CAPACITAÇÃO ORGANIZACIONAL EM NEGOCIAÇÃO
CAPACITAÇÃO ORGANIZACIONAL EM
NEGOCIAÇÃO
Desenvolvimento Organizacional e Negociação
Negociação: A Empresa e o Indivíduo
Negociação: Capacitação Organizacional
Normalmente, quando se busca capacitação em
negociação, pensa-se somente em capacitação individual. Alguns poucos, em
equipe e, raramente ou nunca, em capacitação organizacional. Isto tem sido
sempre assim em função de uma compreensão fragmentada da questão. Esta visão
pode se constituir em grave erro, pois a capacidade de uma empresa, em termos de
negociação, não depende apenas das capacidades individuais de seus
negociadores. Negociadores excelentes, mas com condições organizacionais
adversas, podem ter desempenhos medíocres e, o que é pior, serem
responsabilizados por um desempenho, cujo fator determinante foi a baixa
capacitação organizacional e não individual. É neste sentido que se faz
indispensável compreender o que venha a ser e qual a importância da capacitação
organizacional em negociação.
A capacitação organizacional de negociação
procura dar resposta à seguinte pergunta: quais são as condições necessárias
e suficientes para que negociações realizadas individualmente ou em equipe
tenham êxito?
Inicialmente devemos ter em mente que as
negociações podem ser relativas a aspectos estratégicos, táticos ou
operacionais. As negociações estratégicas são muito delicadas, isto porque
em geral, erros ao nível tático e operacional, mesmo que importem em sacrifícios,
podem ser assimilados. Já erros ao nível estratégico, podem levar a empresa
à falência. Assim, se as negociações ao nível estratégico forem mal
conduzidas e concluídas, por melhor que sejam os desempenhos nas negociações
táticas e operacionais, o resultado final, para a empresa, será extremamente
questionáveis. Portanto, a identificação dos vários níveis de negociação
e de suas importâncias relativas é o ponto de partida. É isto que proporciona
o conhecimento da energia e do montante de recursos a serem despendidos em cada
situação. As negociações ao nível estratégico, ou as de maior impacto ao nível
tático/operacional, devem ser identificadas e privilegiadas. E isto está de
acordo com um velho princípio de Peter Drucker: "Primeiro o mais
importante".
O ponto seguinte é entender que toda negociação
é um processo. Este processo comporta três momentos distintos. O momento que
antecede ao encontro com o outro negociador ou preparação, o contato
com o outro negociador, ou negociação propriamente dita e o pós
encontro ou implementação do acordo. Cada um destes momentos tem as
suas particularidades e necessidades específicas.
O sucesso de uma negociação começa com uma
boa preparação e, sem um bom banco de dados, isto se torna praticamente impossível.
Um banco de dados contém o histórico das negociações anteriores sobre os
aspectos técnico, econômico, financeiro e jurídico. Mas não se limita a
isto. Deve conter, igualmente, informações sobre a organização com qual se
está negociando, sua estrutura de decisão, seus decisores, os limites de
autoridade ou alçada, as pessoas relevantes para cada decisor, ou seja, o seu
eleitorado, as portas ou passagens, ou seja, as pessoas que encontraremos pelo
caminho até se chegar aos decisores. São igualmente relevantes informações
sobre crenças, estilos comportamentais, valores e até condições físicas dos
negociadores, bem como sobre a cultura organizacional. Para negociações
internacionais, deve haver informações sobre o país e particularidades que
possam afetar o desfecho da negociação.
O sistema de comunicação interna e de acesso
a dados é outro aspecto importante para uma boa preparação. É possível
saber e contatar rapidamente as pessoas que têm informações ou contribuições
relevantes? É possível acessar eficientemente os dados armazenados nos vários
setores, ou as informações estão em sistemas que não se comunicam? Existe
alguma padronização que facilite esta comunicação? Se não tivermos um
sistema de comunicação e informação rápido e eficiente, a preparação,
numa boa parte de casos, pode ficar comprometida.
Na negociação propriamente dita deve-se
estar representado em qualidade e quantidade de negociadores. A quantidade de
negociadores é determinada pelo vulto da negociação e pelas capacidades que
forem necessárias. Pode ser preciso domínio em assuntos de natureza muito
distintas como, por exemplo, técnicos, econômicos e jurídicos.
