Coaching Muda O Estilo Do Gerente
Temos
procurado levar às empresas um novo estilo de gerenciamento: o coaching.
Neste novo paradigma o gerente substitui o seu papel de "puxador" da
equipe (por estar sempre à frente), pelo de retaguarda. Troca alguns verbos,
como "cobrar", "pressionar" e "punir", por outros,
mais softs, como "orientar", "educar" e "energizar".
Tudo de forma personalizada, respeitando as individualidades de cada um.
O
gerenciamento coach simboliza na empresa o início de uma
transformação radical: a saída de um sistema taylorista de administração,
à base da tarefa, para movimentos revolucionários do ponto de vista de
administração, nos quais as equipes autogerenciadas são a maior expressão. O
gerente coach precisa desenvolver habilidades às quais não estava
acostumado, como aprender a ouvir os subordinados e a compartilhar o poder.
Os
obstáculos a este tipo de gerenciamento são típicos de processos de transição:
nos primeiros momentos, caos, incertezas, inseguranças e medos. Num segundo
momento, os protagonistas percebem que as coisas não são tão ruins como
imaginavam. Só num terceiro momento é que as pessoas terão clareza dos
resultados favoráveis: o que vai garantir o sucesso de um gerente é a satisfação
que todos sentem com o trabalho que ele está prestando.
"Empresas
que mudam sistemas, sem alterar relação dos gerentes com as equipes, obtêm
resultados pífios".
O
que é gerenciamento coach?
Coach
significa treinador/orientador. Este conceito de coach entra nas empresas
simbolizando a transformação do gerente tradicional, em seu papel de puxar e
estar à frente de sua equipe, par um novo papel: o de se colocar na retaguarda;
assim ele tem melhor condição de orientar o time: percebe os que estão em
posição de desvantagem, dá direção quando necessário educa e energiza.
As
empresas atuam hoje premidas por clientes cada vez mais exigentes em termos de
preço e qualidade e por uma concorrência cada vez mais acirrada, não há espaço
para modelos tradicionais de gerenciamento. O diferencial competitivo propiciado
pelas pessoas torna-se uma realidade cada vez mais evidente. O bom planejamento,
as tecnologias avançadas ou as campanhas publicitárias eficientes, por si, não
garantem o sucesso às organizações, aos seus produtos e serviços, se não
houver a contribuição das pessoas educadas, capacitadas, criativas, inovadoras
e cooperativas.
Empresas
que adotam programas de qualidade baseados na ISO 9000 trabalham nessa direção?
Muitas
delas modificam o sistema e percebem mais tarde que, se não mudarem a atitude
dos gerentes e a forma como eles se relacionam com suas equipes, o resultado será
muito pífio em relação aos investimentos e esforços realizados. Se não
trabalharem as lideranças em uma linha mais inspiradora e educadora, as coisas
terminam caindo no vácuo.
Habilidades
necessárias à prática do coaching
As
habilidades para a prática do coaching primeiro passam pela criação de
um ambiente de confiança, satisfação e auto-estima, condições básicas para
a aprendizagem.
Outra
habilidade necessária é de comunicar-se em mão dupla: o gerente precisa levar
as informações necessárias ao seu pessoal, mas, sobretudo, precisa ouvir.
Estamos procurando despertar em nossos gerentes a capacidade de ouvir, porque,
no sistema tradicional, nosso gerente foi educado para falar e não para ouvir.
É
importante também que o gerente esteja atento ao desenvolvimento de novas
habilidades na própria equipe, criando oportunidades em rodízios de funções,
cursos e mecanismos de aperfeiçoamento técnico de seus integrantes.
Outra
habilidade é a de dar o exemplo – ser o modelo em sua equipe -, prática para
a qual o gerente tradicional não está educado.
Nesse
sentido, é preciso educar os gerentes para aprimorar a relação interpessoal e
compartilhar poder. No sistema de gerenciamento coach, por estar na
retaguarda, o gerente não tem mais o poder em si próprio (como no modelo
tradicional), mas na sua equipe e na qualidade das informações e dos
conhecimentos que ela detém. E essa transição é muito difícil para o
gerente.
Obstáculos
para o gerenciamento coach
O
primeiro obstáculo é o medo. O medo que o gerente tem de transitar de uma
situação conhecida e confortável – ele foi educado e treinado para dizer
aos outros, em mínimos detalhes, o que eles tinham de fazer – para um sistema
cuja fonte de poder está na própria equipe, porque estamos falando até de
equipes autogerenciadas. Nesse sentido, os principais obstáculos vivenciados
pelos gerentes são: o medo da perda do poder e uma diminuição da auto-estima.
Da parte das equipes, o obstáculo maior é a sua própria imaturidade, já que
nem sempre foram educadas e treinadas para trabalhar em times autogerenciados.
O
gerente também encontra dificuldade em visualizar claramente o seu próprio
encarreiramento. Saindo de uma situação na qual o encarreiramento era vertical
para atuar no ambiente de trabalho em equipes, com times interconectados, ele
pergunta: como é que fica agora? Como se cresce dentro de uma organização na
qual o que vale são as equipes e os times?
Os
obstáculos são típicos dos processos de transição, marcados nos primeiros
momentos por caos, incertezas, inseguranças e medos. Depois, vem um momento em
que as pessoas vão percebendo que as coisas não são tão ruins como
imaginavam antes. Só num terceiro momento é que elas passam a ver claramente
resultados favoráveis: o que vai garantir o sucesso de um gerente é a satisfação
que os clientes sentem com o trabalho que ele está prestando – o serviço de
qualidade.
