Aprendendo A Aprender
APRENDENDO A APRENDER
Hipnose Aplicada à Educação
Sinopse
A redação desse artigo foi motivada pela
realização de uma palestra para profissionais de uma empresa que buscavam
conteúdos que pudessem demove-los de hábitos muito comuns. O texto
apresentado, além do conteúdo pretendido, é uma rápida demonstração de
como utilizarmos o pensamento divergente para treinar a mente a não concluir o
óbvio.
Contexto
Tecnicamente, os processos de condicionamentos
de comportamento ocorrem nos seres humanos após algumas repetições de
eventos, onde a quantidade de repetições necessárias para o aprendizado é
inversamente proporcional à intensidade emocional de cada experiência, isto é,
eventos muito marcantes podem ser apreendidos em uma ou duas estimulações,
enquanto casos pouco marcantes podem precisar várias repetições. A instalação
de uma forma divergente de pensar é, nesse artigo, bastante enfatizada com várias
conclusões sendo apresentadas fora da lógica de raciocínio convencional.
Artigo
Gosto muito de começar a desenvolver qualquer
seminário a partir da construção de um cenário, uma contextualização para
as percepções e experiências que se seguirão. Certa vez, iniciei uma
palestra sobre gerenciamento do estresse, elaborada para um grupo de jovens
empresários, com um l-o-n-g-o s-i-l-ê-n-c-i-o. Imaginem: estresse geral! Então
pude trabalhar in loco: seria uma experiência prática. Um dos participantes
abriu um jornal durante aquele silêncio. Secretamente me perguntei: "O que
esse senhor está fazendo aqui? Ele sabe administrar o estresse
interno...". E o que fazemos com a tensão externa? Essa é aquela que nos
mobiliza a tomar decisões e agir!
De outra feita, numa palestra sobre identidade
e auto-imagem, abri o evento dizendo que eu não era eu! Ou seja, eu não era o
palestrante que deveria estar lá. Era, sim, um amigo deste, era um palhaço de
profissão (um animador) avisado em cima da hora para ocupar o tempo daquela
palestra cujo palestrante estaria ausente. Imaginem! Decepção geral: então
pude lhes contar que tinha mentido e que qualquer frustração deve ser muito
bem planejada. Caso contrário, não saberíamos exatamente quando senti-la!
(Essa frase é de Richard Bandler, co-criador da Programação Neurolingüística.)
O que isso tem a ver com identidade? Pense bem.
Noutra ocasião, iniciei com a seguinte
consideração: "O que vocês sentiriam se eu afirmasse que tudo aquilo que
nós aprendemos até agora está errado? Não estou interessado no que pensariam
a meu respeito ou sobre a minha afirmação... Quero saber como se
sentiriam". Nesse panorama, de fato, lhes afirmei que não faria tal afirmação,
muito pelo contrário, minha afirmação é que tudo que aprendemos está certo.
Certamente dentro de alguns limites e contextos.
Finalmente, ou inicialmente, então, o assunto
tratado neste artigo depende essencialmente de uma forma de sentir e pensar na
qual seja possível que paradoxos coexistam. A pressão psíquica gerada por
essa convivência, nem sempre pacífica, de contradições em nossa consciência
é suficiente para estimular a nossa criatividade mais profunda. Assim, o tema
discutido pode ser vivenciado de forma mais real e integral. A hipnose utilizada
como ferramenta de aprendizagem e educação é, na minha experiência, um dos
mais potentes instrumentos para gerar "insights" e conhecimento, já
instalado no nível visceral.
Finalmente chegamos ao início. Um contraponto
ou abordagem comparada entre o modelo de Estados Alterados de Consciência em
Educação e o modelo das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner. Estou
certo de que qualquer palestrante que se arrisque por esses caminhos terá
assunto para dias de apresentações e debates. Na prática, como tempo e espaço
são limitados, prefiro trazer à pauta algo que se relacione com o tema, mas
que, ao mesmo tempo, seja diretamente aplicável em nosso cotidiano.
Até aqui você já percebeu que os cenários
iniciais talvez nem sempre digam respeito às discussões. Porém, eles servem
para nos provocar sentimentos e impressões úteis para o aprendizado profundo.
