A Sintaxe da Qualidade Total
A Sintaxe da Qualidade Total
Realizar mudança para a Qualidade Total é uma
determinação que encontra resistência. O ser humano resiste à mudança
porque tem medo dela. Porque é inseguro. Porque não quer ver modificado o seu
"status quo". Sua memória é curta, pois possui um conhecimento
circunscrito ao tempo histórico em que vive e não ao espaço em que habita.
Passado é algo sem importância - que se busca esquecer - desconsiderando-se o
fato de que não existe presente sem passado; e muito menos futuro.
Num mundo onde viver consiste em mera sobrevivência,
o ser humano passou a utilizar-se da força bruta, da violência, da sedução,
da inteligência e da esperteza para atingir suas metas ou para fazer os outros
trabalharem por ele e para ele.
Engajado numa trajetória inercial evolutiva de
descoberta da inteligência, ingressou ingenuamente numa armadilha. E,
teimosamente, continua correndo em círculos sem parar para refletir e
reorientar sua caminhada. É preciso iluminar esse caminho! Porém, é impossível
definir a luz sem compreender que existe a escuridão. Se a velocidade da luz,
definida por Einstein, é de 300.000 quilômetros por segundo, pode-se intuir
que a velocidade da escuridão é duas vezes maior!
Ninguém pode ser bom se não superar sua
maldade; a sua escuridão! Ninguém pode evoluir, se não houver algo a superar.
Quando paramos para pensar, realizamos um exercício de avaliação associativa
de causa e efeito, antes de gerar qualquer ação.
Jacques Lacan, psicanalista francês, dizia que
o ser humano é responsável pelos seus acontecimentos, e que não há como não
se responsabilizar pelo acaso e pela surpresa. A pessoa não é só o que
escolhe, mas também o que lhe ocorre, explicava.
Toda mudança de qualidade implica numa revisão
de concepção mental e na assimilação de novos paradigmas. Implica em
desenvolver uma sintaxe mental que nos remeta a uma visão empática de nosso
semelhante, isto é: colocar-se no lugar do outro; tratá-lo como gostaríamos
de ser tratados.
O mais importante paradigma para a mudança é
procurar realizar tudo com qualidade. Fazer as coisas com qualidade é muito
simples. Não custa dinheiro. O seu custo está na despesa das
"achologias", das "gambiarras", das coisas provisórias ou
feitas de qualquer jeito!
A Sintaxe da Inovação
A metáfora é de Peter Drucker, formulador da gerência por objetivos, em
artigo publicado pela Harvard Business Review. Conta-se que uma criança recém-nascida
foi encontrada na porta de uma empresa ao amanhecer. Ao tomar
conhecimento do fato, o diretor mandou o seguinte comunicado ao departamento de
recursos humanos: Tomei conhecimento do recebimento de um recém-nascido de
origem desconhecida. Formem uma comissão para investigar se a criança é
produto da empresa e se algum funcionário está envolvido com o problema.
Depois de um mês de investigações, a comissão enviou ao diretor o
seguinte comunicado: Após 30 dias, concluímos que a criança não pode ser
produto desta empresa pelos seguintes motivos: em nossa empresa nunca foi feito
nada com prazer e amor; aqui ninguém colabora intimamente com ninguém; aqui
nunca foi feito nada que tenha pé e cabeça; em nossa empresa nunca foi
empreendido nada que ficasse pronto em nove meses!
O novo; a novidade à porta! As pessoas, em geral, têm medo do novo. Por que? -
Porque são inseguras e porque, principalmente, não querem ver alterados o seu
cotidiano, o seu "status quo"!
A inovação é a ferramenta mais apropriada dos empreendedores. Fazer coisas
novas, ou fazer coisas antigas de maneiras novas, é o modo com que um
empreendedor explora as mudanças como oportunidades de negócio.
Transformar idéias inovadoras em uma atitude lucrativa é a essência de um
empreendimento. É bem verdade que certos empreendimentos às vezes são
arriscados, principalmente porque muito poucos dos supostos empreendedores
sabem o que estão fazendo!
Pablo Casals, o grande maestro violoncelista espanhol, sempre soube o que fazer
com o seu violoncelo. Pouco antes de sua morte, ocorrida em 1973, deu um
concerto para a fina flor da aristocracia européia, em Viena. No decorrer da
execução de uma Ária de Bach, duas cordas se romperam do violoncelo.
Casals continuou tocando - e melhor - como se nada tivesse ocorrido. Ao final da
apresentação, as pessoas foram lhe cumprimentar e perguntar como ele
conseguira tamanha proeza. E Pablo Casals, simplesmente, respondeu: "É
possível tirar sonoridade e inovar com aquilo que restar!"
Um dirigente que não se assusta com uma criança à porta de sua empresa é
aquele que pensa como um maestro pensa os músicos de sua orquestra: como indivíduos
cujas habilidades pessoais contribuem para o sucesso da obra. A relação entre
superior e subordinado é muito mais parecida com a relação entre o maestro de
uma orquestra e o músico do que aquilo que acontece na organização
convencional.
Na empresa baseada na inovação e no conhecimento, o superior normalmente não
pode fazer o serviço do subordinado, assim como o maestro não pode tocar
violoncelo. Entretanto, todos sabem que música a orquestra está tocando;
que resultados todos desejam atingir e que parte específica cada integrante
deve executar. - Uma sintaxe inovadora!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas para Programas de
Engenharia da Qualidade, Antropologia Empresarial e Gestão Ambiental. www.paulobotelho.com.br |