As empresas brasileiras estão cheias de gente morta
As empresas brasileiras estão
cheias de gente morta
Em muitas empresas, vemos cadáveres
ambulantes: gente que morreu e não sabe. O brilho dos olhos se foi, o fogo
apagou, a energia sumiu. Provavelmente já estiveram cheios de entusiasmo, mas
depois de tantas chicotadas, desistiram. Morreram por dentro mas não tem
coragem de assumir. Por mais infelizes que estejam, têm medo de arriscar e
serem felizes.
Algumas das coisas mais importantes nas nossas vidas só aprendemos pelo velho método
de tentativa e erro. Ou pela experiência, com o passar dos anos. Ou observando
os outros. Algumas pessoas aproveitam isso para crescer. Outras ficam
desmotivadas e se entregam.
Coisas como ser pai, mãe, um bom marido, ou esposa, amigo, chefe (agora a moda
é falar líder) e até mesmo vender se aprendem fazendo. Livros, revistas e
cursos ajudam, mas é como estudar teoria musical: o sujeito sabe tudo no papel,
mas não sabe que está desafinado. E leva o maior susto quando senta na frente
do piano de verdade para tocar. O som, que é o resultado final e justamente o
mais importante, ele não conhece nem compreende de verdade. Só vai entender
tocando e ouvindo.
A mesma coisa acontece com os filhos, relacionamentos amorosos, até mesmo
esportes. Por isso os campeões ficam tantas horas treinando. É para que os
atos se tornem quase mecânicos, mesmo nos menores detalhes. As situações são
reconhecidas automaticamente – não precisa pensar muito. É só bater o olho
para saber rapidamente o que está acontecendo.
Por isso também os pilotos de Fórmula 1 sempre dão uma ou duas voltas a pé
pelo circuito antes de largar para os treinos com o carro. Querem reconhecer
cada curva, as ondulações da pista, o comprimento das retas. Seria a mesma
coisa se olhassem um mapa com a descrição do circuito? É claro que não.
Mesmo depois, já no carro, as primeiras voltas são lentas. Em velocidade
segura, pode-se errar sem grandes problemas. Porque mesmo os grandes campeões
sabem que vão errar. Então o que fazem? Estudam o máximo possível e passam
horas analisando todos os detalhes, para quando chegar o grande momento as
chances de erro reduzirem-se drasticamente. E mesmo assim os erros acontecem.
Essa é a grande diferença dos vencedores: reconhecer que para ter sucesso é
preciso arriscar-se, e que o risco embute sempre a possibilidade do erro.
Decidir finalmente qual a melhor alternativa e agir. Uma vez que ‘o que’
fazer está decidido, o resto fica fácil – é só uma questão de ‘como’.
Porque o pior pecado que se pode cometer é errar por omissão. Por medo. Por
preguiça. Tem tanta gente que fica esperando a oportunidade ideal... e a
oportunidade ideal nunca surge. Simplesmente porque não existe. Acabam não
fazendo coisa alguma. E a vida passa. E acabam morrendo, de verdade, ou pior:
por dentro. Já nem sabem mais porque vivem
Na imensa maioria das vezes, é um erro maior ficar parado e não agir do que
tomar alguma decisão – mesmo que errada. Porque se estiver errada, vai ser fácil
descobrir e consertar. Além disso, pelo menos você estará no controle.
O que nos leva a outra característica do sucesso: já dizia um filósofo que as
pessoas de sucesso criam suas próprias oportunidades. Ou pelo menos enxergam
melhor as oportunidades disponíveis. Ao contrário dos perdedores, que sempre
acabam tendo que decidir entre situações sobre as quais não tem o mínimo
controle. E quem não tem controle sobre sua própria vida não tem nada. Por
mais dinheiro que tenha, quem não controla sua própria vida vai ser sempre
pobre.
Isso significa que qualquer pessoa, independentemente da profissão, formação,
sexo, religião ou raça, tem a grande liberdade de escolher sua própria
atitude perante a vida. Pode ser uma atitude corajosa, ambiciosa, disposta ao
risco calculado. Uma vida na qual você tem o controle. E se der certo ou
errado, foi o seu certo ou errado – não o dos outros.
Por outro lado, você pode escolher a vida segura. Tomar decisões sempre
buscando a certeza. Só dar um passo quando estiver tudo sob controle. Nunca
arriscar-se. Ser daquelas pessoas que confundem segurança com covardia.
Mas essa segurança toda é ilusória – pode acabar de um momento para outro.
Por mais que você tente controlar tudo, o universo é grande e complexo demais
para ser controlado. O que você fará quando perder o controle?
E quando chegar aos 60 anos e olhar para trás, o que vai pensar? Você já
ouviu falar de alguém que atingiu o sucesso sem se arriscar? Isso simplesmente
não existe.
Quem arrisca, e a palavra diz tudo, está correndo o risco. De errar,
certamente. Mas também de acertar! Se você considerar seus erros como
aprendizado, e seus acertos como vitórias, verá que em certos momentos da vida
você vai ter que se arriscar. Tanto pessoalmente quanto profissionalmente.
Resumindo de forma prática tudo o que foi dito até aqui: se você quer ter
sucesso, tem que se arriscar e aceitar seus próprios erros, aprendendo com
eles. Mas sem se desencorajar.
Da mesma forma, se uma empresa quiser ter sucesso, tem que aceitar erros de seus
funcionários. Um ambiente de trabalho onde qualquer deslize é castigado leva
fatalmente à acomodação, à falta de criatividade, à desmotivação. Se os
erros se repetirem, é claro que medidas devem ser tomadas. Mas como uma criança
que cai ao aprender a caminhar, erros só acontecem porque alguém fez alguma
coisa. Já pensou castigar uma criança toda vez que ela caísse? Teríamos uma
nação de adultos rastejando.
Quem não aceita erros vive preso num círculo vicioso de mediocridade e
desmotivação. Se a sua empresa é assim, faça alguma coisa! A vida é bela e
curta demais para passar a maior parte do seu tempo entre gente tão desmotivada
que parece morta. Como disse Mahatma Gandhi , "A verdadeira liberdade é a
liberdade de cometer erros". Então lembre-se dessa regra da vida: se
quiser acertar, arrisque-se, erre, aprenda e viva mais.
Raúl Candeloro,
é palestrante e editor da revista Técnicas de Venda®,
além de autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado
e responsável pelo site VendaMais®
www.vendamais.com.br
candelo@zaz.com.br |