Aprendizagem Organizacional
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As
organizações, em seu movimento de evolução de um estágio de pioneirismo, ou
sistematizado (estruturas básicas organizacionais) para estágios de integração
em rede ou voltadas para o serviço à comunidade, mostram uma transformação
significativa, abrangendo, prioritariamente três focos de desenvolvimento:
-
em
seus processos internos de comunicação, à medida que há uma absorção
mais efetiva de conhecimento, trocas e compartilhamentos de informações e
responsabilidades e uma forte ação negocial interna;
-
a
definição mais clara e objetiva das responsabilidades organizacionais,
onde os diversos níveis hierárquicos, de forma integrada permitem a
consecução dos objetivos realizada de forma mais produtiva;
-
a
transmissão e o comprometimento das equipes internas com o negócio da
organização, refletindo-se nos seus números – produtividade, nos padrões
de qualidade, absorvidos como premissa de trabalho e o conhecimento, por
parte de seus colaboradores do impacto causado por suas ações individuais
em seu trabalho e no ritmo de suas equipes.
Estas
organizações, ao identificarem a necessidade de mergulhar em um mundo de
aprendizagem, aprendendo com seus próprios erros, gerenciando o conhecimento e
os talentos disponíveis, passam a conviver com alguns sinais:
-
necessidade
reconhecida de informação, por parte dos indivíduos e das estruturas
internas;
-
um
clima de questionamento, por parte dos colaboradores em relação a
processos, sistemas e modelos de gestão;
-
uma
expectativa real de discussão dos problemas e das ocorrências manifestadas
na operação e na aplicação das estratégias;
-
disposição
para explicitar valores, crenças, missões para esclarecimento e consolidação
das percepções dos colaboradores internos;
-
valorização
e resgate das experiências vividas, com sua adequação ao presente, para
que se tornem recursos de aprendizado;
-
reflexões
sobre essas mesmas experiências, atualizando-as e submetendo-as a um
processo de contemporaneidade;
-
conscientização
de que o aprendizado faz parte do crescimento individual e do
desenvolvimento organizacional, de forma integrada;
-
inexistência
punição por se assumirem riscos;
-
compartilhamento
de conhecimentos, habilidades técnicas e criativas geradoras de novos
entendimentos e significados para a instituição e seu negócio;
-
através
de um processo de comunicação fluida e transparente, o clima interno
favorece a confiança, a credibilidade e a ética organizacional;
-
o
acesso à informação é difundido e democratizado, respeitados os limites
das ações estratégicas, fortalecendo-se a decodificação de dados, a
seleção de informações e a agregação de valores do conhecimento;
-
o
planejamento é entendido como um instrumento indispensável do processo
decisório e a mudança é sinal de oportunidade para crescimento e aperfeiçoamento;
-
o
espírito e a percepção crítica são recursos permanentes de trabalho.
As
habilidades necessárias decorrentes da identificação de incorporação de um
conceito de aprendizagem envolvem uma coerência com o ambiente de ação da
organização. Levando-se em conta que a busca do poder é constante, as
organizações devem encontrar seus caminhos, através do qual sua posição no
universo produtivo torna-se constante.
A
passagem por estes caminhos se faz de forma também evolutiva (assim como os estágios
e assim como os estilos dos indivíduos, em uma sociedade produtiva):
|
FORÇA
FÍSICA
Executar
Trabalhos
Mecânicos
|
HABILIDADE
FÍSICA
Trabalhar
de modo artesanal
|
SABER
COMO FAZER
Operar
máquinas
|
INOVAR
Reinventar
|
GERENCIAR
MUDANÇAS
E INOVAÇÃO
Gerir
o conhecimento
|
Fonte:
A evolução das sociedades e habilidades requeridas, RODRIGUES
y RODRIGUES, Martius Vinicius, Gestão Empresarial: Organizações que
aprendem. RJ: Qualitymark, 2002.
Todo
este esforço tem como finalidade despertar um conjunto de competências. Essas
competências permitem a organização associar, de forma eficaz, sua busca de
resultados e consolidação de seu poder produtivo aos estudos com o proposto
por Stephen Rhinesmith – a capacidade de gestão competitiva, a capacidade de
gestão da complexidade, a capacidade de gestão das incertezas, a capacidade de
gestão de equipes produtivas, a capacidade de gestão da adaptabilidade e da
flexibilidade e a capacidade de autogerenciamento dos indivíduos:
COMPETÊNCIAS
QUE GERENCIAM UMA EMPRESA
Fonte:
RODRIGUES y
RODRIGUES, Martius Vinicius, Gestão Empresarial: Organizações que
aprendem. RJ: Qualitymark, 2002.
