Business Writing
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O que o leitor precisa
saber?
Saber o que quer dizer é um
passo importante para quem deseja ser um redator de sucesso. Lembre-se: se as idéias
não estão suficientemente claras, espere um pouco até que amadureçam.
Não comece a escrever sem ter
claramente definido o objetivo de sua comunicação.
A pior coisa do mundo é deixar
para o leitor a difícil tarefa de se achar em meio a caminhos desencontrados, só
porque você não se organizou direito e, simplesmente, esqueceu de ensiná-lo a
encontrar a trilha certa para sair desse emaranhado de idéias aparentemente
desconexas. Todo esforço no sentido de fazê-lo não perder tempo será
recompensado. Em contrapartida, se o leitor percebe que você está divagando before
get to the point, o risco passa a ser enorme: o leitor renuncia à árdua
tarefa de decifrar o enigma – e, simplesmente, abandona o jogo – e pega uma
trilha secundária – ficando inteiramente perdido – ou então percorre o
caminho do jeito dele – e a compreensão fica aquém do resultado que você
gostaria de obter. Em todos os casos, a comunicação será sempre a maior
prejudicada. E comunicação equivocada significa desperdício de tempo e
dinheiro – e muito trabalho dobrado.
Se a folha de papel ou a
tela do Word persistem em continuar em branco, pergunte a si mesmo: o que
realmente eu
quero dizer?
Se você tem que informar,
informe; se tem que comunicar, comunique; se tem que avisar, avise. Mas, diga
isso no primeiro parágrafo.
Fuja dos abomináveis
tendo em vista que, ou considerando
que, aos quais,
invariavelmente, se segue muita delonga e conversa inútil.
Comece pelo fim e termine pelo
começo. Dê ao leitor a chance de decidir se deve ou não prosseguir a
caminhada.
Observe:
To : John
Porter
Cc : Ann Muller
Subject : Abono
de faltas.
Maryland,18 de
junho de 2005.
Senhor
Gerente,
Solicitamos abonar as faltas dos colaboradores
Leonardo Graça Mello e Rafael Kramer, que não puderam comparecer ao
Treinamento de Business Writing, realizado nos dias 26 e 27 de agosto, no
núcleo de MBA da Universidade José Saramago.
A ausência dos dois se deve à
não-liberação pela Gerência de Seguros, envolvida full-time no
processo de elaboração dos demonstrativos anuais da Companhia.
Estamos à inteira disposição
de V. S.ª para qualquer esclarecimento adicional que se fizer necessário.
Cordialmente
MAX GORDON
Gerente de RH
Claro que esse esquema se
aplica a textos de Business Writing, termo que engloba a geração de
cartas, e-mails, normas, procedimentos, relatórios e textos afins.
Evidentemente, o esquema
proposto não contempla outros tipos de produção textual.
Nas Fábulas, por
exemplo, a narrativa é forjada mediante a construção de diálogos, travados
entre personagens que representam uma alegoria do mundo real. Por meio do clássico
era uma vez,
o leitor será conduzido a um universo mágico de tapetes voadores e varinhas de
condão, onde bruxas e duendes, princesas, animais falantes e rainhas más
transitam entre palácios mágicos, florestas encantadas e casas feitas de doce
e de chocolate. A construção de sentido se dá, quando, ao final do texto, a
moral da estória, o dito esclarecedor, se revela. Há sempre um ensinamento a
ser percebido, um modelo de comportamento a ser seguido – e isso só pode
aparecer no final do texto.
O mesmo acontece, lato
sensu, na tragédia clássica, onde o
leitor/espectador será conduzido à catarse, estado de sublimação e purificação,
por meio do qual o autor dita um modelo de comportamento a ser observado, sem
restrições. Caso contrário, a punição será tão terrível quanto aquela
sofrida pelo infrator. É interessante notar o papel representado na tragédia
pelo coro, doze personagens conduzidas por um líder, denominado corifeu. O coro
interfere no curso dos acontecimentos, antecipa enigmaticamente o final da estória
e dá pistas sobre o que vai acontecer; o que só faz acentuar o clima de tensão
e aumentar o mistério.
Édipo mata o pai, Laio, e se
casa com a própria mãe, Jocasta – e sobre ele recairá a ira dos deuses. Seu
pior castigo será o de cegar os próprios olhos, para que não possa, nunca
mais, enxergar toda a maldade e destruição de que foi, inadvertidamente, o
causador. Édipo, Laio, Jocasta – e o espectador, é claro – desconhecem o
desfecho trágico de suas vidas. Mas o coro tudo sabe.
Nos romances policiais, o jogo
de esconde-esconde se repete. A fórmula de sucesso da magistral Agatha Christie
consiste em conseguir despistar o leitor, conduzindo-o, invariavelmente, a
caminhos que não vão a lugar algum.
Se a vítima é a mulher de um
marido violento – e muito ciumento – o mais provável é que o assassino
seja mesmo esse marido violento e ciumento.
O segredo é despistar o leitor
e desviá-lo da solução lógica e natural. De início, essa hipótese será
descartada, e o leitor será conduzido a trilhas que resultam em hipóteses
equivocadas. O cerne da discussão passa então a ser: qual dessas mulheres –
todas com motivos e razões mais que suficientes para odiar a vítima – teria
cometido o assassinato?
Quando, no final, a solução
do conflito acontece e se revela a verdadeira identidade do assassino, é inevitável
não vir à mente do leitor os seguintes pensamentos:
- Puxa vida! Estava o tempo
inteiro na minha cara e só eu é que não consegui ver.
- Mais uma vez a autora
conseguiu me enganar. Como é que ela sempre consegue isso?
Esses e outros esquemas
narrativos devem ser naturalmente descartados, se a proposta é a de se utilizar
o texto como ferramenta de comunicação para a gestão de negócios.
Se o leitor deseja saber qual a
melhor região para se instalar o novo call-center da Companhia, diga
isso a ele nos primeiros parágrafos de seu texto. Nos parágrafos seguintes,
fundamente sua opinião da forma mais objetiva possível. Apresente dados e
informações pertinentes; acrescente detalhes; construa gráficos, tabelas e
figuras ilustrativas; desenvolva argumentações favoráveis à sua proposta;
reserve espaço, nos anexos e notas de rodapé de página para informações
acessórias e recomende, ainda, as ações a serem executadas, caso sua proposta
seja acolhida pela direção.
Mas, diga logo ao leitor o que
ele precisa saber.
José
Paulo Moreira de Oliveira
Consultor
Sênior do Instituto MVC
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