AS MELHORES PRÁTICAS EM GERÊNCIA DE PROJETOS DE MUDANÇA
AS MELHORES PRÁTICAS EM GERÊNCIA
DE PROJETOS DE MUDANÇA
Gerenciar projetos de mudança
é um grande desafio. Não só porque se está durante todo o tempo lidando com
o fator humano, mas principalmente porque faz parte daqueles assuntos
caracterizados como pertencentes ao universo do conhecimento tácito, ou seja,
é difícil para as pessoas que detém o knowhow sobre a administração de
mudanças encontrar uma forma para explicitá-lo.
Cada vez mais as mudanças estão
presentes e isso é fácil de ser observado pela avalanche de empresas que vivem
a era da implementação dos softwares de gestão integrada (SAP–R/3, Oracle,
Datasus e outros), conhecidos como ERP-Enterprise Resource Planning. Eles trazem
à tona os desafios das mudanças dentro das organizações pois significam
transformações radicais nos processos, cultura, na forma de gestão dos negócios
e das informações.
De posse de uma pesquisa sobre
as melhores práticas de gerência de processos de mudança, adquirida no
exterior, vi-me diante de situações que eu mesma havia vivenciado em vários
projetos. Decidi compartilhar um resumo do relatório de forma a oferecer àqueles
que como eu vivem o constante desafio das mudanças, alguns dados que podem
auxiliar na reflexão sobre que variáveis são importantes quando se trata de
projetos de mudança.
A Pesquisa
A pesquisa foi realizada em
1997, envolvendo 100 organizações de 22 países, nos seis continentes. O
objetivo do estudo, realizado pela PosSci Consultant (empresa americana de
consultoria), foi descobrir quais as melhores práticas para gerenciar mudanças
e legitimar o patrocínio das mesmas.
Impacto nos Negócios
A maioria dos projetos
estudados impactaram processos de negócios, estruturas e gestão. Os
principais negócios relacionavam-se a (na ordem colocada):
- Serviços de Informações
- Produção
- Serviços de Saúde
- Desenvolvimento de Novos Produtos
- Finanças e Captação
- Recursos Humanos
Razões para Mudar
Redução de custos foi a
principal razão para as mudanças (em torno de 500 pessoas perderam seus
empregos, em 1/3 do total das empresas pesquisadas), seguida por intervenções
nos serviços a clientes e busca de maior competitividade. A distribuição está
assim apresentada:
- Mais de 50% das empresas participantes da
pesquisa implementaram mudanças radicais
- Mais de 90% implementaram processos que
cruzaram as fronteiras departamentais
- Quase 50% esperam (ainda em processo
final) que a mudança alcance toda a empresa
Fatores de Sucesso
Os participantes citaram o
envolvimento do "patrocinador" no processo de mudança como uma grande
contribuição para o seu sucesso. Outras contribuições incluem:
- Participação de todos os níveis da
organização
- Mudança física e utilização de novas
ferramentas- movimentos em direção a novas facilidades
- Forte pressão vinda de fora da organização
Obstáculos
- Resistência dos empregados
- Comportamentos gerenciais que não davam
suporte às mudanças
- Inadequados recursos orçamentários para
suportar as mudanças
Em mais de 70% dos projetos um
patrocinador executivo iniciou a mudança. Entretanto, metade dos projetos foram
delegados a níveis gerenciais mais baixos, e os executivos não eram mais
vistos como patrocinadores ou motivadores das mudanças. Essa delegação foi
citada como o erro número 1 em todo o processo de mudança . Entre os
cinco maiores erros cometidos pelos patrocinadores encontram-se:
- Não envolvimento direto com o projeto
- Não engajamento de todos os níveis
gerenciais
- Envio de sinais de comunicação
inconsistentes ou insuficientes
- Mudança prematura de foco ou de
prioridade durante o processo de mudança
- Não providência de recursos adequados
Atitudes Gerenciais mais
Efetivas
Foram listadas as atividades
exercidas pelos considerados "bons patrocinadores". Essas atitudes
incluem o envolvimento com a equipe do projeto, interação com gerentes
operacionais e outros de áreas a serem impactadas pelas mudanças. Além dessas
foram citadas:
- Comunicação aberta e consistente
- Mudança individual, própria, para
suportar a nova organização (o exemplo)
- Apoio a todos os níveis gerenciais
- Treinamento dos empregados na fase de pré-implementação
das mudanças
É importante citar que o relatório
coloca esses fatores de acordo com as diferentes fases do projeto.