Mas isto só pode não bastar. Muitas
vezes, nas negociações mais demoradas ou mais relevantes, são necessárias as
equipes de apoio. Qual é o papel de uma equipe de apoio? A equipe de apoio
recebe as informações sobre o dia a dia da negociação para efetuar uma análise
detalhada dos acontecimentos e sugerir caminhos e alternativas. O esquema é
semelhante ao que acontece nos campeonatos internacionais de xadrez quando a
partida é suspensa. Os enxadristas vão descansar e seus assessores passam a
analisar o jogo, buscando identificar as várias possibilidades existentes.
Portanto, as equipes de apoio têm um papel extremamente relevante e, mais do
que isto, contribuem não apenas para que os negociadores tenham mais informações,
análises mais precisas e sugestões sobre os desdobramentos possíveis, mas
também, para que não sejam vitimados pelo estresse. Negociadores competentes
podem fracassar em função do desgaste físico e emocional.
O pós-negociação é outra parte muito
importante. Muitos negociadores fazem o acordo e se esquecem da sua implementação.
Muitas vezes, é neste pós-acordo que acontece o verdadeiro desfecho. Negociações
bem conduzidas podem redundar em tremendos fracassos, isto porque, o que é
implementado não tem nada a haver com o que ficou definido no acordo. Assim, há
quem prometa o que não pode cumprir, levando em conta a inexistência de
controle pelo outra parte, ou falta de comunicação entre quem fez o acordo e
quem vai implementá-lo. Portanto, uma negociação só deve ser considerada
como encerrada quando o acordo foi cumprido e não quando foi formalizado.
Uma vez que se entenda a fenomenologia da
negociação e considerando que negociação é meio para se alcançar os
objetivos organizacionais, devemos dimensionar o volume de negociações a serem
desenvolvidas e adotar um modelo representativo da organização, que leve em
consideração parâmetros tais como, liderança, processos, estrutura,
qualificação, apoio logístico, banco de dados, sistemas de comunicação e
informação, valores e crenças.
Mesmo que as negociações sejam
realizadas de forma descentralizada, por unidades de negócio ou resultado, a
capacitação organizacional demanda um acompanhamento global, através do
estabelecimento de indicadores de processo e resultado, que possam servir de
referencial para que se responda a seguinte pergunta: como é possível saber se
uma negociação foi boa para a empresa? E, a partir dai, aprender com as
negociações mais expressivas, bem como, com as que fracassaram e corrigir
desvios. É neste sentido que as chefias ou gerências, tem um papel essencial,
além do de coordenação de suas equipes. Devem ter condições para atuarem
como consultores de seus subordinados, ajudando na identificação e superação
contínua de seus problemas e, mais do que isto, contribuir ativamente para
transformar a empresa numa organização de aprendizagem.
Um outro ponto importante é o da metodologia
ou processo de negociação. Há empresas que, sem se dar conta, contratam
consultores das mais variadas tendências e linguagens, que muitas vezes tem até
orientações contrárias. Com isto não se forma uma massa crítica uniforme de
negociadores e de maneira alguma se contribui para existência da formação de
uma cultura de negociação. Quando há necessidade de uma equipe cujos
integrantes tenham estas diferentes formações e orientações a conseqüência
é conflito e enfraquecimento e os resultados podem ser desastrosos.
Um tipo de informação bastante relevante para
o processo de desenvolvimento da capacitação organizacional de negociação,
vem através do conhecimento da percepção que tem as pessoas que negociam com
a empresa, como os clientes, fornecedores e associados. Muitas suposições
podem ser validas ou desmentidas.
Com base em todo este conjunto de informações
e referenciais, temos condições de efetuar um diagnostico do que existe
atualmente e desenvolver um projeto visando identificar e construir o que
deveria existir. Quais as forças impulsionadoras. Quais as restritivas. Qual o
caminho a ser percorrido. Em geral, os projetos fracassam por que não foram
identificados estes conjuntos de forças e, na hora da implementação, surgem
uma série de surpresas negativas que poderiam ter sido perfeitamente previstas,
caso fossem levantadas todas as forças restritivas.
Hoje em dia, quando as empresas, mais do nunca,
precisam aproveitar as oportunidades com qualidade, velocidade e flexibilidade,
uma alta capacidade organizacional em negociação é imprescindível. Mas de
qualquer forma, deve-se entender que este processo de capacitação é dinâmico
e contínuo. Uma empresa não é capaz. Uma empresa está capaz.
JOSÉ A. WANDERLEY
CONSULTOR DO MVC – INSTITUTO
M. VIANNA COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Tel. (011) 285-2438 / 289-2799
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