Ao
assumir, portanto o perfil de uma organização de aprendizagem, as empresas –
não importa o seu segmento ou suas dimensões – diferenciam-se daquelas com
perfil funcional por meio de um conjunto de características, que as torna
singulares, e este sinal é o seu diferencial competitivo.
EASTERBY-SMITH,
Mark, BURGOYNE, John
& ARAUJO, Luis, Aprendizagem Organizacional e Organização de
Aprendizagem – Desenvolvimento na Teoria e na Prática. SP: Atlas, 2001.
Na
visão de Easterby-Smith:
"Organizações
desenvolvem novos produtos e serviços; aumentam produtividade; apresentam
moral mais alto, um clima melhorado de trabalho organizacional; experimentam
menor rotatividade de mão-de-obra; experimentam menos desperdício/sabotagem/erros;
experimentam desempenho financeiro melhorado; experimentam eficiência
aumentada e menos redundância (os funcionários percebem como cada cargo
contribui para o sucesso da organização); proporcionam um serviço mais
efetivo para clientes e consumidores e são capazes de mudar de maneira mais rápida".
O
quadro seguinte nos permite constatar significativas diferenças:
|
ORGANIZAÇÃO
FUNCIONAL
-
Os
empregados são o problema
-
Por
meio de uma visão individualizada e segmentada, as pessoas conhecem o
seu trabalho, e só ele.
-
Os
processos de mensuração são individuais
-
Se
há problemas no trabalho, mudam-se os empregados.
-
A
qualidade do trabalho é associada à qualidade do empregado.
-
O
relacionamento é hierarquizado e pouco flexível
|
|
ORGANIZAÇÃO
DE APRENDIZAGEM
-
Os
sistemas e os processos de trabalho constituem o problema.
-
As
pessoas envolvidas no trabalho têm consciência do sistema e do
contexto nos quais estão envolvidos.
-
Mensuram-se
os sistemas de trabalho, e através deles, o desempenho das pessoas.
-
Se
há problemas, revê-se o trabalho e seus processos.
-
Os
sistemas e os processos podem sempre ser melhorados, e por conseqüência,
os desempenhos.
-
A
hierarquia existe, mas o fluxo da comunicação interna não impede
as trocas de informações produtivas.
|
FONTE:
RODRIGUES y
RODRIGUES, Martius Vinicius, Gestão Empresarial: Organizações que
aprendem. RJ: Qualitymark, 2002
Estes
fatores levam a um outro indicador importante: exige-se, dos profissionais
incorporados às organizações de aprendizagem um conjunto de características
que permita uma ação, no mínimo eficiente, no desempenho de suas
responsabilidades internas neste tipo de empresa.
Estes
fatores, além de indicar seu potencial para a permanência produtiva no corpo
de colaboradores dessas organizações, permitem às lideranças internas
trabalhar áreas de carência ou oportunidades de desenvolvimento individual,
por meio de uma gestão de pessoas voltadas para o resultado e o crescimento.
Esta
gestão de pessoas, portanto, exige que os gestores abandonem os discursos
improdutivos e passem à ação efetiva, onde se descubram "a
existência de liberdade e autonomia das pessoas, a disponibilidade de recursos
financeiros de tempo para a organização das atividades, o encorajamento por
parte destes mesmos gestores, bem como o apoio de toda a organização para as ações
dos colaboradores e a formação das equipes tendo como base os estimuladores da
criatividade – a diversidade das expectativas – à formação diferenciada
de seus componentes".
