A Lógica Da Logística Nos Novos Tempos
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Muito tem sido falado sobre a
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, o computador e suas diversas formas de interligação,
dentro das empresas, entre empresas, entre pessoas e entre empresas e pessoas.
Esta maravilha dos novos tempos
é o principal impulsionador das mudanças que estão ocorrendo em velocidade
espantosa neste início de século. Está provocando mudanças no modo de
produzir, na organização do trabalho, na forma de administrar, nos formatos de
relacionamentos com o mercado, com as pessoas, na forma de vender, na forma de
distribuir e na forma de controlar as atividades.
É um mundo diferente. O
conhecimento e a imaginação agora são mais importantes do que o capital físico.
Os produtos e serviços estão se tornando apenas artigos em oferta, as negociações
transformam-se em "intercâmbios" e o mercado, de um modo geral, tem
assumido um formato com a agilidade do mercado financeiro.
Neste novo tempo a capacidade
de adaptação é fundamental em face da grande permeabilidade que as empresas
estão construindo no relacionamento dos negócios entre fornecedores,
distribuidores e funcionários. E, ainda, a necessária adaptação das pessoas,
em função da diversificada possibilidade de criação de relacionamentos,
através da rede criada em torno do mundo.
São três as vertentes que
alavancam esta situação:
- Tudo aquilo que envolve os negócios e as
organizações em geral está cada vez mais ocorrendo em tempo real. Decisões
podem ser tomadas no momento em que a oportunidade ou o problema ocorre. A
barreira do tempo tem sido quebrada constantemente nas diversas formas de
negócio.
- Tudo aquilo que envolve contato é possível
ser realizado eletronicamente. Pessoas, empresas, governo, não importa,
todos vão criando formas de "conversa eletrônica".
- Não existe produto ou serviço
isoladamente. Existem produtos com uma parte de serviços e serviços com
uma parte de produtos. Toda proposta tem uma parte tangível e outra intangível.
Entre os dois, produtos e serviços, de uma maneira definitiva, o que mais
cresce é a parte intangível da proposta, ou seja, o serviço.
Kotler em seu livro Como
Criar, Conquistar e Dominar Mercados indica algumas preocupantes constatações
influenciadas diretamente pela forma de atendimento do mercado pelas empresas.
De uma maneira geral, os formatos estão muito próximos uns dos outros. Os
produtos e serviços pouca diferença apresentam. E os custos de atendimento
destes mercados, o que é grave, têm subido de uma forma constante.
Neste início de século vamos
encontrar clientes cada vez mais sensíveis a preço de um lado e, de outro,
cada vez mais exigentes e sofisticados. Procuram uma conveniência maior, têm
alta expectativa de atendimento e têm menos tempo para executar o que
necessitam. Não encontram mais nas marcas a principal razão para a decisão de
compra, podendo aceitar até as marcas genéricas ou as marcas próprias de
varejo, causando uma queda nos índices de fidelidade. Atendimento para eles vem
em primeiro lugar.
O custo de atender estes
clientes tem sido cada vez maior, a disputa pelo "pedido" do cliente
é inflacionada por muito atendimento gratuito, as políticas de preços são
rapidamente copiadas pelo mercado e as ações de comunicação são de curto
prazo, principalmente aquelas de promoção de vendas que pouco ou quase nada
contribuem para formação de imagem da empresa (produto). Propaganda, que seria
o caminho ideal para isto, perde sua efetividade pela grande e diversificada
quantidade de meios disponíveis para o consumidor, tornando esta atividade
"cara" e de menor efetividade.
E ainda as equipes de vendas
que, de um lado, diminuem de tamanho e de outro aumentam seus custos em face do
competitivo mercado que têm pela frente, impulsionado pelo uso cada vez maior
dos suportes eletrônicos, básicos para sua sobrevivência.
Isto implica dizer que as
empresas estão enfrentando enormes desafios ao tentar buscar um melhor
posicionamento no mercado. E cada setor está enfrentando seu próprio desafio:
margens menores, maiores custos de promoções, maior poder do varejo e menor,
cada vez menor, espaço de prateleira para tentar ainda absorver as compras por
impulso fruto de um melhor trabalho de merchandising.
As empresas que não estão
tendo sucesso neste mercado com certeza continuam praticando atitudes erradas ao
tentar conquistar o cliente em vez de atender o cliente, "forçar" a
venda de seu produto em vez de tentar entender quais são as reais necessidades
de seus clientes, fazer de cada venda uma única transação em vez de colocar a
venda como parte de uma série de atendimentos, construindo relacionamentos
duradouros, praticar preço com base nos custos e não naquilo que o consumidor
deseja pagar.
