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A Arte De Concordar

Como costuma dizer o meu amigo, engenheiro, professor da FEI e consultor consagrado na área de prevenção de acidentes de segurança no trabalho, Luís Sérgio Mendonça Coelho: "Qualquer tolo consegue discordar particularmente quando o outro está errado, a sabedoria consiste em concordar". Tem razão Luís Sérgio! Muitas foram as vezes nos treinamentos em que apresento, nestes 28 anos de dedicação, nas quais alguns participantes, em ocasiões diferentes, categoricamente interromperam minhas apresentações declarando em alto e bom som: Não concordo! Quase que imediato em palavras diferentes, mas de mesmo conteúdo procurei sempre responder:
- Concordo plenamente com sua discordância! Ou ainda.
- Você tem razão! É normal que se discorde.
Nas vezes em que isto aconteceu, invariavelmente, enquanto o participante parava para pensar no que acabava de me dizer e que me levava a concordar com sua discordância, eu ganhava mais algum tempo para continuar expondo meu ponto de vista, sem invalidar ou anular o ponto de vista dele. Esta é uma grande chave. Para que eu possa demonstrar meu ponto de vista, não preciso anular o ponto de vista do outro. Nos casos em que havia insistência, às vezes até de forma um tanto agressiva, não tive dúvidas em solicitar ao participantes que organizasse em uma folha, 3 ou 4 razões que tivessem e que pudessem se constituir em restrições ao que eu colocava. Notem os senhores leitores, que no meu pedido, propositadamente, não utilizei e não costumo utilizar a palavra discordância. Acredito e levo a termo em minha vida, que toda discordância é uma restrição, mas nem toda restrição é uma discordância. Mesmo o que o outro chama de discordância, quando paro para ouvir, fazendo em seguida uma análise comparativa com minha abordagem, descubro que é apenas uma divergência, o que de "persi" tem o mesmo ponto de origem. É bom lembrar que as razões que levam uma pessoa a declarar que não crê em Deus, são muito próximas às razões de outra, que declara crer em Deus. O que muda, são suas percepções sobre razões análogas. Normalmente declarações como: Não Concordo! Discordo totalmente! Ou você está totalmente errado!, têm forte conotação emocional. Ao se pedir a quem declara que escreva organizando no papel suas restrições, se induz que a pessoa priorize o racional. Como conseqüência, vencida a resistência inicial, a pessoa diminui o tom da voz, pondera e tende a ouvir melhor o interlocutor. Isto eu tenho constatado diariamente em meu trabalho; é fato, não hipótese!. Kant costumava afirmar "Quem sabe satisfazer seus impulsos é inteligente; quem os domina é sábio". Na prática, é perfeitamente possível provocar com que o outro se descubra mais sábio; basta que com habilidade, facilitemos para que ele consiga dominar seus impulsos. Se pararmos para pensar, verificaremos que é muito difícil, na hora, demonstrar para o outro que ele está errado, pois implica necessariamente em demonstrar antes, que quem afirma está certo. Aí reside a dificuldade . Neste momento a situação naturalmente se transforma em disputa, sem que as partes envolvidas, de imediato, percebam. É importante considerar que alguém normalmente defende um ponto de vista, segundo os dados que dispõe e sua percepção sobre tais dados, até o momento em que se declara ou expõe sua opinião, idéia ou conhecimento. Afirmar que está errado sem conseguir espaço para subsidiá-lo com algum dado novo, não o ajuda em nada, se for o caso, o atrapalha. Diante disto, em situação análoga, que diferença faz você afirmar que não concorda. Para o outro, nenhuma. Talvez para você, se é que isto reforça seu mecanismo de sobrevivência, ou seja, sempre discordar. Por outro lado, caso seja impossível deixar e apresentar uma discordância, experimente em vez de declarar, "Não Concordo! Discordo Totalmente!", declarar: Concordo Parcialmente. O resultado pode ser melhor. Qualquer percentual acima de zero de concordância, é concordância parcial. A grande vantagem desta proposta, é que o canal de comunicação continua aberto não gerando defesas emocionais no interlocutor. Não custa lembrar que demonstrar discordância 100% sobre o que quer que seja é muito difícil, pois implica em primeiro ouvir 100% da exposição do outro, compreender 100%, estabelecer uma análise de identificação de pontos de convergência com as percepções do ouvinte, para só depois, demonstrar ponto a ponto suas discordâncias. Reforço aqui, por todas as razões que expus, que concordar, por este método de abordagem, não implica em nenhum momento, em submeter-se sem restrições às opiniões, sentimentos, conhecimentos ou idéias do outro e sim, à possibilidade de que uma das partes pode ter deixado de ouvir ou declarar alguma informação ou detalhe, fundamentais para a compreensão do outro e um melhor entendimento das partes. Disse um filósofo da antiguidade: "Se você estiver errado, não grite; se estiver certo, por que gritar?". Convenhamos, concordar é mais sábio.

Autor
Edson Pereira da Silva

 

 



 

 

 

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