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Na Margem do seu “Mundo Relacional” na Empresa

Uma das coisas que a gente aprende na relação de convivência no trabalho, é que a vida não tem um sentido predefinido. Não há nada pronto, definindo ou designando aquilo que você vai ser na empresa.

Isso pode ser assustador por eu falar: “Nossa, Então a minha vida profissional não tem mais sentido?”. Ao contrário. Toda vida é absolutamente plena de sentidos; nós podemos dar para a vida o sentido que nós quisermos.

Então você irá, com toda razão, falar: “Existem fatos tristes e existem fatos alegres”. Concordo. E é quase um dever nosso nos deixar sentir a alegria, tristeza; e tudo aquilo que nós estamos sentindo. Dar sentido a vida não é só nos rendermos a essas emoções, é pensar que nós somos em alguma medida, donos daquilo que nós podemos fazer.

Nós não somos donos de tudo, e nem tão pouco devemos ridicularizar alguém ou deixar que nos ridicularizem ou nos diminuam por sermos alguém diferente. Nem nosso líder, ou colega de trabalho. Como em alguns casos ocorre, destes, quererem se autoafirmar sobre seus subordinados ou companheiros de luta.

Existem inúmeros elementos sociais que nos impedem de deixar fazerem certas coisas conosco e de reconhecer certos impedimentos.

Reconhecer os nossos limites é tão importante quanto reconhecer as nossas potências. Porque nos dois casos, se não reconhecemos nossas potências, acabamos nos frustrando por imaginar que não somos capazes, o que não é verdade.

Nós somos muito mais capazes do que muitas vezes imaginamos.

Ao mesmo tempo, se não soubermos que a nossa existência tem limites, e que nossas potências vão ser freadas no convívio com os outros: na vida social, pelas instituições, constrangimentos daquilo que vivemos; nós também vamos nos iludir achando que podemos fazer tudo.

A vida não tem nada predeterminado. Mas nela podemos construir o sentido daquilo que nós somos levando em consideração as nossas potências e os nossos limites.

Não olhemos só para as potências, para que não nos achemos o máximo e esqueçamos de que somos humanos. Olhando os limites, não nos sintamos angustiados ou tristes, mas sim, desafiados a, juntos, superarmos alguns desses limites.

É importante aceitar que os seres humanos diferem entre si de muitas maneiras

Aquilo que pode deixar uma pessoa segura pode levar outra à loucura. É importante combinar seu estilo com sua personalidade. As relações sociais humanas baseiam-se em hábitos de reciprocidade, altruísmo, comércio, atração física e procriação.

Organizamos nossas amizades em torno de várias motivações e necessidades: razões históricas, admiração mútua, compartilhamento de objetivos, atração física, características complementares, ascensão social, etc.

Em condições ideais, temos os amigos que são as pessoas com quem podemos ser verdadeiramente como somos, com quem podemos baixar a guarda sem medo.

A amizade também gira em torno de gostos e aversões compartilhadas. Mas, isso é relativo. A intimidade também inclui significados compartilhados – aquelas piadas particulares e o olhar de soslaio que só a sua paquera compreende.

Grande parte da interação social humana requer que dominemos nossa hostilidade inata de primata a fim de podermos conviver.

Embora de modo geral os primatas sejam uma das espécies mais sociais, há poucos exemplos de primatas vivendo em grupos integrados por mais de dezoito machos – as tensões interpessoais e hierarquias de domínio simplesmente se tornam excessivas para eles, que se separam. E, no entanto, os seres humanos têm vivido em cidades com dezenas de milhares de machos por vários milênios.

Como conseguimos?

Uma das maneiras de evitarmos o confronto é através de uma linguagem de não confronto, ou atos de fala indireta. Os atos de fala indireta não dizem aquilo que queremos dizer, mas o insinuam. O filósofo Paul Grice os chamou de implicaturas.

Suponhamos que o chefe do seu líder, aquele que nunca tinha falado com você antes, por algum motivo te chamou até um hall (uma antessala) e em meio a outras pessoas te disse, olhando nos teus olhos e em tom de gracejo, vezes seguidas: “Você precisa de uma namorada!”. Pelo que você pôde ter respondido: “Estou na ‘pista’ e em atividade, o que você quer comigo? Constranger-me perante os teus pares? Assediar-me moralmente? Afirmar-se às minhas custas?”.

Isso é uma implicatura, tendo em vista que ele implicou que seu problema é a falta de uma mulher, de uma boa relação amorosa e sexual; enquanto que você implicou que és homem e que não está disposto a se sujeitar a certos preconceitos, quem sabe até pensaste em mandá-lo, sei lá, “tomar banho”.

