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Mensagem para quem vive o assédio moral, de dentro ou de fora.

É realmente difícil encontrar palavras para definir ou traduzir o
sentimento de quem vive o assédio moral. 
Digo isto com a autoridade de quem já esteve neste lugar e mais de uma
vez.  Não tenho por que negar ou esconder
e não creio que isto possa desmerecer a mim ou a qualquer pessoa que passe ou
tenha passado por esta dor dilacerante.

Nestes anos de carreira, quantos colegas dos RHs de várias empresas
também já me confidenciaram, em sessões de coaching ou até de psicoterapia,
viverem este mesmo drama e me perguntavam: a quem posso recorrer se o meu próprio
gerente (do RH) me assedia? 

Já vi situações delicadíssimas envolvendo este
tema!
 Felizmente, tenho uma boa
notícia, que também trago com orgulho desta experiência terrível, que é a de sair
pelas minhas próprias forças, com a ajuda de profissionais gabaritados,
certamente, mas com o esforço pessoal para tomar decisões e atuar nos espaços
em que mais ninguém poderia estar por mim.

Por isto, sei que é possível resolver este problema na vida. Não
acredito que alguém tenha que se humilhar continuadamente, mergulhando cada vez
mais profundamente rumo ao seu fundo de poço, exceto se escolher que assim o
fará por uma estratégia de exceção muito bem calculada. Ou seja, até esta
hipótese seria uma escolha consciente, o que já tiraria da situação o potencial
de lesão que a vítima do assédio moral genuinamente vive; um sentimento de
impotência arrasador diante da situação humilhante. Aqui não me refiro à vítima
do ponto de vista jurídico e sim psicológico.

E como fazer para sair deste pesadelo? Posicionando-se de uma maneira
bem diferente desta. Se o assediado não consegue isto sem ajuda, que o faça
auxiliado, especialmente para que reencontre e mantenha firme a sua
Autoconfiança, seu pilar de sustentação que não pode faltar diante de desafio
tão ousado que enfrenta. Paradoxalmente, o tamanho desta batalha parece exigir
do assediado que esteja em forma para escalar uma montanha quando justamente parece
estar quase sem forças para se levantar da cama pela manhã.

Por tudo o que já vivi e presenciei na vida, eu acredito no ser humano
e acredito na magnífica inteligência da natureza ou de quem a fez, que não dá
realmente desafios maiores do que podemos enfrentar. E se ao assediado é
apresentado este, nesta fase da vida, pra mim significa que ele é muito mais
forte do que pensa e que é o momento de descobrir ou despertar este guerreiro
pacífico.

Então, por isto é que eu vejo o assediado como detentor de uma força
absurda! Esta é a sua luta a vencer e que logo no início, se mostra como um
duelo a travar com ele próprio, não com o assediador que está lá fora. Aí
começa a superação do assédio moral.  A
partir daí e decidindo realmente que ficará ao seu lado, como amigo, cultivando
o mérito do vencedor, é necessário fazer um plano de ação decisivo! Isto não
quer dizer ser agressivo, com quem quer que seja; quer dizer usar o melhor do
seu racional, se manter energizado e resoluto. Sim, porque o seu objetivo será o
de sair definitivamente desta dor. Não necessariamente sair do emprego ou da
situação que gera o assédio, mas sair do lugar de vítima impotente, o que pode
transformar absolutamente tudo.

E aos profissionais do RH, geralmente tão dedicados ao bem-estar das
pessoas, entendendo isto não como uma atitude romântica, mas absolutamente
estratégica para a eficácia do negócio da empresa, cabe outro papel fundamental
neste drama. Tenho visto que, justamente porque a situação pode envolver
lideranças tão influentes, muitas vezes aqueles se calam ou se omitem, mesmo
que esta omissão lhes doa no íntimo. Ficam em posições politicamente tão
difíceis! Já fui convidada algumas vezes para fazer palestras ou workshops
sobre este tema em empresas e, ao conversar com a equipe do RH, percebo os
receios e incômodos em “mexer em tão grande vespeiro”. Quando se trata daquele
diretor comercial que, cá entre nós, é “FERA, ou O Cara que traz a grana”; ou
do vice-presidente, ou do próprio presidente… Algumas vezes constatei que simplesmente
desistiram ou adiaram alguma ação. O risco parece grande demais pra eles
próprios.

Novamente, cabe ao consultor apoiar cada um dos profissionais
envolvidos a encontrar caminhos, fazer estratégias vencedoras porque
definitivamente, o assédio moral está na contramão da história. Por vezes, um
caminho de abordar a questão passa aparentemente longe do assédio, focando
muito mais na importância dos relacionamentos saudáveis e nas formas de se
obter isto. Outras vezes, é possível abordar os riscos dos relacionamentos de
má qualidade e incluir um pouco do assédio. Enfim, não é necessário focar
diretamente no assédio moral; os caminhos são vários.

Na minha percepção, a única decisão temerária me parece ser a omissão
total porque tenho plena confiança de que, nas relações organizacionais, o
respeito se imporá de modo cada vez mais implacável.

                                                                                                                 

 

Dra. Elizabeth Zamerul- Sócia/Diretora
da Consultoria Realize – Formada como médica psiquiatra e que atua há 20 anos como
consultora organizacional, coach e psicoterapeuta em psicologia positiva.
Autora do livro sobre assédio moral: Corações Poderosos – uma visão positiva
das emoções no trabalho. Site: www.elizabethzamerul.com.br

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