A mexerica e seus gomos
Como montar uma equipe e fazê-la trabalhar
unida olhando para o mesmo lado, almejando a mesma coisa, o sucesso da empresa
para a qual trabalha?
Utilizo uma metáfora para explicar melhor. Ao
olharmos uma mexerica (mais conhecida como bergamota ou tangerina, dependendo da
região do Brasil) com aquela casca de espessura nem tão grossa nem tão fina,
na medida certa para que a possamos descascar manualmente, pensamos
automaticamente como estará o estado de seus gomos.
Aparentemente devem estar suculentos, doces,
com aquele sulco. Mas nem sempre os gomos estão em perfeita união. Às vezes,
alguns se encontram amassados, o que faz com que aquela nossa expectativa
inicial ao olhar a mexerica como um todo, com sua casca verde e espessa, caia
por terra.
Tomo a liberdade de trazer essa metáfora ao
mundo corporativo, tratando a mexerica como a empresa, com sua aparência
imponente, pronta para ser conhecida e consumida pelo mercado, tendo os gomos
como equipe. Como manter uma equipe unida, trabalhando em consonância com a
missão e visão da empresa? Como fazer essa equipe lutar pela imagem da
empresa, seja para o público interno ou externo? Como auxiliar a manter a
empresa austera, forte e altamente desejável pelo mercado?
Acredito que a força motriz para manter uma
equipe unida é a transparência e energia com que é conduzida. Obviamente, há
a questão salarial envolvida, os benefícios que a empresa pode propiciar, mas
acredito que haja algo maior que torne o enlace cada vez mais forte e difícil
de ser dissolvido. A base de tudo é o relacionamento interpessoal. Temos de
analisar esse relacionamento sob duas óticas: a das pessoas que ocupam a mesma
equipe de trabalho e a da equipe para com a empresa em si.
De nada adianta ter uma equipe unida, com os
mesmos anseios, ideais, objetivos, metas de conclusão de trabalhos, se ela
estiver em desarmonia com a própria entidade para quem presta serviços. Nesse
caso, teríamos, nos valendo da metáfora inicial, gomos unidos de maneira
fraca, que o simples descascar da mexerica levaria à desintegração. A
mexerica deixaria de ser suculenta e passaria a ser oca e insípida.
Seguindo a metáfora, acabaríamos com o tempo
provocando um racha dentro da própria organização, que poderia levar a uma
cisão, a um descontentamento generalizado por todos os integrantes da equipe,
levando a um êxodo de cérebros. A falsa equipe unida se mostraria frágil
perante a organização e, com o passar do tempo, o elo de ligação entre elas
se dissolveria, provocando danos tanto para os indivíduos como para a imagem da
empresa.
O segredo para a formação de uma equipe deve
vir do movimento que a empresa faz de fora para dentro. Ela deve primeiramente
definir os passos que pretende dar para alcançar a fatia do mercado desejado, o
que pretende conquistar, em quanto tempo e o que pretende propiciar para aqueles
que se propuserem a sonhar juntamente com os líderes da organização. Em suma,
deve despertar nos integrantes o desejo de buscar, caminhar para frente nas
mesmas passadas rítmicas dos dirigentes, fazê-los sonhar e terem orgulho de
estar e participar da organização.
Dessa união passaríamos a ter uma equipe de
indivíduos motivados a buscar algo condizente com toda a organização, o que
provocaria o início de ligações genuínas e capazes de agüentar as intempéries
do dia-a-dia de trabalho, as oscilações mercadológicas e financeiras. A
equipe faria a diferença por ser composta de pessoas que acreditam e agem na
eterna busca.
Voltando à nossa metáfora da mexerica. Teríamos
gomos unidos, suculentos, prontos para ser saboreados, tendo a casca exercido
seu papel – o de propiciar a espessura suficientemente adequada para protegê-los
e dando-lhes a oportunidade de não perder sua essência, seu sabor. Enfim, teríamos
uma verdadeira equipe, formada de indivíduos de características únicas e que,
juntos com a organização, podem fazer a diferença e lutar pelo mesmo ideal.
Autor: Flávia Scarpinella Bueno |