O Que Poderia Ser Feito
Diferente Numa Outra Vez?
Além dos participantes da
pesquisa, essa pergunta foi feita para várias pessoas: algumas que trabalharam
nos processos de mudança, outras que foram afetadas por eles, e para executivos
e outros, a partir de amostra representativa. As principais respostas foram:
- Iniciar o projeto mais cedo
- Promover o treinamento gerencial adequado
à nova realidade
- Aumentar o envolvimento dos gerentes em
todos os níveis e em todas as fases do projeto
- Comunicar muito mais do que o que foi
feito
O Desafio da Comunicação
75% dos entrevistados afirmaram
que gostariam de ter informações sobre o projeto pelo menos uma vez por
semana. No que se refere aos processos de comunicação empregados, os métodos
citados como os que seriam mais efetivos foram:
- Comunicação direta, face a face
- Comunicação eletrônica atualizada
- Gerências de todos os níveis com informações
atualizadas pela equipe do projeto
- Apresentações feitas pelo CEO ou
gerentes senior, sistematicamente
A Equipe do Projeto
Com relação à equipe que
desenvolveu o projeto, a obtenção de reconhecimento e a liberdade para agir
foram as tarefas mais difíceis que tiveram que enfrentar, e estes foram vistos
pela equipe como os maiores obstáculos tanto à sua motivação quanto à
agilidade para tomar decisões. Segundo eles, seriam muito bem-vindos o
reconhecimento pessoal pelos gerentes imediatos e executivos de topo, e
recompensas vinculadas à implementação dos projetos ou à cada uma de suas
fases, além de maior autonomia.
Composição dos Projetos
Mais de 50% das equipes usaram
um ou mais consultores externos. Em 75% das equipes o consultor atuava como
facilitador do processo. Na maioria dos casos era um expert em
gerenciamento de mudanças, tendo como pré requisito a participação efetiva
na coordenação e implementação de outros processos de mudança, garantindo a
experiência para lidar com o técnico e comportamental necessários à mudança,
inclusive no que se refere à preparação, treinamento e capacitação das
equipes.
O que Esperar dos Consultores
Perguntados sobre a experiência
em trabalhar com consultores, as respostas foram as seguintes:
- A experiência dos consultores deve
ser relevante; eles têm que ser profissionais senior com muitos anos
de experiência executiva comprovada
- Postura, integridade e confiança são
muito importantes
- A disposição para transferir
conhecimentos é indispensável, assim como habilidades para oferecer
treinamento e para facilitar os relacionamentos durante o processo
- Ter conhecimento sobre os caminhos que
levam ao sucesso é essencial e a ampla experiência com relação a
isso é indispensável
Mais de 80% dos entrevistados
relataram que usariam consultores nos próximos projetos.
Conclusões
Aí está. Alguns de nós
acostumados a lidar e gerenciar projetos de mudança reconhecemos tudo que está
citado aqui, principalmente o que se refere a elementos facilitadores e obstáculos.
Proceder à análise de trajetórias, ainda durante o decorrer do processo, é
parte de uma metodologia de gerenciamento de projetos de mudança que deve ser
adotada, pois é de suma importância. Tal análise faz emergir pontos de muita
influência para o sucesso do projeto.
A análise da trajetória de um
projeto de mudança, ou seja, fatos e marcos do projeto,
possibilita o aprendizado através do caminho percorrido, adotando o processo de
gestão do conhecimento residente na organização e permitindo que a análise
retrospectiva venha a ser um dos métodos que garantirá o alcance dos objetivos
e efetivação das estratégias onde eles estão inseridos.
Por que se torna necessária
essa análise? Simplesmente porque é
muito fácil concordar com uma visão grandiosa, visão de futuro que todo
projeto contém, pois o diálogo interno que se passa em cada um é mais ou
menos o "ainda não estou vivendo lá, e tudo o que tenho a fazer e a
mudar está muito distante de mim, portanto, nada mal se concordar..". E
nisso muitos projetos perdem as suas chances de sobrevivência e sucesso.
Analisar a trajetória aproxima
os sonhos dos seus principais desafios, que são todas as transformações que
precisam realmente ser feitas para abandonar determinados processos, hábitos e
vícios organizacionais obsoletos, e adotar a mudança como o principal
compromisso para a construção cotidiana das organizações do futuro. Não só
da sua prosperidade, mas também da sua sobrevivência.
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