Capital Espiritual
Capital
Espiritual (*)
Uma nova visão de
capitalismo e negócios está ingressando rapidamente na sociedade, deixando
cada vez mais evidente que é insustentável o foco imediatista do capitalismo
tradicional, em que valem apenas os
resultados financeiros e metas de venda do próximo trimestre, bem como as suas
hipóteses básicas sobre o ser humano, basicamente motivado por dinheiro e
essencialmente egoísta. As atividades de comércio e trocas tem mais de 40.000
anos, ao passo que o capitalismo tem 200 anos. Há algo a aprender com isto? O
lado positivo da globalização é que os negócios podem transcender os
governos, os políticos e as religiões. A globalização nos faz apreciar
melhor outras culturas, dando a chance de construir mais capital espiritual.
Existem três tipos
de capital nas organizações:
- Material:
basicamente patrimônio e dinheiro, assegurando os recursos físicos do
empreendimento
- Social:
indica quão felizes e seguros nos sentimos, levando a uma alta confiança e
qualidade de vida
- Espiritual:
representado pelo montante de significado, alinhamentos e de servir aos
clientes e globalmente aos seres humanos
Se avaliarmos as
crises pelas quais estamos passando, podemos resumi-las a uma crise de
significado, portanto uma crise espiritual.
Assim como há
diferentes tipos de capital, há também três tipos de inteligência:
- Material:
muito ligada à visão tradicional do QI – Quociente Intelectual
- Social:
ligada ao QE – Quociente Emocional, a habilidade de se adaptar às situações
diversas. Tem em Daniel Goleman seu principal disseminador. Sem o QE você não
pode usar bem seu QI.
- Espiritual:
é o QS, ligado a nossa
necessidade de significado, de propósitos reais e valores mais elevados,
que são as questões fundamentais da vida. Quando não temos significado, nós
ficamos doentes. O QS integra o QE e o QI, sendo a fundação necessária
para o funcionamento eficiente da inteligência intelectual e emocional.
Quais são as
qualidades da inteligência espiritual?
1)
Auto – consciência – sei quem sou? O que quero? Pelo que
quero morrer? Por que gosto e não gosto? Tenho tempo para refletir sobre isto?
É saber que nosso self é maior que nosso ego.
2)
Motivação por visão e valores – ir além de nossos interesses
e de nossa família. É praticar o idealismo que transforma o mundo
3)
Capacidade de lidar com adversidades – quão bons somos em
transformar as dores em aprendizagem? Nos Estados Unidos (e também no Brasil) não
se gosta de falhas, de erros, e há o pressuposto de que tudo pode ser
consertado, que tudo deve ser rápido e fácil. As adversidades questionam isto.
4)
Ser holístico – capacidade de ver a conexão entre fatos, idéias,
locais e épocas, é o inverso de colocar cada coisa em um compartimento
separado e estanque. É o interessar-se por tudo, num mundo em que a educação
é voltada à acumulação de conhecimentos e não às conexões entre as matérias.
Isto também é feito no mundo do trabalho, quando se diz: Faça apenas o seu
trabalho!
5)
Celebração da diversidade – é ir além de uma % de minorias
em nossa empresa e de ter tolerância aos “diferentes”. Celebrar a
diversidade é reconhecer que você é diferente de mim, que você tem um histórico
familiar e profissional baseado em outros fundamentos, assim como a tua religião
é outra, e agradecer a Deus por isto, pois você me faz confrontar e me induz a
re-avaliar minhas formas de ser, de pensar e de agir
6)
Acreditar no que faz – é ter a coragem de defender nossos
pontos de vista, em qualquer situação
7)
Por que devo fazer isto? – é ter a insistência de uma criança
de 4 anos de idade que pergunta “por que?”. Por que não posso fazer
diferente? É preciso questionar o sistema, o jeito com que as coisas sempre
foram feitas. As perguntas abrem, ao passo que as respostas fecham
8)
Habilidade de conter-se – sempre que vemos o quadro maior
devemos equilibrar nossos desejos e aspirações individuais com os do todo
9)
Espontaneidade – é a habilidade de responder com o coração
para quem está à nossa frente, sem preconceitos. É também assumir nossa
responsabilidade pessoal, não se colocando como vítima ou colocando a culpa
nos outros pelo que nos acontece
10)
Compaixão – é o sofrer com, é curar a alegria e dor dos
outros, é estender a compaixão a todo o Universo. É o reconhecimento de que nós
sempre existimos, desde o Big Bang, que dentro de nosso cérebro e corpo estão
o DNA e a história inteira da humanidade
Quando vemos estas
qualidades da inteligência espiritual, podemos perguntar: não são estas as
competências essenciais em nossas organizações?
O papel das
empresas é nutrir e abrir espaço para as pessoas usarem as suas inteligências
espirituais, possibilitando assim o surgimento do “ser humano”, realizando
desta forma os capitais materiais, sociais e espirituais.
Danah encerra
dizendo que se ela puder deixar uma única e simples mensagem para nutrir a
experiência espiritual, esta é “fazer perguntas, perguntar sempre o por
que?”
(*) Transcrição
de anotações da palestra de Danah Zohar e observações de Gustavo G. Boog |