COMPETÊNCIAS
BÁSICAS EM UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM
O
desenvolvimento de trabalhos junto às lideranças institucionais levou à criação
de um inventário através do qual identificam-se os graus de exigência, a
partir de modelos organizacionais, definidos pelas empresas, em relação à
contribuição de sua equipe para resultados, e seu potencial para novas
responsabilidades:
CONSCIÊNCIA
DO AMBIENTE PROFISSIONAL - o
nível de conhecimento que possui de sua contribuição e importância, no
contexto produtivo em que atua;
FLEXIBILIDADE,
ABERTURA A TERCEIROS - o
quanto se predispõe a ouvir os outros e aceitar suas idéias, sem reações ou
barreiras;
NIVEL
DE CETICISMO E INCONFORMISMO - nível
de não acomodação ou de contestação e discussão de idéias;
CAPACIDADE
CRIATIVA - competência
para gerar novas idéias ou sugestões que possam agregar algum tipo de valor ao
negócio ou rotina;
CONTRIBUIÇÃO
PRODUTIVA - qualidade
da contribuição, capaz de trazer algo possível de ser incorporado à
realidade de forma eficaz;
ORIGINALIDADE
DAS IDÉIAS PROPOSTAS - capacidade
de surpreender, no sentido de gerar alguma ação ou sugestão ainda não
pensada ou prevista;
AUTOCONFIANÇA
- capacidade de crença
em si próprio, seus valores, crenças e princípios de ação e pensamento;
CAPACIDADE
DE OPERACIONALIZAR IDÉIAS - competência
para passar da palavra a ação, sem perder substância;
PERSISTÊNCIA
- predisposição para
perseguir objetivos, com tenacidade e senso crítico suficientes para
estabelecer ritmo e consistência adequados;
AUTOAVALIAÇÃO
PERMANENTE - capacidade
de estar, de forma constante, revendo seus princípios, formas de ação e ritmo
para o alcance dos objetivos.
ANGELONI,
Maria Terezinha. Organizações do Conhecimento. RJ: Saraiva, 2002.
Este
conjunto de ações, de características e de perfis de atuação nas organizações
de aprendizagem, gera conseqüências, incentivadoras de produtividade e de
competitividade nos cenários contemporâneos:
CONSEQÜÊNCIAS
DA APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL
A
cooperação requer um mínimo de consenso;
A
satisfação baseia-se num mínimo de contentamento;
A
prosperidade requer um mínimo de afluência;
As
metas merecem um mínimo de convicção;
O
aperfeiçoamento depende de um mínimo de consistência;
A
sabedoria demanda um mínimo de racionalidade.
Fonte:
Hedberg, 1981:22, apud
EASTERBY-SMITH, Mark, BURGOYNE, John & ARAUJO, Luis, Aprendizagem
Organizacional e Organização de Aprendizagem – Desenvolvimento na Teoria e
na Prática. SP: Atlas, 2001.
Conclusão
Nas
organizações tradicionais, ou funcionais, adotando-se o termo da cultura do
aprendizado, em geral dos gestores "querem modificar o comportamento das
pessoas com as quais trabalham, em geral membros de equipes sobre as quais
respondem pelo resultado, ficam insatisfeitos com seus próprios resultados"
4, e tratam de administrar (nem sempre superar) a frustração e
esperam melhores resultados no futuro, sem nada modificar no presente (é
fundamental lembrar-se de Fred Polak, visão sem ação é um sonho).
Em
contrapartida, nas organizações de aprendizagem, os gestores "compreendem
que a única mudança deve ocorrer a partir de suas próprias auto-avaliações
e correções para o aperfeiçoamento, entendem que devem ter a percepção de
cada ato gera uma conseqüência e que ela deve ser prevista e faz parte de seu
perfil de eficácia eleger hábitos que melhor os conduzam para o resultado que
pretendem atingir" e com qual nível de qualidade .
Aprender,
portanto é um fenômeno que surge a partir do entendimento vivido em experiências,
com o objetivo de que não se repitam os erros, gerando um processo de capacitação
no presente para investimento futuro. Segundo Angeloni, a aprendizagem é "um
processo de mudança resultante de prática ou experiência anterior, que pode
manifestar-se em uma mudança perceptível de comportamento ou não".
ANGELONI,
Maria Terezinha. Organizações do Conhecimento. RJ: Saraiva, 2002.
A
conscientização da necessidade de transformarem-se as empresas em organizações
de aprendizagem pode estar sintetizada no pensamento de Charles Handy:
"Para
compreender o futuro, seja em organizações, em sociedades ou na sua própria
vida, assuma o controle dele, em vez de responder a ele"
.
Material
retirado do Programa Desenvolvimento das Competências do Executivo/ Gestor do Século
XXI.
FRANCISCO
BITTENCOURT
CONSULTOR
DO MVC
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