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Valorizar o funcionário é o segredo da Volvo

Jornada flexível, benefícios e planejamento de carreira – inclusive no exterior – estão entre os fatores que colocaram a multinacional nas listas de melhores empresas para trabalhar

A participação nos lucros dos funcionários da Volvo em 2012 deve chegar a R$ 25 mil. Para alguns empregados, é mais de dez vezes o salário do mês. Esse fator por si só já seria um bom motivo para querer trabalhar na empresa. Mas, para o vice-presidente de Recursos Humanos da companhia, Carlos Morassutti, a satisfação dos funcionários com o emprego vai muito além da remuneração.

Sediada em Curitiba desde os anos 1970, a Volvo foi eleita por diferentes pesquisas como a melhor empresa para trabalhar no Brasil. No ranking produzido pela Gazeta do Povo com o Instituto Great Place To Work, a montadora ficou em terceiro colocado no ano passado e em primeiro em 2010.

Para explicar esse sucesso, Morassutti está lançando o livro O Lado Humano do Sucesso – Como a Volvo do Brasil se tornou uma empresa de classe mundial e uma das melhores do país para trabalhar (Editora Alaúde). “O que faz a diferença na Volvo é a valorização das pessoas”, diz ele, que acompanha a história da companhia no Brasil desde a fabricação do primeiro veículo. Ele está há 34 anos na empresa.

Jornada flexível, pacote de benefícios amplo, possibilidade de carreira no exterior e investimento em educação e treinamento são alguns dos itens que fazem parte da “valorização” citada por Morassutti. “Nossa licença maternidade pode chegar a até um ano, com a funcionária trabalhando em home-office por um período”, diz ele. “Também não temos rigidez com os horários. O funcionário pode fazer o horário que bem entender, desde que converse com a chefia. O importante é fazer o trabalho bem feito e no prazo”, afirma.

O pacote de benefícios conta com assistência médica, odontológica e plano de aposentadoria. A empresa também administra a Associação Viking, espaço usado pelos funcionários para lazer e esportes. Há aulas de futebol, capoeira e triathlon, por exemplo, entre outros.

Morassutti também cita como diferencial o plano de carreiras. Todos os anos, os funcionários preenchem um “Personal Business Plan”, conhecido como PBP. “A pessoa senta com o chefe e preenche as suas metas e objetivos. Se quer continuar na unidade em Curitiba ou se quer ir para a Índia ou a China. O funcionário não está restrito a trabalhar num único local. São mais de 100 mil funcionários no mundo e, em algum momento, a competência dele será necessária em outro lugar. Com o PBP, ele sabe que é só uma questão de tempo para as coisas acontecerem”, diz.

Herança

O sucesso da Volvo com os empregados está muito relacionado também aos valores “importados” da matriz, o chamado The Volvo Way [O Jeito Volvo de Ser]. “É claro que tivemos de nos adaptar à realidade brasileira, mas muito do que nos diferencia veio com a cultura dos suecos que implementaram a fábrica aqui”, diz Morassutti. “Lembro que no começo os trabalhadores ficavam em choque quando descobriam que não precisavam de autorização para tirar uma cópia de um documento ou para fazer um telefonema. Para aquela época, foi algo diferente. Essa liberdade foi incorporada à cultura da Volvo no Brasil.”

Estrutura facilitou escolha de Curitiba

A Volvo do Brasil possui 4 mil funcionários trabalhando na unidade de Curitiba, além de outros 700 em Pederneiras, no interior de São Paulo. A companhia é divida em cinco grandes áreas de negócio: caminhões, ônibus, máquinas pesadas, motores marítimos e a área financeira.

A escolha por Curitiba ocorreu principalmente devido aos esforços do governo federal para descentralizar a economia do eixo Rio-São Paulo. “Curitiba tinha 500 mil habitantes na época, mas já contava com uma infraestrutura considerável, relativamente próxima de um porto importante. Isso também contou muito”, diz Carlos Morassutti.

Escolas técnicas

No livro, ele também escreve que a “cidade industrial que começava a se formar, as escolas técnicas que forneciam um bom nível de mão de obra e a população, que em sua maioria descendia de imigrantes e tinha um jeito de viver mais parecido com o dos países europeus, foram fatores determinantes para a decisão”. A Volvo foi oficialmente constituída em outubro de 1977. A operação de Pederneiras, voltada para equipamentos de construção, teve início poucos anos depois.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/valorizar-o-funcionario-e-o-segredo-da-volvo-diz-chefe-de-rh-2zu1ywo0kyv862qqx3e8gqvri