do líder. A maneira como se comporta no trabalho e na vida, os
exemplos que dá e as responsabilidades que assume faz toda diferença. Nem
sequer dá a chance para que participantes do time pensem em resultados
individuais antes do coletivo. Seria de sentir vergonha. Não existe espaço
em times bem liderados para recordes tolos ou comemorações por resultados
individuais, pois se correria o risco em função do desvio de foco e energia
de não se cumprir os objetivos estratégicos.
  Hei cidadão! Não é o que acontece muitas vezes quando temos
excelentes profissionais e não conquistamos as metas da companhia. Ou quando
estamos arrebentando de vender o mesmo produto de sempre e não conseguimos
que o time faça emplacar o novo lançamento da empresa.
  Muito bem compatriotas, vamos daqui para frente refletir sobre o fato
de que líderes são antes de tudo apenas mais um componente da equipe e se não
possuir o perfil adequado, não tiver a correta perspectiva da liderança e não
souber entender o momento do time, ele pode ser uma estrela, mas não fará a
diferença quando o grupo precisar dele.
  Quando for contratar um líder olhe primeiro para a equipe que tem, sob
pena de perder tempo, dinheiro e ás vezes títulos que pareciam estar no
papo.

Rubens Pimentel Neto

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