Call Center - O Desafio De Ser Inteligente Emocionalmente
Numa destas idas
e vindas - Rio-São Paulo - estava conservando com uma profissional que
supervisiona um CALL CENTER de uma importante empresa. Ela falava de suas atuais
dificuldades e desafios. Seu depoimento reconhecia que as atuais tecnologias
disponíveis no mercado criaram inúmeras facilidades para um excelente
atendimento a clientes, mas que, no entanto, percebia como era difícil
convencer os gestores de que o sucesso deste negócio não dependia apenas de
implantar e treinar as pessoas para utilizar adequadamente tais tecnologias e
para um atendimento telefônico adequado. Tudo dependia, principalmente, da
necessidade de "treinar" - "educar" pessoas, no sentido de
desenvolver competências essenciais a este tipo de trabalho.
Em seu relato de situações típicas do dia-a-dia de um call-center,
identificamos que o sucesso ou o fracasso destas situações dependia do "maior"
ou "menor" coeficiente de INTELIGÊNCIA EMOCIONAL das pessoas
envolvidas. Como ainda fica difícil "treinar" os clientes para se
comportarem de forma mais adequada, temos mesmo é de preparar as pessoas para
lidar melhor com qualquer tipo de cliente e em quaisquer circunstâncias ,
buscando desenvolver as competências emocionais imprescindíveis a esta
atividade, a saber:
1.
AUTOCONHECIMENTO ou AUTOCONSCIÊNCIA - ou seja, a capacidade de
"conhecer" seus pontos fortes, reconhecer suas limitações e
dificuldades, e a partir disto, se gostar-auto-estima-e desenvolver um
sentimento de AUTOCONFIANÇA.
2. AUTOCONTROLE - é a capacidade de reconhecer - aceitar e lidar com
suas próprias emoções , mantendo seu equilíbrio emocional em situações
adversas. Enfatizamos, porém, que LIDAR com as emoções, não significa
reprimi-las - e muito menos negá-las, mas sim, "saber" exprimir as
emoções no momento oportuno, com as pessoas certas, e para isto, algumas
vezes, ter de "engolir sapos" temporariamente. O que não revolve
é ficar a vida toda "engolindo sapos", sem "digeri-los".
Quem trabalha com atendimento a clientes e, em especial, com reclamações, tem
de estar preparado para ouvir as agressões e entender a raiva do cliente, sem
levar para o lado pessoal. Isto é, agir como se fosse uma personagem que você
desempenha naquele momento , pois, não é a você que o cliente quer agredir,
mas a empresa que você representa. Não é fácil administrar a raiva, até
porque é um sentimento que negamos em nós mesmos, que aprendemos que é feio,
que é pecado. Mas existe, hoje, uma série de ferramentas que podemos utilizar
para manter o nosso autocontrole e prevenir o stress gerado por este tipo de
atividade.
3. AUTOMOTIVAÇÃO
- o termo é redundante, pois a motivação já é intrínseca ao indivíduo,
mas reforça a importância de que, se este trabalho não der oportunidade à
satisfação das necessidades físicas, sociais e psicológicas do indivíduo,
fica muito difícil sentir-se automotivado, pois somente esta capacidade faz com
que o profissional persista em seus objetivos, não desanime frente aos obstáculos
e aprenda com seus erros e com as situações adversas que a vida apresenta.
4. EMPATIA - é tão fundamental que considero ser a chave para os
problemas de relacionamento de qualquer natureza. Se, cada pessoa, antes de
AGIR, se colocasse no LUGAR DO OUTRO, reconhecendo as emoções dos
outros, aceitando-as e compreendendo-as, fazendo para o outro aquilo que
gostaria que fizessem com ela própria, ou, muitas vezes, não fazendo para os
outros aquilo que não gostaria que fizessem consigo. É um sentimento nobre e
muito pouco comum. Somos mais familiares à simpatia, à antipatia, e até à
apatia - à indiferença ou ausência de sentimentos - mas não temos o hábito
de sermos empáticos. E, atender pessoas sem empatia é excluir qualquer
possibilidade de dar certo.
5. SOCIABILIDADE - é a habilidade de relacionar-se com as pessoas, de
tratá-las com cortesia e adequadamente, de desenvolver afinidades, de trabalhar
em equipe. Esta , certamente, depende de todas as citadas anteriormente.
Estes principais
atributos da INTELIGÊNCIA EMOCIONAL acima citados estão relacionados a uma
série de outras habilidades e características que se fazem necessárias, das
quais já tratamos em outros artigos, como, por exemplo , a ASSERTIVIDADE.
De modo geral, os
profissionais que trabalham em CALL CENTER são pessoas muito jovens, sem muita
experiência de vida e profissional, e geralmente com baixo índice de
maturidade. Esperar que estas pessoas, que estão iniciando sua vida
profissional, estejam devidamente preparadas para enfrentarem certas situações
é utopia, ainda que, em alguns casos, os processos seletivos indiquem bom prognóstico
nestas funções. É preciso prepará-las e acompanhá-las, criando espaços
permanentes de discussão das experiências, de desabafo, de troca, de análise
do que deu certo e do que gerou insucesso. Enfim, é preciso criar, nas empresas
que prestam estes serviços, uma verdadeira organização de aprendizagem, onde
estas pessoas possam constantemente aprender com as experiências de todos e
possam desenvolver as suas competências emocionais.
Algumas ações de
treinamento e desenvolvimento podem contribuir para aumentar a eficácia deste s
serviços que hoje, por serem estratégicos, devem agregar grande valor aos
resultados do negócio.
- DENIZE
DUTRA
Consultora do Instituto MVC
|