A Criatividade E Como Acabar Com Ela
A Criatividade e Como Acabar
Com Ela
Na verdade o título deste artigo é um tanto
quanto redundante. Se existe algo que nossa sociedade faz muito bem, da escola
à universidade e daí para o mercado de trabalho, é sufocar a criatividade.
Criatividade diz respeito a criar coisas novas
ou descobrir maneiras diferentes de fazer tarefas antigas. A pessoa criativa é
considerada perigosa por muitos, porque elimina o conforto da estabilidade.
Estabilidade, para um grande número de pessoas, significa segurança.
Eu me lembro de fato interessante que ocorreu
em meu primeiro emprego como programador de computadores. Eu havia recebido a
tarefa de aperfeiçoar um programa de computador, vital para o bom andamento das
operações da empresa. Com as mudanças que fiz, o tempo de processamento dos
dados caiu, de alguns dias para apenas umas poucas horas.
Quando a implantação final estava sendo
programada, eu fui informado pelo chefe de operações que eu deveria ir embora
e esquecer tudo. Conformado, juntei minhas coisas e fui me despedir do
superintendente. Este, por sua vez, furioso, chamou o chefe de operações e
reativou os trabalhos. Esta conversa eu não presenciei, mas certamente deve ter
sido interessante.
O que o chefe de operações tentava preservar
era a estabilidade. O novo, representado pelo conjunto de programas
desenvolvidos, embora com resultados excelentes, representava uma ameaça à
situação atual, onde tudo funcionava bem. Mais uma vez entrava em cena o velho
ditado:
Em time que está ganhando não se mexe.
A pessoa criativa frequentemente é
ridicularizada. No livro Idéias Criativas: Como Vencer Seus Bloqueios
Mentais, de James L. Adams, encontra-se uma passagem bem ilustrativa deste
fato.
Os inventores mais fantásticos que conheci
confiavam plenamente em sua capacidade criativa, dependendo pouquíssimo do
apoio dos outros. Certa vez trabalhei com um criador deste tipo. Bastava
expor-lhe um problema para que ele saísse imediatamente com uma solução.
Essas soluções costumavam ser tão mal pensadas que eu precisava me esforçar
para não rir. Em seguida ele ia alegre e contente até o escritório do lado
e recebia críticas que, se fossem dirigidas a mim, me deixariam deprimido por
vários dias. Depois de incorporar a crítica à sua idéia, passava ao escritório
seguinte. Desse modo ele literalmente construía uma solução, muitas vezes
brilhante. Devia seu sucesso à capacidade que possuía em aceitar e
incorporar críticas. Mas pessoas assim são raras.
O caso acima ilustra bem o que ocorre com freqüência
em praticamente todos os lugares onde estudamos e trabalhamos. Infelizmente são
poucas as pessoas que conseguem lidar com críticas negativas, incorporando-as
às suas idéias e ganhando com isto.
A pessoa criativa geralmente é muito otimista
e pensa que tudo pode ser feito facilmente. Já o pessimista pensa que nada vai
dar certo, e é uma questão de tempo até tudo dar errado. Enxerga defeitos em
tudo.
Entretanto, os dois são necessários. O
otimista tende a ignorar os problemas e o pessimista pode ser uma ajuda valiosa
neste caso, apontando as falhas. O gerente de bom senso deve empregar estes dois
talentos com sabedoria. Nunca coloque o pessimista para trabalhar nas fases
iniciais de um projeto. Ninguém vai conseguir sair do lugar. A hora de se
chamar o pessimista é depois que a idéia já foi consolidada e o protótipo já
está pronto.
Li recentemente sobre uma empresa que tomava
cuidados para isolar o pessimista dos demais, neste caso um engenheiro de grande
talento. Este engenheiro tinha uma sala privativa e não podia nem mesmo se
encontrar com os projetistas antes da hora certa, para não contaminá-los com
seu negativismo. Mas sua contribuição era fundamental, pois suas críticas
contribuíam para eliminar falhas que poderiam comprometer o sucesso do projeto.
Já ouviu a história, o otimista inventou o avião e o pessimista o
para-quedas?
Não interprete as críticas às suas idéias
como limitações pessoais. Se existe alguma coisa errada, o erro pode estar na
idéia, mas nunca em nós mesmos. Idéias podem ser aperfeiçoadas mas se nos
convencermos de que não somos criativos, que nunca conseguimos pensar em algo
bom, o problema fica bem mais complicado. Encare as críticas tentando obter
delas o que de bom elas contiverem e use-as para aperfeiçoar as suas idéias.
Críticas destrutivas, que visam a destruir a sua auto-estima, devem ser
ignoradas.
