As faces do sucesso
As
faces do sucesso
Há poucos dias estava apresentando a um grupo
um check list dos principais requisitos para as empresas terem sucesso.
Muitos fatores que constroem o “ser bem sucedido” estavam sendo detalhados e
discutidos. Um dos participantes provocou uma animada e produtiva discussão,
argumentando que havia muitas empresas bem sucedidas que tinham, por exemplo,
estilos de liderança autoritários, que enfatizavam a hierarquia ao invés do
trabalho em equipe e que tinham estruturas organizacionais que estimulavam a
segmentação ao invés da integração. Isto tudo se confrontava e desafiava o
que eu estava apresentando.
A conversa
acalorada nos conduziu à constatação de que tínhamos critérios diferentes
para definir o “sucesso” das empresas.
-
É claro que sucesso quer dizer faturamento,
patrimônio, crescimento, posição sólida de mercado, geração de lucro,
dizia enfaticamente o participante.
-
Concordo, dizia eu, mas temos que ampliar o nosso entendimento sobre o
que significa “sucesso”, que tende a ser visto apenas na ótica dos aspectos
mais visíveis e palpáveis: lucro, patrimônio, visibilidade. Sem dúvida esta
é uma das faces do sucesso, mas não é a única!
A competência de
uma empresa pode ser definida como “o conjunto de habilidades desenvolvidas
para oferecer continuamente produtos e serviços que encantam os clientes” (*).
Como se vê:
- Competência
não é dom divino. Todas as empresas podem (e devem) ser competentes e
investir nisto. Competência é fruto de um processo de desenvolvimento
- A
competência deve ser mostrada continuamente. Não adianta sermos
competentes ocasionalmente
- Os
produtos e serviços devem encantar o cliente, criando um momento mágico em
que se cria um elo forte e duradouro com o cliente
- A
competência é filha do conhecimento (saber fazer) com a motivação
(querer fazer)
Não podemos
confundir a busca do encantamento ao cliente, o fim, o objetivo, com os
indicadores deste encantamento, que vamos agora chamar de “as faces do
sucesso”
Para buscar,
assegurar e reforçar esta competência, este sucesso, três faces se
apresentam:
- A
busca de resultados de negócio = RESULTADOS
- A
criação de um clima interno motivador ao desempenho = PESSOAS
- A
abertura para a inovação e flexibilidade = INOVAÇÃO
Estas três faces,
Resultados, Pessoas e Inovação, quando tratadas de forma integrada,
constituem-se no verdadeiro sucesso empresarial.
Resultados
são imprescindíveis para assegurar a
sobrevivência e crescimento da empresa. Tem um aspecto numérico, tangível e
mensurável. Podem facilmente serem traduzidos em valores monetários. Estão
ligados a aspectos mais lógicos, do mundo da razão, medido pelo QI –
Quociente Intelectual
Pessoas
asseguram a saúde da organização, base para resultados (podemos assegurar
resultados contínuos em organizações “doentes”?) . Estão ligados a
aspectos tais como o preparo e treinamento, a motivação, a dedicação, o
comprometimento, o sentido de equipe, as comunicações adequadas. São medidas
pelo grau em que as expectativas individuais, setoriais e empresariais estão
alinhadas, bem como pelo grau de satisfação das pessoas que trabalham na
empresa. São aspectos mais emocionais, ligados ao QE – Quociente Emocional.
Cabe lembrar que com um QE baixo o QI não se manifesta!
Inovação
é a face que assegura a longevidade da empresa, é a capacidade de re-inventar
a empresa de tempos em tempos. O sentido de missão, valores, de ingressar com
confiança em campos pouco conhecidos, a coragem de errar, a criatividade, o
desapego do conhecido, da busca de significados. Esta dimensão se liga ao QS
– Quociente Espiritual, que dá significado a cada ação e gera a “indignação
santa” que provoca as mudanças e transformações necessárias. Se o QE de
alguma forma mede a adaptabilidade, o QS mede a força de transformação
Com esta ampliação
de visão, com a consciência destas três faces do sucesso, pudemos finalizar
nossa discussão de forma adequada, produtiva e harmoniosa.
*Gustavo
G. Boog
(*) Vide livro “O Desafio da Competência”, de Gustavo G. Boog, Editora Best
Seller, 6a. Edição |