Como Ler
Como Ler
Eu costumo recomendar que a velocidade da
leitura deve estar em razão inversa com a nossa compreensão do que estamos
lendo. Em outras palavras, quanto menos entendermos, mais rápido devemos ler.
Esta é uma recomendação freqüentemente
encarada com desconfiança. Mas como, devemos ler mais rápido se não
entendermos bem o texto? Exatamente. Agora deixem-me explicar a razão desta
orientação.
Quando não estamos entendendo algo que lemos,
reduzimos a nossa velocidade de leitura, abrimos mais os olhos, não piscamos,
contraimos os ombros, tudo no intuito de prestar mais atenção.
Ao reduzirmos a nossa velocidade de leitura
estamos fornecendo ao nosso cérebro uma quantidade de informação inferior à
que é capaz de processar. A tendência natural é divagarmos e começarmos a
pensar em outras coisas. Este é um processo que não podemos controlar. Tente não
pensar em alguma coisa, por exemplo, o Pão de Açúcar no Rio de Janeiro.
Conseguiu? Certamente que não.
As nossas tentativas de focar a atenção
reduzindo a velocidade raramente produzem resultados. Ao lermos mais devagar
perdemos a visão do todo. Impedimos o nosso cérebro de ativar os conhecimentos
relacionados, que adquirimos de diversas formas ao longo de nossa vida. Este
conhecimento prévio nos ajudar a esclarecer os conceitos contidos no texto que
estamos lendo. Apenas quem voa em um avião consegue ver os contornos de uma
cidade. Dificilmente quem vive olhando para o chão conseguirá obter uma visão
mais ampla.
Abrir mais os olhos não aumenta a nossa
capacidade de visão. Muito pelo contrário. Estas atitudes podem inclusive
conduzir a uma deterioração dos órgãos visuais (ver referências) Nossos
olhos são capazes de focar a atenção apenas em pequenas áreas. A visão mais
ampla é obtida através de uma contínua movimentação dos olhos. Olhar
fixamente para algo, sem piscar, priva os olhos de mecanismos naturais de proteção
e funcionamento. Ao piscarmos menos privamos os olhos da lubrificação de que
tanto necessitam.
Todos estes fatores conduzem a uma situação
de estresse e cansaço, e mais do que tudo, nos priva do prazer que toda experiência
de aprendizado deve trazer consigo. Dificilmente alguém conseguirá se envolver
por períodos prolongados de tempo estudando algo que lhe traz tanto desprazer.
A compreensão de informação nova depende de
diversos fatores. O conhecimento prévio do assunto melhora a nossa compreensão
de textos novos através do estabelecimento de relações entre o novo e o
velho.
Ler mais rápido nos impede de adotar estas
posturas desgastantes e danosas à nossa saúde e nos permite ver o assunto de
forma mais ampla. Leituras subseqüentes vão nos fornecer mais e mais indícios
que nos permitirão alcançar gradativamente uma melhor compreensão.
Ao lermos textos em outro idioma (e mesmo em
nosso idioma nativo), dificilmente obtemos uma compreensão integral. Esta
compreensão integral raras vezes também é necessária. Ao lermos algo sempre
temos um objetivo em mente. A medida do sucesso não é a compreensão integral,
palavra a palavra, mas sim conseguirmos obter do texto as informações que
necessitamos. Se entendermos apenas 10% de um texto, mas mesmo assim
conseguirmos obter a informação que buscamos, o sucesso é total.
Nunca devemos também nos esquecer que o
aprendizado de um idioma é um processo. Se a nossa forma de estudo é tediosa,
dolorosa e sem atrativos, dificilmente conseguiremos prosseguir.
Neste processo de aprendizado devemos fazer
algo TODOS os dias, mesmo que por apenas alguns minutos. O tempo passa, e cada
vez mais rápido. Mesmo que estudemos apenas cinco minutos por dia, ao final de
um ano os resultados são bastante palpáveis. Se não fizermos nada não
teremos chegado a lugar nenhum e o ano terá se passado da mesma forma.
Lembre-se sempre destes pontos. E se não
estiver entendendo muito bem, leia mais rápido.
Referências
A seguir listo algumas referências sobre o Método
do Dr. Bates, médico americano que desenvolveu um método de melhoria da visão
extremamente interessante, porém praticamente esquecido nos dias de hoje. Os
ensinamentos do Dr. Bates me influenciaram profundamente e são base para muitos
dos conhecimentos que tento transmitir em minhas aulas.
Eu particularmente tenho um relato bem
interessante sobre o assunto. Muitos anos atrás, ao ministrar um curso sobre a
Internet, estava explicando o funcionamento dos Usenet News Groups. Como
os alunos eram da área médica, eu entrei em um grupo de discussão sobre
medicina. Neste grupo, havia um pedido de uma pessoa, dos Estados Unidos, que
buscava informações sobre o método do Dr. Bates e indicações de livros.
Esta pessoa, segundo seu relato, estava quase cega e procurando ajuda fora dos círculos
médicos tradicionais.
Eu já havia lido os livros do Dr. Bates e de
Aldous Huxley e forneci as indicações solicitadas. Esqueci o assunto. Depois
de seis meses, para minha surpresa, eu recebi uma mensagem de agradecimento
desta mesma pessoa relatando que havia conseguido uma melhoria espantosa em sua
visão, apenas seguindo o método.
- Perfect
Sight Without Glasses
Escrito pelo Dr. William Bates, e publicado em 1943, esta obra nos fornece
informações valiosas sobre a reeducação visual. Praticamente esquecido
nos dias de hoje, o método do Dr. Bates chegou a ser empregado com sucesso
por muitos anos nas escolas americanas. Este livro encontra-se disponível
na íntegra na Internet.
- The Art of Seeing
Este livro, escrito por Aldous Huxley, oferece um relato pessoal do método
do Dr. Bates e seu sucesso. Aldous Huxley chegou a ficar praticamente cego
após uma doença em sua adolescência e conseguiu uma recuperação
espantosa seguindo este método. Seu livro relata diversos exercícios e
explica o método do Dr. Bates de forma bastante clara e atraente. O site da
Amazon,
fornece uma grande quantidade de informação sobre o livro e opinião de
diversos leitores.
- Veja
sem Óculos: Como Melhorar Sua Visão Naturalmente
Não conheço este trabalho, mas é o único livro sobre o assunto traduzido
para o Português.
- Bibliografia
sobre o Método Bates
Lista comentada sobre a bibliografia disponível sobre o assunto.
Autor: Rubens Queiroz de Almeida |