Mas nem tudo é tão ruim
assim. Empresas que estão obtendo sucesso têm um caminho voltado para seus
clientes, conhecendo suas necessidades, seus sistemas econômicos, projetando
produtos em conjunto, praticando ofertas mais flexíveis e aperfeiçoando, no
seu dia-a-dia, cada vez mais as tecnologias de ligação, o uso de vídeo-conferência,
páginas na Internet, internalizando a Intranet e, para muitos casos,
franqueando a comunicação direta com seus clientes através da Extranet.
Para estas empresas os Canais
de Distribuição são verdadeiros parceiros e não adversários, praticam muito
mais a integração do sistema como um todo no lugar da egoísta interface, estão
prontos para dar atendimento 24 horas por dia, tudo isto em busca de oferecerem
efetivamente um valor superior a seus clientes. Para estas empresas os intermediários
fazem parte de seu planejamento estratégico.
E é olhando tudo isto que vem
a importância do estudo da Logística. É o estudo da movimentação de bens e
serviços do ponto de produção, seja ele qual for, ao ponto de consumo, não
importa se numa indústria ou no consumidor final. É o estudo dos fluxos
distributivos e a determinação das responsabilidades por sua execução.
É o estudo de como agregar
valor de utilidade de tempo e lugar aos produtos e na direção do consumidor a
quem tudo deve ser direcionado e referenciado.
É a forma de praticar o
pensamento estratégico de colocar o produto (serviço) efetivamente disponível
para o cliente consumidor de toda a Cadeia de Suprimentos, ganhando
posicionamento destacado neste mercado cada vez mais igual e competitivo.
Neste ambiente, três são as
questões importantes que afetam diretamente o sucesso do marketing. E são três
as questões que estão diretamente ligadas ao Estudo da Logística e da
Distribuição:
- Na ordem, Necessidades e Desejos do Cliente
vêm antes do que Produto ou Serviço.
- Um produto só é um produto quando seu usuário
tem a possibilidade de usufruir sua proposta. Enquanto "caminha"
pela Cadeia de Suprimentos ainda não é um produto, não tem qualquer
valor. Produtos e Serviços só têm valor quando estiverem sendo utilizados
pelo cliente.
- A Era do Marketing de Massa já era.
Rentabilidade, de um modo geral, é mais importante do que volume. Após
anos de Reengenharias, Downsizing etc., as empresas não têm para
onde recorrer a fim de buscar custos mais competitivos. É através da aliança
dos membros da Cadeia de Suprimentos que isto será possível.
O desafio então é o
entendimento de como obter vantagem competitiva dentro do estudo da movimentação
da mercadoria na direção do consumidor final - o estudo, portanto, da Logística.
As empresas que descobrirem esta forma serão vencedoras.
Os Gestores de Marketing pouca
ou quase nenhuma atenção davam a tão importante e relevante assunto. Poucas,
mas muito poucas vezes, programas surgidos na Área de Marketing privilegiavam ações
partidas do sério estudo estratégico da Logística.
E aqueles poucos programas
levados adiante visavam sempre a resultados de curto prazo. Provavelmente
calcados muito mais numa ação promocional de vendas de curto prazo do que
distribuir estrategicamente ou então "manter, proteger" um produto no
mercado. E aí as ações mais utilizadas são os "comuns" concursos
de vendas, previstos para "ajudar" a vender muito mais que distribuir.
Muito pouco frente à grave importância do assunto distribuir.
Daí surge a necessidade de
entender que ao lado das ações que preparam a oferta, o "P" de
Produto e o "P"de Preço, e das ações que promovem a demanda, o
"P" de "Promotion" (que significa Comunicação de
uma forma ampla) existe a importante estratégica de ações que atendem esta
demanda provocada que é o importante estudo do "P" de Place, o
"P" de Praça ou Distribuição, completando os 4 "Ps" do
Marketing Mix.
Pode ser maravilhoso realmente
o que a Tecnologia da Informação está trazendo para a Gestão Mercadológica
das Empresas. Ela facilita principalmente o contato e os processos que dizem
respeito à promoção, negociação e obtenção do pedido do cliente, parte
importante das Atividades Logísticas e dos Fluxos Distributivos. Mas um fato não
pode deixar de ser observado e que faz aumentar em muito a importância deste
estudo. Enquanto a tecnologia da Informação provoca maior rapidez na obtenção
do pedido do cliente, ela não provoca o mesmo ritmo no processo da entrega,
criando aí problemas para as empresas. Afinal, até hoje não foi desenvolvida
a tecnologia de Teletransporte. Se existisse, este processo eletrônico estaria
completo.
Ainda, por muito tempo, a
mercadoria deverá caminhar fisicamente através dos meios de transporte. A
antecipação da demanda, o estoque, continuará existindo. E o armazenamento físico
da mercadoria continuará sendo necessário para atender as crescentes e
diferenciadas necessidades dos clientes no tempo e lugar desejados por ele. Um
desafio para os gestores destes novos tempos. Um desafio estratégico para o
Planejador de Marketing deste novo século.
José
Luiz Meinberg
Consultor
do Instituto MVC
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