Muitas pessoas reclamam que não são
criativas, que não conseguem ter idéias e assim por diante. Esquecem-se que a
criatividade não é um raio luminoso que desce no céu, nos oferecendo soluções
prontas. Thomas Edison fez mais de 10.000 experimentos até conseguir aperfeiçoar
a sua lâmpada elétrica.
Igualmente importante, não somos todos iguais.
Podemos desenvolver um nível de competência de bom nível em praticamente
todas as atividades em que nos envolvermos, desde que para isto estejamos
motivados. Existem algumas áreas, entretanto, em que possuimos um potencial
maior. Se nos dedicarmos a desenvolver nossas habilidades naturais certamente
teremos resultados excelentes.
A criatividade, e isto já foi provado
cientificamente em diversos estudos, pode ser desenvolvida. Não é um presente
divino que apenas alguns poucos recebem.
Não se esqueça, e isto também já foi
provado cientificamente, os otimistas e criativos são pessoas mais saudáveis,
vivem mais e melhor, e são mais prósperas.
A criatividade é um assunto amplo e
apaixonante. Gostaria de recomendar dois livros excelentes sobre o assunto,
ambos traduzidos para o português. O primeiro deles chama-se Idéias
Criativas: Como Vencer Seus Bloqueios Mentais, escrito por James L. Adams,
Ediouro e o segundo é o Espírito Criativo, de autoria de Daniel
Goleman, Paul Kaufman e Michael Ray, Editora Cultrix. Para mais recomendações
de livros veja a bibliografia em nosso site (http://www.idph.net/bibliografia).
Para encerrar, gostaria de citar alguns casos
famosos de erros de julgamento quanto a produtos e idéias de sucesso.
Felizmente para nós os criadores destas idéias seguiram em frente e marcaram o
mundo com seus feitos.
- O cavalo está aqui para ficar, porém o
automóvel é apenas uma novidade - uma moda passageira
Presidente do Michigan Savings Bank,
aconselhando o advogado de Henry Ford a não investir na Ford Motor
Company
- Máquinas voadoras mais pesadas do que o ar
são impossíveis.
Lord Kelvin, 1885
- A televisão não será capaz de manter
nenhum mercado que conseguir após os primeiros seis meses. As pessoas logo
se cansarão de olhar para uma caixa de madeira compensada toda noite.
Daryl F. Zanuck, presidente do estúdio
de cinema 20th Century Fox, comentando, em 1946, sobre a televisão.
- Tudo o que pode ser inventado já foi
inventado.
Charles H. Duell, comissário do U.S.
Office of Patents, num relatório em 1899 para o Presidente McKinley -
argumentando que o escritório de patentes deveria ser abolido.
- Quem é que quer ouvir os atores falarem?
Harry M. Warner, presidente da Warner
Bros. Pictures, em 1927.
- Este tal de telefone tem muitas deficiências
para ser levado a sério como um meio de comunicação. Este dispositivo não
tem nenhum valor para nós.
Western Union internal memo, 1876
- O conceito é interessante e bem formulado,
mas para conseguir uma nota melhor do que C, a idéia precisa ser viável.
Avaliação de um professor da
Universidade de Yale em resposta a
um trabalho de Fred Smith propondo um serviço
de entregas rápido. Fred Smith é o fundador da Federal Express.
- O Professor Goddard não sabe a relação
entre ação e reação e a necessidade de se ter algo melhor do que o vácuo
contra o qual reagir. Parece que ele não tem o conhecimento básico
ensinado diariamente nas escolas de nível médio.
Editorial, de 1921, do jornal New York
Times sobre o trabalho revolucionário de Roberto Godddard sobre
propulsão com foguetes
- Se eu tivesse pensado sobre isto, eu não
teria feito o experimento. A literatura está cheio de exemplos que dizem
que você não pode fazer isto.
Spencer Silver sobre o trabalho que o
conduziu à descoberta dos adesivos "Post-It"
- O abdomen, o peito e o cérebro estarão
para sempre fechados à intrusão do cirurgião humano.
Sir John Eric Ericksen, Cirurgião Britânico
da Rainha Vitória
- A teoria dos germes de Louis Pasteur é uma
ridícula ficção.
Pierre Pachet, Professor de Fisiologia
- Nós não gostamos do som deles, e música
de guitarra está fora de moda.
Decca Recording Co. ao rejeitar os
Beatles em 1962
- Aviões são brinquedos interessantes, mas não
possuem nenhum valor militar.
Marechal Ferdinand Foch, Professor de
Estratégia, Escola Superior de Guerra
- 640K são mais do que suficientes para as
necessidades de qualquer pessoa.
Bill Gates, 1981
Autor: Rubens Queiroz de Almeida |