Um
obstáculo muito forte também é a própria cultura da organização. Nesse
sentido, algumas transformações são necessárias, como por exemplo, rever o
estilo gerencial de uma forma geral da organização, retirando os componentes
autoritários de sua cultura.
Como
estão sendo implantadas as equipes autogerenciáveis nas empresas?
Hoje,
para atender aos requisitos do cliente, a empresa não pode mais manter o
trabalho à base da tarefa. A equipe é a forma de você estimular o potencial
das pessoas. A empresa precisa estabelecer muito claramente qual é a direção,
qual é o projeto, quais são as metas, qual o orçamento, quais são os parâmetros
para desenvolver o trabalho e deixar que a equipe faça tudo acontecer. Qual é
o papel da chefia nesse novo ambiente? Treinar os trabalhadores para que eles
possam atuar em equipes, dar lhes a direção e orientação, bem como facilitar
os processos (porque há coisas que dependem de orientação formal da empresa).
Enfim, os gerentes vão exercer um outro papel diferente daquele que exerciam
antes. As equipes vão fazendo, trabalhando – em muitas empresas, elas
recrutam, selecionam, definem dentro delas quem vai receber o bônus.
O
gerente deve se preparar para o papel de educador
Antes
de ensinar é preciso saber fazer. O gerente deve estar muito preocupado com o
seu próprio desenvolvimento: não dá mais para ficar aguardando a área de
treinamento dizer que curso ele tem de fazer.
O
gerente tem de estar atento a esta questão: as mudanças no mundo, nas pessoas
e nas empresas requerem um novo perfil e uma nova postura. Para exercer
corretamente o novo papel que lhe cabe, ele deve desenvolver novas habilidades.
Precisa descobrir, por exemplo, como ocorre o processo de aprendizagem – como
é que as pessoas aprendem, como ele pode criar algumas situações de
aprendizagem, como fazer de uma simples reunião um momento de aprendizagem,
como adotar algumas técnicas de treinamento e de desenvolvimento de novas
habilidades no próprio local de trabalho.
Quando
falamos em treinador/orientador sempre nos vem à lembrança o professor. Mas não
é isso: é você exercer esse trabalho diariamente, transformando todas as
situações cotidianas de seu trabalho em situações de aprendizagem. Uma reunião
de planejamento com o seu grupo, por exemplo, pode ser um momento de
aprendizagem. É um momento em que você colocará para o seu grupo as suas
metas, as condições e o significado daquele trabalho, dando oportunidade para
que as pessoas tragam as suas idéias, respeitando o ritmo das pessoas, as
características individuais de cada um, estimulando a criatividade. São coisas
às quais não estamos acostumados, mas é um esforço que todos precisamos nos
dedicar. Acho também que compete às organizações propiciar treinamento para
preparar o gerente a modelar o perfil e a exercer este papel. Mas sobretudo
compete a ele, como profissional, estar atento a esses imperativos dos tempos
atuais.
Empresas
& Tendências –Como se dá a implantação do sistema coaching?
Para
implantar um sistema como este, a primeira exigência é a alta direção da
empresa estar envolvida nesse programa.
Segundo:
precisa haver uma disseminação desses conceitos na empresa. O que significa
trabalharmos em um sistema de coaching? Que implicações isso tem para nós?
Nesse sentido, a leitura de textos sobre o tema ou realização de seminários
com pessoas que já estejam trabalhando com esse sistema pode ajudar a empresa a
compreendê-lo.
O
terceiro passo é definir o perfil coach desejado. Nós, como organização,
que valores imaginamos como norteadores de atitudes e comportamentos de nossos
gerentes? O que nós imaginamos como postura ideal de um gerente coach?
Um outro passo seria ter um mapeamento do perfil dos gerentes da empresa. Por
exemplo: nós somos 100 gerentes. Como estamos em relação a esse perfil? Você
vai encontrar três tipos de gerentes. Há gerentes que já estão exercendo
esse papel de coach o tempo todo, pelas próprias características dele.
Outros têm muito boa vontade, mas não sabem como fazer isso. E há um terceiro
tipo, sem vocação para esse papel de educador, treinador ou orientador.
A
partir daí, começaria o treinamento do gerente nessa direção, inclusive
nessas habilidades e atitudes que nós definimos como ideais. Se uma habilidade
que precisamos desenvolver mais nos gerentes for de ouvir, então vamos treinar
o gerente nisso. Vamos desenvolver um treinamento intensivo nessa direção
porque as pessoas não foram educadas para isso. Uma outra providência
importante é você, simultaneamente, implantar isso com o próprio projeto de
equipes – você vai trabalhando os gerentes e trabalhando ao mesmo tempo a
criação de times, até para ele ter onde atuar.
Depois
disso, você tem de fazer um follow-up, porque as pessoas tendem a voltar
para o seu status inicial que, por ser o conhecido por elas, é o mais cômodo.
Mas, sobretudo, neste processo, é preciso haver muita comunicação, muita
disseminação desses conceitos, muita abertura para que as pessoas tenham a
oportunidade de tentar, errar, voltar e descobrir por conta própria novos
caminhos. Não é só treinamento – treinar é você colocar o indivíduo
diante de uma informação. É o processo de educação e aprendizagem: a
oportunidade de você criar por conta própria situações novas e experimentais
– o erro sendo entendido como oportunidade de você estar aprendendo.
AFONSO SOUZA
Consultor
Sênior do Instituto MVC
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