Administração Das Transições
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Neste
artigo o especialista em mudanças e transições organizacionais Dino
Carlos Mocsányi escreve sobre as transições pessoais, ou seja, os
aspectos e impactos psicológicos envolvidos nas mudanças que ocorrem a
todo o tempo no ambiente profissional. As mudanças que nos afetam
diariamente podem ocorrer no âmbito profissional ou empresarial, como mudanças
de local de trabalho, na estrutura organizacional, na linha de produtos ou
de mercados, ou mudanças pessoais, como a perda de um parente, o nascimento
de um filho, uma mudança de cidade ou de emprego: as transições pessoais
daí decorrentes geralmente são mal compreendidas e fracamente
administradas. Para compreender a vivência psicológica que as transições
causam, deve-se compreender primeiro que estas se compõem, basicamente, de
três fases: a conclusão, ou “fim” da situação ou fase anterior, uma
transição em si, do “velho” para o “novo”, que podemos chamar de
“região neutra”, na qual o “velho” já ficou para trás e o
“novo” ainda não chegou, e o “reinício” de uma nova fase.
O fato é que estas mudanças e transições, quando mal conduzidas, acabam
levando muito mais tempo e envolvendo mais gastos do que qualquer um poderia
prever, além de desgastes desnecessários nas pessoas envolvidas.
Em minha convivência com William Bridges, talvez o mais renomado consultor
nesta área em todo o Mundo, concluí que existem alguns conceitos
elementares na gestão das transições, sejam elas empresariais
profissionais ou pessoais.
Os
7 mais importantes são:
1.
Você precisa terminar antes de começar
Tomando uma frase da navegação: “Não se pode chegar a um destino sem
deixar a segurança do bom porto!” Para abraçar uma nova missão, novos
papéis ou valores, você precisa primeiro deixar para trás os antigos. E
estas conclusões, sejam elas gradativas ou abruptas, precisam ser
gerenciadas. É sempre muito difícil desvincular-se de uma situação que
passou, mas é muito melhor um final com um grande susto, do que sustos contínuos
sem final. O que causa grande desgaste não são as mudanças em si, mas os
longos períodos de transição e adaptação, freqüentemente mal liderados
(“As pessoas vão acabar se adaptando...” - nem sempre é uma
verdade...).
Minha conclusão é que as pessoas não se adaptam sozinhas, assim tão
facilmente!
2. Entre a conclusão e o reinício, existe uma transição
Toma tempo para as pessoas se reorientarem das velhas maneiras de fazer as
coisas para as novas formas de trabalhar, de se relacionar, de levar a vida,
enfim. Esta assim chamada “região neutra” é normal, mas também é
potencialmente perigosa, já que antigos problemas freqüentemente reemergem
e as pessoas ficam procurando respostas simplísticas. Conduzir pessoas
através da “região neutra” requer liderança ativa. Não adianta
esperar que “as pessoas se adaptem...” por si mesmas, sem nenhuma ajuda!
3. O período de transição pode
ser criativo
As mesmas confusões que faz o tempo entre o “velho” e o “novo” ser
tão conturbado, também possa fazê-lo muito criativo e motivador, pois a
resistência à mudança das organizações e das pessoas fica mais
reduzida. Tanta coisa está mudando, de qualquer forma, então... Por que não?
Na fase de transição entre o “velho” e o “novo” é que costumam
despertar muitas idéias novas, e esta fase pode vir a ser das mais
criativas. Pense bem: na situação antiga, não havia grande motivação
para inovar e criar coisas novas, e na fase nova todo o esforço e tempo serão
dedicados a implantar e consolidar as mudanças. Só que esta criatividade
do período de transição não vai se materializar, se não for cultivada,
incentivada e legitimada.
4.
Transições podem significar desenvolvimento
Sob a aparência superficial de uma mudança, todo um “capítulo” da
vida de uma organização, ou de nossa vida, pode estar chegando ao fim. E
um novo capítulo, que é mais adequado ao momento atual, pode estar
nascendo. As pessoas vão lidar melhor com a transição se entenderem isto
claramente. Ajude-as a compreender isto! Não há renovação, seja nas
empresas como em nossa vida, se de tempos em tempos não encerrarmos algum
capítulo, o que não necessariamente precisa ser visto e entendido como
algo negativo. Grandes líderes de mudanças sejam eles empresários,
executivos, políticos ou outros quaisquer, tiveram em comum a qualidade de
conseguir motivar e encorajar pessoas e organizações a desvencilhar-se do
velho e aceitar novos desafios.
5. Transição também é fonte de
renovação
Este passo de desenvolvimento, do “velho” para o “novo”, pode gerar
uma tremenda energia, se for bem gerenciado - o que é uma boa notícia
nestes tempos de sobrecarga e stress profissional e pessoal. As pessoas, no
entanto, não vão entender isto sem a sua ajuda. Pelo contrário: elas vão
se desgastar inutilmente tentando retornar aos confortos perdidos da antiga
forma de agir.
6. Pessoas atravessam a transição
em velocidades diferentes
Todo mundo passa através das três fases dos processos de transição - a
conclusão, a zona neutra e o reinício. Mas ninguém o faz exatamente igual
a qualquer outro. Transições lentas não são piores do que transições rápidas.
Aprenda a perceber em que ponto as pessoas estão no processo, e explique e
comunique a elas onde elas estão. Não imagine que elas estejam conscientes
disto, ou que elas tenham realizado suas respectivas transições tão rápido
quanto você.
Como líder, não diga a elas somente onde têm que chegar: explique a elas
também como fazê-lo!
7. Na maioria das organizações existem “saldos de transições”
Sob a pressão de um stress constante, as pessoas “vão deixando para lá”,
e realizam mudanças sem se permitir e sem permitir aos outros as necessárias
transições e, muito mais difícil fazer isto uma segunda vez, porque
existe ainda aquela primeira transição, inacabada e mal resolvida, fazendo
peso como se fosse chumbo. E a terceira vez é ainda mais difícil, porque
temos o “saldo” de várias transições não concluídas. Isto ocorre em
organizações e com indivíduos: faça uma auto-análise e verifique! Este
“saldo de transições em atraso” é muito perigoso, por que um dia este
débito “vence”, tal qual uma dívida conosco mesmos. Os resultados
disto podem ser traumáticos. Assim, cuide das transições à medida que
elas ocorrerem: trate de se desvincular do passado, lidere e administre o
período de transição - a “região neutra” - criativamente e saiba
caracterizar o reinício, o novo. Não faça de conta que as transições
acontecem por si mesmas!E nunca se esqueça: mudanças podem até acontecer
rápido, mas transições têm que ser entendidas, lideradas e
administradas.
Dino Carlos Mocsányi
GURU DO PORTAL, ESPECIALISTA
EM GESTÃO DE MUDANÇAS E
TRANSIÇÕES
Consultor,
palestrante e conferencista internacional, atuação no Brasil, USA, Alemanha,
Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal, Austrália e grande parte dos países da
América Latina.
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