Administração Do Tempo
ADMINISTRAÇÃO DO
TEMPO
Muito já se ouviu falar sobre técnicas para melhor
administrar o tempo, essa moeda que não conseguimos estocar... Vamos buscar
uma abordagem da administração do tempo, a partir da autoconsciência e sugerir
que administrar o tempo é muito mais uma questão de autoconhecimento e
gerenciamento pessoal do que a simples aplicação de técnicas. Afinal “o que
eu como a prato pleno, bem pode ser o seu veneno”, como já disse o sempre citado
Raul Seixas. Para a diversidade de papéis que temos na vida (profissional,
familiar, amizades, lazer) o tempo é um só e não é repartido de forma natural,
mas distribuído a partir do que priorizamos. É o equilíbrio que o sábio
jardineiro conquista: Adubar a terra certa! Nessa imagem, vamos supor que uma
determinada planta esteja bem adubada – mais adubo é dispensável e pode matar a
planta, por outro lado, aquela que está carente do adubo, uma vez desprezada vai
morrer... E assim se dá com a distribuição do adubo, chamado tempo. O
viciado em trabalho “workaholic” pode lotar a agenda e esquecer de outras áreas
como família, amigos, lazer... Já o viciado em lazer pode esquecer de
atualizar-se e colocar foco nos seus projetos... É mesmo um grande exercício
do equilíbrio de papéis, e da coerência entre pensar, sentir e agir a partir da
autoconsciência. Disse Stewam Zweig “Um único momento decide tudo: um único
sim, um único não, um muito cedo ou um muito tarde determinam a vida de um
indivíduo, de um povo e até o destino de toda a humanidade”. Algumas questões
provocativas: Eu preciso de mais tempo para quê? Trabalho, família, amigos,
lazer, estudos? O meu maior ladrão de tempo é... Noite ou dia? Quando
estou no meu melhor “pique”? Separar o “joio do trigo” é definir o que é
importante do que é urgente. E se é urgente, é urgente para quem? Alguns
conceitos interessantes e que poderão nos ajudar a classificar as nossas
atividades:
• Urgente é toda tarefa que precisa ser feita
imediatamente e que pode gerar problemas se não for executada. Em geral é o que
foi deixado para a última hora. Nem sempre as urgências são prioridades. •
Circunstancial é tudo aquilo que foge ao seu controle. São as coisas que você
faz em excesso ou contra a vontade, que não geram resultados, provocam angústia
e insatisfação. São importantes para os outros, não para você. • Importante é
tudo o que faz diferença em sua vida, seus objetivos e sonhos pessoais ou
profissionais, os momentos de lazer, exercícios. Tudo o que traga bem-estar e
equilíbrio físico, mental, espiritual e emocional.
Nessa etapa, cabe uma ação importante que é o planejamento do
tempo, sabendo, entretanto, que o inesperado pode chegar a qualquer
momento... Planejar o tempo significa saber o que se quer fazer e ordenar as
ações para a realização da maior quantidade de atividades no menor prazo para se
atingir seus objetivos. Sem um planejamento, sem um objetivo e suas
respectivas metas, a pessoa acaba sendo governada pelas circunstâncias e pelas
decisões de terceiros. E desde que a pessoa não saiba para onde está indo, o
que a controlará são as forças externas. Existe um alerta: “A vida segue
sempre em frente, e é preciso ter alguém no comando, se na sua vida essa pessoa
não é você, tome cuidado, alguém está no controle da sua vida!”. Não resta
dúvidas de que a autoconsciência e a auto-estima serão fundamentais, também, na
administração do meu tempo e conseqüentemente na minha produtividade em todos os
níveis. Um conceito interessante nos é trazido por Eckhart Tolle, em seu
livro “O Poder do Agora”. Nele, o autor distingue o “tempo do relógio” do “tempo
psicológico”. “Aprenda a usar o tempo nos aspectos práticos da sua vida –
podemos chamar de “tempo do relógio”, - mas retorne imediatamente para perceber
o momento presente, tão logo esses assuntos práticos tenham sido resolvidos.
Assim, não haverá acúmulo do “tempo psicológico”, que é a identificação com o
passado e a projeção compulsiva e contínua do futuro. ... O principal foco de
atenção das pessoas iluminadas é sempre o Agora... Continuam a usar o tempo do
relógio, mas estão livres do tempo psicológico. Esteja alerta quando praticar
isso, para que você, sem querer, não transforme o tempo do relógio em tempo
psicológico”. Administrar o tempo, a partir do equilíbrio dos papéis, pode
também ser comparado a um equilibrista de circo – foco e atenção serão
fundamentais nessa caminhada. Certa vez ouvi o Amyr Klink dar um depoimento
interessante em uma palestra. Dizia ele que antes de viajar para passar mais de
600 dias em seu barco, pediu ao caseiro que consertasse a luminária da varanda
(o caseiro foi a última pessoa que ele teve contato). Quando retornou,
curiosamente, foi a primeira pessoa que ele encontrou, no que prontamente o
caseiro disse: “Doutor, não deu tempo de consertar a luminária, mas na semana
que vem eu faço isso”. É claro que ouvimos muitos risos na platéia, mas fica
evidente que aquela máxima é absolutamente verdadeira: tempo é uma questão de
prioridade. Com a varinha mágica do equilíbrio entre papéis e à luz da
autoconsciência, poderíamos terminar com outro verso do poeta que está na
chamada do artigo: “Tempo, tempo, tempo és um dos deuses mais lindos”.
Autor: Antonio Amorim é Consultor Associado à Marcondes & Consultores Associados (SP).
Atualmente é Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos- ABRH-BA e Diretor da Universidade Internacional da Paz- UNIPAZ- BA, e possui 08 livros publicados, entre poesias, contos e artigos voltados para a área de consultoria. |