Existem
ladrões de carga porque existem receptadores, traficantes de drogas porque
existem usuários, existem os que comercializam o próprio corpo porque
existem clientes, corruptos porque existem corruptores, políticos safados
porque existe sociedade permissiva e faladores que vendem fumaça porque
existem contratantes incompetentes.
Reconheço
nos faladores uma enorme competência e extraordinária habilidade de
comercialização e encantamento dos incautos, autonomeados de profissionais
de recursos humanos, treinamento, vendas e marketing e de empresários de
nomeada notoriedade que os agraciam com placa de reconhecimento pela
“grande” contribuição que trouxeram à sua organização. Reforçando
assim a incompetência de seus “profissionais” que recomendaram, ou não
tiveram competência para argumentar tecnicamente contra a solicitação do
patrão para a contratação dos serviços dos faladores-vendedores-de-fumaça
e desperdiçadores do recurso mais precioso que os homens e a organização têm:
o tempo.
A
incompetência é epidêmica. Contagia! Se um empresário ou um profissional,
de qualquer área do conhecimento, de grande sucesso, de projeção, formador
de opinião recomenda ou contrata ou agracia o fulando de tal, ele deve ser
muito bom, vamos contratá-lo também, porque se a nossa equipe e,
principalmente, o chefe não gostar, podemos justificar a escolha dizendo:
estamos em boa companhia. Na realidade, imitaram como papagaios, sem nenhuma
análise criteriosa, o erro do notório empresário ou profissional. Empresário
e profissional são rótulos, cuja essência é Ser Humano, que tem como
característica básica a possibilidade de errar.
Primeiramente,
os profissionais de recursos humanos, vendas e marketing devem contribuir para
o desenvolvimento de uma cultura na qual haja espaço para respeitar-se o próprio
tempo, o tempo dos colegas e da organização. Tempo é mais que dinheiro. É
vida!!! Assim como avaliamos as prioridades de uma organização, seja ela pública
ou privada, em função do quanto destina de recursos financeiros para cada
uma de suas atividades. Podemos avaliar as prioridades individuais ou
organizacionais em função da distribuição do uso do tempo.
Os
profissionais que têm a responsabilidade pela decisão ou pela recomendação
da contração de palestra, treinamento, mentoring ou consultoria devem
alinhar os objetivos desses eventos com a estratégia e com as necessidades da
organização. Ter coragem de inovar, incluindo no processo, prestadores de
serviços que não sejam os da moda, que tenham conteúdo, preço condizente
com a realidade da empresa e vocacionados para resultados. Se o escopo for:
descontração e animação, não dêem a isso uma máscara de evento
motivacional – ninguém motiva ninguém, muito menos uma palestra de 120
minutos, que trata igualmente os desiguais. Contrate um verdadeiro comediante,
um bom cantor, ou uma boa banda, que não lhes passarão a falsa impressão de
que estão participando de um evento técnico ou “motivacional”. Não terão
o auto-engano de que “as dicas” oferecidas no auge da empolgação poderão
ser utilizadas no dia seguinte, no cotidiano, dia-a-dia. No evento, um porre
de entusiasmo e, no dia seguinte, uma ressaca de frustração. Quanta perda de
tempo e de dinheiro!!!
As
palestras dos faladores, vendedores de fútil inútil, têm a vantagem de não
gerarem compromisso com resultados e nem com operacionalização mensurável
ou observável, da parte do profissional que os contratou ou recomendou a
contração e do executivo que aprovou o evento. Mantendo-se ambos na
zona de conforto, melhor dizendo da acomodação, da mesmice, uma vez que esse
tipo de evento não produz estímulo e muito menos responsabilidade por
buscarem novos conhecimentos, desenvolverem e praticarem conceitos tais como:
Para que somos pagos? Qual a primeira e mais relevante responsabilidade social
da empresa? O que é feedback e como operacionalizá-lo eficazmente? Quais são
as variáveis essenciais das organizações produtivas? Como validar as estratégias
e as decisões operacionais significativas? O que é controlar? O quê,
efetivamente, pode-se fazer com a tal motivação? O conceito de poder
praticado pela organização favorece a iniciativa, a criatividade e a relação
de confiança? Como eu e a organização percebemos o Homem? Por que o
profissional de RH precisa ter sólidos conhecimentos de psicologia aplicada
às organizações, de teoria geral das organizações, de conhecimentos básicos
de finanças, contabilidade e de matemática financeira? Ta achando muito?
Lembras-se das listas que alguns autores de nomeada fazem das características
do líder ou do executivo de sucesso? Descrevem o “super-homem”
organizacional, que são repetidas em alguns anúncios de recrutamento de
pessoal.
Tenho
a esperança que essa situação seja uma fase muito efêmera do
desenvolvimento profissional e organizacional e que não se eternizará como
uma das relações de causa e feita citada no inicio do artigo.