Aos Jovens Gerentes
A legislação brasileira consagra uma prática
que tem se demonstrado importante no relacionamento empregatício nacional: o
período de experiência por 60 dias. Afinal, qual a sua utilidade? Na maior
parte das vezes, após mútuo conhecimento, o funcionário e a empresa mantém o
contrato de trabalho. Entretanto, por parte do profissional, algumas recomendações
poderiam trazer maior tranqüilidade e relação menos estressante, na
continuidade contratual:
1.Seja você mesmo
As pessoas devem ter uma chance de se
conhecerem. Chefe e funcionário reagem de maneira parecida quando a questão
se refere a mudança de ambiente de trabalho: é uma seara nova que tende a
ser conhecida paulatinamente e nada melhor do que ser você mesmo o tempo
todo. Fazer uma boa entrevista conta ponto e pode impressionar quando alguns
truques são aplicados, mas a consistência na maneira de agir e pensar são
fundamentais para a organização e ... para a sua própria saúde mental. As
empresas não esperam que seus profissionais sejam "super-alguma-coisa"
o tempo todo. É muito freqüente a decepção gerada por profissionais que,
após o fatídico período e a efetivação, se revelam muito aquém do que
eram antes. As empresas querem gente, que pense, sinta, curta, chore, lute,
erre, acerte, enfim, viva com coragem.
2.Identificação dos reais valores da
organização
O profissional deve REALMENTE entender os
valores da organização para a qual trabalha. Isso significa não apenas ler
um manual de instruções belamente encadernado, mas sim IR ATRÁS dos traços
de valores. Isto pode ser obtido conversando com aqueles que embarcaram antes
na canoa, nos vários níveis hierárquicos. A grande roubada é confiar
apenas naquilo que estiver formalizado. Algumas vezes, as pessoas mais simples
nos transmitem, de maneira clara, aquilo que realmente é importante dentro
dos valores da organização. Afinal, a médio e longo prazos, isto é que
realmente vai importar para entender e prever as tendências e movimentos mais
importantes da organização. As empresas valorizam quem procura entendê-las
verdadeiramente.
3.O mundo não te odeia
Conviver num ambiente novo pode não ser fácil
para uma pessoa introvertida. Ela pode interpretar sinais de maneira incorreta
e se achar marginalizada pelas pessoas que trabalham na empresa. Viver em
comunidade nunca foi fácil e requer talento e adequada auto-estima e
auto-reflexão para que se possa dizer que temos uma pessoa equilibrada. O
importante é "dar uma chance" para as pessoas. Como é freqüente
aquela situação do profissional competente que vai substituir o funcionário
mais querido da organização e se sente completamente marginalizado pois as
pessoas aparentemente não aceitam que ele seja diferente do antecessor. O
maior problema acontece quando o novo funcionário se desespera e passa a ser
agressivo com os novos colegas, confirmando percepção "de que o
anterior era realmente muito melhor". As pessoas são únicas e, com o
tempo, a organização aprende e aceita mudanças.
4.Envolvimento pleno
O interesse por tudo o que acontece na
empresa é fundamental. Afinal, ninguém mais tem grande futuro apenas se
envolvendo com o seu mundinho departamental. Significa falar com a área de
vendas quando percebe que o produto não está na gôndola do supermercado,
comentar o comercial que foi veiculado antes da novela das oito, ou mesmo
procurar o RH para saber detalhes do profissional que está sendo requisitado
no quadro de avisos. As empresas valorizam as pessoas visivelmente
interessadas e não acomodadas.
5.Não ficar com o pé em duas canoas
Se existe uma coisa que prejudica o
posicionamento de um profissional dentro de uma empresa é a postura "pés
em duas canoas". Significa, em outras palavras, que o profissional deve
sinceramente se envolver com uma organização, ao menos, até decidir se ela
interessa ou não. Outras oportunidades podem surgir tentadoramente e não há
nada de errado em entendê-las; entretanto, existem momentos em que se deve
definir por uma alternativa e encerrar o assunto. Ficar com os pés nas duas
canoas significa uma postura oportunista que, quando percebida, provoca por
parte da organização uma reação bastante negativa, "queimando" o
profissional. As empresas cobram definições.
Depois de considerar tudo isto, na verdade só
falta uma coisa que, na verdade, 'é vital para o manutenção do relacionamento
contratual: será que é interessante para você continuar na empresa, em termos
de valores, perspectivas, experiências, remuneração, enfim, projeto de vida?
Em caso negativo, não espere os 60 dias, seja pró-ativo...
- Consultor - L A COSTACURTA
JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
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