A profissionalização do RH na seleção dos mais experientes
A profissionalização do RH
na seleção dos mais experientes
A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) acaba de comprovar o que alguns especialistas já começavam
a detectar: os trabalhadores mais velhos voltam a ocupar um espaço importante
no mercado de trabalho. Levantamento recente do IBGE aponta também que o grupo
de pessoas com 50 anos ou mais foi o que mais aumentou em participação no
mundo profissional; de 15,4% para 18,1% entre 2002 e 2006. A maioria deles
trabalha por conta própria.
Além disto, o preconceito das empresas em relação
aos profissionais mais velhos começa a mudar, ainda que timidamente.
Especialistas em recrutamento confirmam que para se ajustar ao (iniciante) período
de crescimento brasileiro, as companhias voltaram a procurar trabalhadores mais
experientes, aptos a assumirem postos que, em outras ocasiões, exigiriam
treinamento prévio para pessoas mais jovens.
Nesse cenário, o trabalhador com mais de 40,
50 ou 60 anos continuará a ter seu espaço desde que adote comportamentos e ações
flexíveis, preterindo os símbolos tradicionais, apresentando propósitos
claros, estilos e métodos pessoais ajustados às práticas exigidas pelo
mercado. Convém que acompanhe a tecnologia e os avanços da informática e que
esteja sempre aberto às mudanças, sem deixar de lado seu aguçado senso de
responsabilidade.
E é nesse contexto que a atuação do
profissional de Recursos Humanos poderá fazer a diferença. Sem dúvida que a
quebra do paradigma em relação à idade tem início pelo setor de seleção,
pois, geralmente, quando se inicia a triagem dos currículos, a idade é o
primeiro fator de corte. A meu ver, o selecionador deve ir além das tarefas
rotineiras que lhe são atribuídas, devendo desempenhar o papel de gestor e de
consultor, preocupando-se mais com a qualidade dos resultados, do que com a
quantidade de trabalho e, no caso específico, dando sua contribuição para
mudar o preconceito em relação à idade.
No que diz respeito à seleção, ao longo do
tempo foram realizadas algumas pesquisas que indicam que o método tradicional
de entrevistas, com perguntas que investigam hipóteses de futuro, baseadas na
intuição do selecionador para decidir o melhor perfil, não garante uma
contratação de sucesso.
Se até pouco tempo o mercado valorizava a
competência técnica, hoje as competências comportamentais têm sido foco de
muita atenção para qualquer profissional seja ele jovem ou mais experiente. A
avaliação por competência, já bastante utilizada na atualidade, baseia-se em
fatos concretos e mensuráveis com foco no comportamento e numa metodologia
consistente, testada e comprovada pelo mercado empresarial.
O grande objetivo da seleção por competência
é oferecer ferramentas de avaliação que propicia a elaboração de um
mapeamento de competências para cada cargo, denominada entrevista
comportamental planejada, auxiliando na identificação do perfil adequado,
atrelando-o com as estratégias e as competências organizacionais.
Chamo esta fase de profissionalização da área
de seleção, ou seja, se o profissional de RH utilizar métodos claros e
objetivos poderá selecionar o candidato mais adequado, sem que para isto seja
necessário excluir os mais experientes do processo seletivo. Para que o
candidato não se sinta preterido ou excluído do processo, achando que é
devido ao fator idade, é importante que o selecionador o conscientize de forma
que ele entenda qual é o seu papel no processo seletivo e perceba que o
resultado não é de responsabilidade exclusiva da área de seleção, e sim um
trabalho conjunto e de responsabilidade compartilhada.
Como sugestão de mapeamento de perfil,
geralmente levanta-se os seguintes aspectos:
* As competências técnicas como requisito básico, mas sempre acompanhada da
comportamental para eficácia de sua realização;
* Os principais desafios que o cargo requer focando a questão do comportamento;
* situações mais críticas que o profissional deverá administrar;
* o perfil da liderança que ele irá reportar-se;
* levantar os maiores erros que foram cometidos no cargo;
* qual a missão, a visão e os valores da área requisitante;
* as principais características dos clientes internos;
* projetos a serem desenvolvidos pelo cargo e outras informações específicas
e qual o comportamento esperado.
Neste tipo de seleção, o recrutador deve
investigar COMO aconteceu determinada ação. Cada pergunta tem como objetivo
principal investigar a presença ou a ausência de competências específicas,
sendo possível em cada pergunta, investigar uma ou mais competência, como
exemplo:
* Conte-me sobre uma situação imprevista que você teve que administrar na sua
função e qual a solução que você encontrou?
* Relate-me uma situação apresentada e que não foi aceita pela chefia. Qual a
postura adotada por você?
* Fale-me de uma situação em que você não aceitou uma mudança imposta pela
sua chefia?
Lembre-se de uma situação mais perigosa que você já enfrentou e que obteve
sucesso.
E assim, tantas outras questões suficientes
para o selecionador avaliar o comportamento do candidato frente às mais
diversas situações que envolve o dia-a-dia de um profissional. Estes são
alguns exemplos concretos de um sistema baseado numa metodologia, o qual submete
candidatos e selecionadores a um processo que pode ser considerado mais justo e
próximo de uma realidade, seja do candidato, seja do empregador.
Assim sendo, está lançado o desafio aos
profissionais mais experientes. Que esses apostem mais em suas habilidades e
competências; que acreditem mais em seus potenciais e que continuem a investir
em sua bagagem cultural e profissional. Que os profissionais de Recursos Humanos
procurem quebrar paradigmas em relação à idade e procurem aprimorar
constantemente seus métodos de avaliação de pessoal. Com certeza, tais práticas
reforçarão a idéia de conhecimento como sinônimo de valor; não o atrelando
necessariamente à idade e tampouco a um inexistente prazo de validade.
Maria Bernadete Pupo |