Como lidar com um chefe autocrático (sem ficar com úlceras...)
Como lidar com um chefe
autocrático (sem ficar com úlceras...)
Ficar subordinado a uma chefia com traços
centralizadores e esmagadores da auto- estima não é tarefa fácil. Apesar
deste tipo de liderança estar com os dias contados, é ainda muito comum nós
nos depararmos com este autêntico representante de paradigmas superados. Neste
contexto é inevitável a pergunta: como lidar com um chefe assim ? Como mudar
esta pessoa ? Ao se discutir formas mais flexíveis de liderar, surge a
"pedra no caminho" : o chefe "linha dura". Como agir ?
Bem, em primeiro lugar, lembrar-se sempre que
você não tem poder de mudar o seu chefe (aliás, nós não temos poder de
mudar ninguém ...). O que nós temos poder é de apoiar e estimular mudanças,
mas nunca de mudar. Em segundo lugar, é bom ter a consciência de que
você está em desvantagem nesta relação. O chefe tem usualmente poder de vida
e morte sobre os subordinados, e "cutucar a onça com vara curta" pode
ser fatal. Para lidar com um chefe assim é preciso ter um plano de ação
e não reações emocionais a esta situação.
Algumas sugestões práticas:
1. Vale a pena ingressar neste
projeto de "estimular as mudanças" na chefia ?
Para isto, temos que avaliar nossas ações
x o que queremos atingir. Se, por exemplo, tenho planos e possibilidades
concretas de ser transferido, promovido ou até sair da empresa, talvez uma
abordagem de mudança não seja a mais adequada. Mas, se você aposta na sua
empresa e na área onde está situado, ai sim vale a pena "encarar"
este projeto.
Outro ponto é avaliar se o chefe tem condições
mínimas de aceitar "estímulos de mudança". Apesar do potencial
inato de mudanças de todas as pessoas, muitas vezes na posição de subordinado
não temos condições de apoiar uma mudança. Muitas vezes o chefe simplesmente
não quer mudar.
2. Conquiste credibilidade demonstrando
sua competência atingindo resultados
Quando o discurso não "bate" com a
prática, carecemos de credibilidade e de autoridade moral para propor mudanças.
Portanto, atingir resultados e ter um curriculum de realização concretas é básico
para poder apoiar os outros. Dar sugestões de como os outros deveriam agir, sem
uma base de resultados, não convence ninguém.
3. Conecte suas sugestões aos objetivos
da organização
Se eu entrar numa "disputa de egos"
ou "vamos ver quem pode mais", é muito possível que perca, pois o
chefe tem a "faca e queijo na mão". Além do mais, se chegarmos num
impasse do tipo "ou ele, ou eu", geralmente a organização fica do
lado do chefe (mesmo que eu tenha "razão"). Portanto, ações e
subterfúgios de mudança para minar o seu chefe e fortalecer a sua posição
usualmente são muito perigosos, não contribuem para a empresa e tornam rígidas
as posições do chefe ao invés de flexibilizá-las.
4. Sugira (com cuidado) ações e
contatos com empresas e pessoas gerencialmente avançadas
Muitas são as ações possíveis:
- participar de entidades de classe ou
grupamentos empresariais onde se pratica um gerenciamento avançado.
- inscrever-se em cursos de especialização
em administração ou gestão, com enfoques inovadores. Às vezes a
participação num curso no exterior é mais atrativa e eficaz
- visitas, estágios e contatos com organizações
que praticam a excelência
- leitura: disponibilize livros, revistas ou
artigos selecionados
- convidar conferencistas para palestras
curtas em sua empresa.
5. Peça a seu chefe para fazer uma
avaliação de sua forma de atuar profissionalmente
Além de isto trazer um feed back importante,
muitas vezes cria o clima e condições para um "papo" mais descontraído,
onde talvez o chefe também peça um feed back sobre a atuação dele. Aí,
aproveite a oportunidade (mas vá com calma).
Muitos livros e artigos de gerenciamento trazem
modelos a serem preenchidos. Use um destes como pretexto para um papo deste
tipo. Nesta mesma linha, você também pode pedir uma avaliação de seu
desempenho, de seu potencial e das possibilidades de carreira na empresa. Todas
estas colocações devem ser feitas quando houver um mínimo de condições
emocionais de seu chefe. Por exemplo, se a empresa acabou de perder um grande
cliente, este não é um bom momento para iniciar esta conversa.
6. Peça para seu chefe contar quais
foram os fatores de sucesso na carreira dele
Com isto você terá mais chances de conhecê-lo,
e identificar pontos com maior chance de sensibilizá-lo para mudanças. Além
do mais, as pessoas gostam geralmente de falar sobre os seus feitos e
conquistas. Isto cria uma saudável aproximação com o seu chefe.
Atenção: nunca quebre o sigilo destas informações
e nem as use para seu proveito pessoal.
7. Peça para rever delegações
Ao discutir sobre responsabilidades - autonomia
decisória - prestação de contas você pode mostrar como a centralização
dele e falta de autonomia sua estão "emperrando" o fluxo dos
processos da sua empresa. Mostre que você tem preparo técnico e dedicação
para fazer mais (isto deverá ser verdadeiro !). Ao receber mais delegação
mostre que está capacitado e desejoso de assumir maiores responsabilidades e os
riscos que isto representa.
8. Demonstre sua preocupação com o
stress e sobrecarga dele
Disponibilize sua ajuda. Se você conhecer
profissionais terapeutas, indique por exemplo acupuntura, massagem, relaxamento,
florais, como maneiras de ter uma vida mais equilibrada. Dê o seu testemunho
pessoal. Isto cria uma saudável proximidade com a "pessoa" que está
por trás do "chefe".
9. Defina os seus limites com muita
clareza
Chefes centralizadores são muito invasivos de
nossos limites, "obrigando-nos" muitas vezes a agirmos contra nossa
vontade. Tenha claro para você mesmo quais são os seus limites. Não faça
concessões em assuntos que envolvam a ética. Lembre-se que você deve estar
bem consigo mesmo. O melhor emprego do mundo não vale a perda da tranqüilidade,
de encostar a cabeça no travesseiro e dormir sem pesos na consciência.
10. Conecte-se à dimensões humana desta
situação
Aceitar o chefe em sua dimensão humana é algo
fundamental. Atrás de uma atitude dura, rígida e centralizadora geralmente está
alguém extremamente inseguro, infeliz e com auto-estima muito rebaixada.
Aceitar a dimensão humana do chefe significa não tentar mudá-lo, ma sim criar
condições e estimular a pessoa a mudar. Com todo o desconforto desta situação,
não são poucas as pessoas que relatam posteriormente que viver sob um chefe
autoritário foi muito importante para a própria pessoa se conectar com o seu
autoritarismo pessoal. Conviver com um chefe destes não é gostoso, mas
geralmente contribui muito para o nosso crescimento pessoal.
E se nada disto der certo ?
Talvez aí seja a hora de repensar a sua
carreira, de repensar esta relação profissional e talvez considerar que nesta
empresa você não tem mais nada a fazer, e que iniciar um plano de retirada
pode ser a melhor idéia possível. Boa Sorte !
Fonte: (*) Gustavo G. Boog é Consultor e
Terapeuta Organizacional. Diretor da Boog & Associados e Saguaro Import.
Autor de diversos livros sobre management e terapias avançadas, entre os quais
"Energize sua empresa !", publicado originalmente Revista RH em Síntese.
Gustavo G. Boog
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