A Arte De Negociar
Após
alguns anos ministrando cursos in company, pude concluir que o homem de negócios,
o executivo moderno, às voltas com telefonemas, e-mails, cotações, relatórios,
ofícios, almoços com representantes, é um artista por excelência. Afinal de
contas, é preciso dominar todo um intrincado conjunto de estratégias para que
o objetivo final, a satisfação do cliente, seja alcançado. E, entre todas as
estratégias a serem dominadas e utilizadas com absoluta precisão, estão, com
certeza, o “bem falar” e o “bem escrever”.
Arrisco
dizer que, a exemplo do jornalista, que precisa encontrar o termo adequado para
relatar os fatos com a mais profunda exatidão, o executivo necessita de uma
relação íntima com a palavra para não acabar dando com “os burros n’água”.
Insisto nessa questão e, indo mais além: quem não estiver preparado, não
estiver iniciado na arte da palavra, estará sujeito a não fechar negócios com
tanta facilidade.
No
mundo competitivo de nossos dias, a eficiência é imprescindível. Diante de
tantas empresas, de tantas opções, o cliente vai escolher aquela que melhor
atender suas necessidades, é óbvio. No entanto, deve figurar no meio dessas
necessidades o relacionamento, a cordialidade, tudo aliado a uma imagem de
solidez; para que o cliente se sinta mais seguro ao sentar e conversar. Os
resultados são mais negócios e satisfação para ambas as partes envolvidas no
processo.
Todavia, tão importante quanto o produto oferecido pela empresa é o seu
acompanhamento. Em outras palavras, a embalagem pode chamar a atenção, só que
se o conteúdo não for bom, se afastar o cliente, a coisa começa a se
complicar. Digo isso pelo simples fato de existirem negociadores que dispõem de
um leque de opções sedutoras, mas não conseguem transmitir toda esse
atratividade no ato de negociar. E por quê?
Dentre
outros fatores, isso ocorre devido a uma comunicação deficiente utilizada pelo
negociador, por dizer algo que o cliente não entende. E se o cliente não
entende, não se sente seguro para fechar a parceria. Por sua cabeça passam mil
e uma questões. De repente ele pede ao representante à sua frente: “Você
poderia me explicar melhor as vantagens de assinarmos este contrato? Ainda não
compreendo?”. Aqui começa a se destacar o artista. Se, em vez de atender
prontamente à solicitação, o negociante começar a gaguejar, demonstrar
impaciência, o cliente, que já não estava muito inclinado a ceder, termina
por não assinar o contrato, quem dirá o cheque. Afinal de contas, investir em
algo não compreendido em sua totalidade é uma tremenda insensatez.
Por
outro lado, o artista do mundo dos negócios, domina a palavra. Consegue, através
dela, seduzir o cliente. Pode até parecer bobagem, porém, uma linguagem
adequada, uma boa capacidade de comunicação, saber o que dizer, e, sobretudo,
a hora em que dizer são diferenciais, contam pontos a favor. E se engana quem
estiver pensando que os clientes não prestam atenção a esses detalhes.
Imagine se o gerente de marketing diz: “Nossa Companhia é uma das melhores a
nível de mundo”?? Continua achando bobagem?
Pois
continuemos:
·
Eu, enquanto representante de vendas, garanto que o senhor só tem a ganhar;
· A
gente fizemos uma minuta do contrato e gostaríamos que o senhor desse uma
examinada;
·
Desculpe. Não percebi que o senhor tinha chego.
Se
passarmos para o texto escrito, a situação pode se agravar:
·
Vemos por meio desta;
·
Vossa Senhoria só terá benefícios com a parceria;
·
Enviamos em anexo;
·
Acusamos o recebimento.
Além
dos erros cometidos no que cerne à gramática e à adequação lingüística, há
outra modalidade de erro, gravíssima por sinal, um verdadeiro pecado. Considere
uma correspondência enviada a um cliente em potencial. No primeiro parágrafo,
lê-se:
”Encontro-me aqui em suas presenças, a fim de falar-lhes de um assunto de
inestimável importância: O programa de apoio aos novos empresários da Metrum,
uma empresa criada com o foco na qualidade de seus serviços e sempre preocupada
em satisfazer o cliente antes de tudo.”
A
Metrum pode até ter a preocupação de satisfazer os clientes. Entretanto,
falhou ao escolher o redator desta carta. Note que o parágrafo comete erros
primários, como introduzir um tópico, o do programa de apoio, e não desenvolvê-lo.
E o que dizer do “Encontro-me aqui em suas presenças”?? O leitor deste
documento irá, no mínimo, rasgá-lo, visto que a função primordial da
linguagem, a comunicação, não foi cumprida. O que interessava na realidade,
nem chegou a ser mencionado no corpo do texto.
Estamos
diante de um precário comunicador, de alguém que não elabora um projeto de
texto. Mais do que isso: estamos diante de um indivíduo que não dá a mínima
para a posição que ocupa, para a Companhia que representa. Em suma, estamos
diante de um sujeito despreparado, desconhecedor de suas próprias limitações
e que conta com a incapacidade dos outros, erro fatal no cenário corporativo
atual
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