Existe um hormônio no cérebro liberado pela parte anterior da glândula pituitária, a oxitocina (o hormônio do amor).

A ciência e a psicologia comportamental explica que tal substância, ao ser liberada, é responsável por fazer a pessoa se apaixonar e também sentir orgasmos, e um dos seus efeitos é nos fazer sentir que estamos ligados ao outro.

Cuidado para não se importar demais com qualquer um, não é qualquer um que te dá valor. Valorize-se!

A explicação quanto a sua resposta dada é que a oxitocina é capaz de agir no cérebro de qualquer pessoa como um sinal de perigo. Pressionando-o a buscar contato social e regulando a importância da informação social dada, sendo capaz de induzir você a ter emoções positivas ou negativas de maneira muito forte.

Seu verdadeiro papel é organizar o comportamento social.

Por outro lado, uma proteína denominada vasopressina, também é associada a regulagem do sentimento de pertencimento, à sociabilidade e ao namoro.

Se você, seu superior ou colega de trabalho acham que os comportamentos sociais são em grande parte sujeitos ao controle consciente, estão subestimando o papel dos neuroquímicos na modelagem dos pensamentos, sentimentos e atos. Isso porque são eles os grandes responsáveis por impeli-lo a deixar claro o seu posicionamento, ante uma situação.

As ilusões cognitivas nos levam a percepções erradas da realidade

Daniel Gilbert, psicólogo de Harvard, chama isso de o problema da “invisibilidade”. Os ‘pensamentos’ íntimos dos outros são invisíveis para nós. Não se pode julgar ser certo entender da vida do outro se não o conhecermos primeiro. Logo, hipóteses e preconceitos infundados não ratificam uma implicatura.

Existem duas categorias amplas para explicar a maneira como interpretamos as ações dos outros. Ou seja, o porque as pessoas fazem o que fazem – disposicional ou situacional.

Quando pensamos em organizar nosso mundo social, a implicação do preconceito de grupo é evidente.

Depois que formamos um estereótipo, tendemos a não avaliá-lo. Em vez disso, descartamos qualquer nova prova em contrário como “exceção”. Essa é uma forma de persistência na crença.

Essa tendência de não se deixar envolver segue três princípios:

  • O forte desejo de se adequar ao comportamento alheio na esperança de que isso nos ajude a conquistar a aceitação do nosso próprio grupo social (cooperativo e simpático);
  • A comparação social. Tendemos a examinar nosso comportamento em termos dos outros;
  • A difusão da responsabilidade. Isso se baseia no sentido muito natural e inculcado de justiça e de querer castigar os acomodados.

A interdependência do destino

Aquilo que constitui um grupo comum ou um grupo de fora pode ser definido a partir das premissas mais frágeis. Em minha opinião, um critério para se sentir pertencente a um grupo é a interdependência do destino.

Portanto, é mais provável que um grupo de profissionais que acabaram de se conhecer ou, que se conhecem a muito tempo, se sintam mais capazes e autossuficientes do que aqueles colegas que ainda irão ser conhecidos.

Parece que dividir pessoas em categorias mutuamente exclusivas, ativa a percepção de que “nós” (os membros conhecidos de um grupo) somos melhores do que “eles” (os membros do mesmo grupo ou de um grupo diferente que ainda serão conhecidos). Mesmo quando não há uma explicação lógica para isso. Simplesmente é como “nós” somos.

Tendemos – erroneamente – a pensar que as pessoas que fazem parte do nosso grupo são indivíduos, enquanto os membros de outros grupos são considerados um coletivo menos diferenciado.

Tendemos a superestimar as semelhanças entre os grupos, desde que não seja o nosso. Outra ilusão cognitiva relativa aos juízos sociais é que temos muita dificuldade em ignorar informação que depois é desmentida. Por isso, manter-se firme é fundamental. Não se deixe vituperar por qualquer coisa de ordem ambígua e difusa. Ou por uma hierarquia de suplementação, puxação de saco e tapete. Preconceito existe, isso é um fato.

Seja você homem ou mulher, mantenha a cabeça erguida e nunca perca a dignidade. Não viva na margem do seu ‘mundo relacional’ na empresa a qual pertence. Saiba o que você quer, lute com o que você tem e saiba defender as suas propostas.

Lembre-se: a confiança é conquistada ou perdida pelos atos cotidianos, não por gestos grandiosos e ocasionais.


Neemias dos Santos Almeida é Professor e Pedagogo. Colunista, Articulista, Membro da ONG Atuação Voluntária, Escritor, Voluntário junto ao órgão internacional PNUD/Brasil, e ávido leitor que vive a internet e suas excentricidades desde 2001.