O modelo de Gardner é basicamente uma teoria sobre aprendizagem. Ele segmenta o
ser humano a partir das seguintes competências de aprendizagem ou inteligências
a serem desenvolvidas: Lingüística, Musical, Lógico- matemática, Espacial,
Corporal-cinestésica, inter-pessoal e intra-pessoal. Nesta nossa
"brincadeira", trabalharemos com três ou quatro delas (brincadeira,
sim! Você conhece padrões de concentração mais genuínos do que o estado de
atenção e percepção de uma criança brincando?). Pois bem, já introduzido
esse ambiente, é fácil perceber como fazemos uso de diferentes estados de
concentração, percepção, atenção, motivação etc. Um dia, dando uma
entrevista, tive oportunidade de, antecipadamente, conversar com a jornalista
para orientar-lhe sobre as melhores idéias a serem exploradas (considerando a
controvérsia desse campo de estudos). Nessa ocasião, ela explicou que tinha um
problema pessoal com a preguiça (ou, se preferir, procrastinação). Desviei o
assunto intencionalmente, sem que ela percebesse, e perguntei-lhe: "O que
você gosta de fazer?". Ela respondeu que gostava de dançar, desenhar,
viajar etc. Então perguntei-lhe se tinha preguiça de fazer essas coisas:
"Não, não, não!", respondeu ela. "Eureka":
"insight"!
Hipnose na Aprendizagem é a ciência de
despertar consciência em diferentes níveis de percepção e identidade.
Efetivamente, temos ouvido dos cientistas que só nos utilizamos de 10% de
nossas capacidades mentais. Alguns talvez afirmem que nos utilizamos dos 100%,
porém de uma forma muito pouco útil. Mas... pensamos quase 24 horas por dia.
Onde sobra tempo para nos utilizarmos melhor dos outros 90%? Fique feliz, então.
Dentro do modelo sofrológico (o antigo e desgraçado – sem graça – nome da
ciência da Hipnose), todas essas dimensões de nossa existência têm atividade
permanente, porém, para a maior parte das pessoas, fora da consciência normal
de vigília. O grande desafio é aprendermos a nos sintonizar com essas percepções.
Se você observar um eletroencefalograma, perceberá que existe, em cada
momento, uma onda dominante. Também coexistem outras de menor intensidade
(quase abafadas).
Retornemos. Numa oportunidade, perguntei,
durante uma palestra: "Quanto vocês utilizam, na prática, do conhecimento
aprendido na faculdade?". Gosto muito de números, minha formação acadêmica
inicial foi em ciências exatas. Portanto, gosto de fazer leilões de números
em meus cursos – simples estimativas. Para esta última pergunta, o maior número
que obtive foi 25%. Não me lembro com certeza. Então perguntei: "De cada
palestra ou seminário de atualização ou capacitação profissional a que
todos nós assistimos, quanto vocês, e-fe-ti-va-men-te colocam em prática?".
Nos leilões, o lance máximo foi de 20%. Bom, então... algo talvez esteja meio
esquisito. Com esse índice de aproveitamento, eu não teria coragem de
repreender meus filhos por tirar notas baixas na escola! Que contradição! E
debaixo do meu nariz!
Conforme contei, paradoxos, crises e contradições
são os conteúdos das Ciências dos Estados Alterados de Consciência em
Aprendizagem. Também são de qualquer processo de transformação. Dizem alguns
papas da administração que a única forma de sobreviver no caos é antecipar,
planejadamente, a crise! Os orientais, aliás, possuem uma grande habilidade de
administrar essas percepções – todos já ouvimos que, etimologicamente, o
ideograma chinês que representa o conceito de crise é o mesmo para o conceito
de oportunidade. Mais do que isso, paradoxais são a lógica e a estrutura do
pensamento deles.
Você sabe qual é a maior indústria
cinematográfica do planeta? Pasme: a indiana. Quase um bilhão de habitantes.
Responsáveis também pela, talvez, maior indústria de "softwares" do
planeta. Sabe qual é a língua mais falada no planeta? O chinês, em seus vários
dialetos: um bilhão e meio de habitantes! Talvez o maior mercado consumidor
ainda pouco explorado do planeta. Você sabe quanto tempo leva para completar
uma ligação telefônica com um desses dois países? Talvez 15 segundos, talvez
30 ou 60 segundos! Sabe qual é o principal tema para administrar a chamada
globalização? Para essa eu não tenho nenhuma resposta pronta. Mas, para
administrar a tensão decorrente de toda essa conversa, talvez: aprender,
apreender, criar e colocar em prática o mais rápido possível!
Conclusão
Embora esse não seja um texto descritivo do
assunto em questão, ele tem a finalidade de mostrar como podem ser organizadas
as informações com a finalidade de gerar o resultado proposto pelo título.
Enquanto um artigo pouco compromissado com os protocolos de comunicação
racional, ele também pode induzir o leitor a uma série de conclusões
aparentemente caóticas ou desconexas em relação ao conteúdo apresentado na
medida em que estimula um outro tipo de processamento de informações.
Autor: Walther Hermann / Instituto de Desenvolvimento do Potencial Humano |