COMO PLANEJAR E EXECUTAR UM TREINAMENTO
COMO PLANEJAR E EXECUTAR UM
TREINAMENTO
Treinamento: uma breve conceituação
Não há possibilidade de nos
desenvolvermos economicamente e, consequentemente, elevarmos o nosso nível
social, sem aumentarmos as nossas habilidades, sejam elas intelectuais ou técnicas.
Logo, aumentar a capacitação e as habilidades das pessoas é função
primordial do treinamento.
Treinar é "o ato intencional de fornecer os meios para proporcionar a
aprendizagem" (CHIAVENATO, 1994, p. 126), é educar, ensinar, é mudar o
comportamento, é fazer com que as pessoas adquiram novos conhecimentos, novas
habilidades, é ensina-las a mudar de atitudes. Treinar no sentido mais profundo
é ensinar a pensar, a criar e a aprender a aprender.
O treinamento deve incentivar ao funcionário a se auto-desenvolver, a buscar o
seu próprio meio de reciclagem. O profissional de treinamento por sua vez,
deverá conscientizar os funcionários da importância do auto-desenvolvimento e
da busca constante do aprendizado contínuo.
A missão do treinamento pode ser descrita como uma atividade que visa:
ambientar os novos funcionários; fornecer aos mesmos novos conhecimentos;
desenvolver comportamentos necessários para o bom andamento do trabalho e,
atualmente vem tendo a sua maior missão que é de conscientizar os funcionários
da importância de auto-desenvolver-se e de buscar o aperfeiçoamento contínuo.
Ao se treinar um empregado, este pode se sentir prestigiado perante sua empresa,
pois desta forma ela demonstra sua preocupação em capacitar bem seus
profissionais, dando-lhe a oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
Como já ressaltamos, o treinamento é uma responsabilidade gerencial, onde a área
de treinamento servirá para dar apoio ao gerente, fornecendo, recursos,
programas, material didático e assessorar o gerente na elaboração dos
programas de treinamento. O gerente deve se preocupar com a capacitação de sua
equipe cuidando para que ela receba treinamento adequado continuamente.
Planejando um Programa de treinamento
Um programa de treinamento deve se guiar por determinados pontos imprescindíveis
para o seu sucesso:
Identificar o cliente: este é o ponto de partida para a elaboração do
programa. Se a identificação do cliente estiver errada, todo o programa perderá
o seu sentido. Para a identificação, pergunte: Qual é o problema a ser
solucionado? Quais são as suas necessidades? E que resultados deverão ser
alcançados? Somente o cliente terá as respostas para estas perguntas.
Levantamento de necessidades (LN): Para que um programa de treinamento
tenha o resultado esperado, temos que ajustar as ações da área de treinamento
com as necessidades da instituição. Ao realizarmos um levantamento de
necessidade temos que tomar cuidado para não cairmos na tentação do resultado
imediato cobrado pelos empresários.
O LN trará a tona a "carência observada no indivíduo ou no grupo, diante
do padrão de qualificação necessário para a boa execução da tarefas de uma
função"(TOLE e MILIONI, p. 88).Os resultados aqui traçados definirão as
ações a serem tomadas posteriormente.
Para realizar o LN podemos utilizar os seguintes instrumentos: Questionário;
Avaliação de desempenho; Discussão em grupo; Reuniões inter-departamentais;
Entrevista estruturada; Pesquisa de clima; Pesquisa de satisfação de clientes,
entre outros.
Seja qual for o instrumento utilizado não podemos abrir mão da criatividade,
tendo sempre em mente os objetivos da empresa.
Diagnosticar o problema: nesta etapa o profissional de treinamento, irá
analisar o desvio encontrado e assim verificar se o problema é solucionável
através de um programa de treinamento.
Elaborando um Programa de Treinamento
A elaboração de um programa de treinamento sempre será realizado com base
em uma perfeita identificação e interpretação das necessidades reais de
treinamento.
Para definirmos com exatidão o que faremos no treinamento, será fundamental
identificarmos os seguintes pontos:
Público-alvo: a correta identificação e análise da população que
será atingida pelo programa, garantirá um percentual do sucesso do
treinamento. Isto porque, um treinamento voltado para os técnicos, não poderá
ser o mesmo utilizado para os gerentes e vice-versa.
Objetivos: É o que se pretende alcançar com um programa de treinamento.
Hoje quando as empresas passam por dificuldades financeiras o primeiro corte de
verbas é realizado na área de treinamento. Isto se dá porque os resultados
concretos obtidos em um programa de treinamento, não são fáceis de se alcançar
e de demonstrar, por isso temos que definir os objetivos com algumas características
essenciais: ter desempenho final a ser alcançado (elaborar folha de pagamento);
ter um período determinado (mensal); ter um padrão de satisfação (sem
erros).
Desta forma os objetivos serão facilmente atingidos com a realização do
treinamento.
Definição dos temas: ao se estabelecer os objetivos a serem alcançados,
podemos definir quais temas serão abordados e quais assuntos serão levantados
dentro deste tema, para melhor atingir os resultados.
Metodologia: é a forma utilizada para o desenvolvimento do programa de
treinamento. Levando em consideração as necessidades estabelecidas pelo
cliente, será possível escolher a metodologia a ser utilizada. Vejamos os métodos
mais utilizados: Sala de aula; Treinamento à distância; Internet;
No local de trabalho.
Processos e técnicas: "Vários fatores do treinamento podem
influir na escolha da técnica, tais como nível do treinando, forma do
treinamento, tipo de necessidades, duração dos cursos, recursos humanos e
materiais, condições físicas e ambientais" (FONTES, p. 64). Para que a técnica
utilizada seja de grande proveito, deverá ser criativamente adaptada para a
realidade local. Vejamos agora quais são as técnicas mais utilizadas: Conferências
ou palestras; Estudos de caso; Dramatizações; Dinâmica de grupo; Jogos de
empresas
Tendo escolhido a metodologia a ser desenvolvida e as técnicas a serem
utilizadas, o instrutor poderá contar com recursos didáticos que servem para
esclarecer uma demonstração, motivar o grupo para uma reflexão e favorece a
memorização dos assuntos apresentados(Cf. FEULLETTE, 1991, p. 126). Vejamos
agora quais são os recursos mais conhecidos: Vídeo cassete/televisor;
Gravador/Aparelho de som; Cartazes; Retroprojetor/Transparência; Apostilas;
Quadro negro; Flip-chart; Computador.
Plano de aula: Com todas as etapas anteriores preenchidas deve-se
elaborar um plano de aula. Este é um instrumento que irá auxiliar o instrutor
na realização do treinamento. No plano devem conter as seguintes
informações: tema central do treinamento, assuntos a serem abordados, horários,
técnicas e recursos didáticos.
Tempo e custo: Devemos levar em consideração estes dois fatores antes
de terminarmos a elaboração de um programa de treinamento.
O tempo deve ser determinado a partir das necessidades e características do
cliente e do publico-alvo, assim como a importância do tema a ser abordado. O
mau planejamento do tempo pode causar a perda de informações essências no
termino do programa.
O custo deve ser levado em consideração, e este deve ser confrontado com os
benefícios que o treinamento irá proporcionar ao cliente.
Podemos identificar como custo os seguintes pontos: salários dos instrutores ou
consultores externos, despesa com local, refeições, passagens, estadias,
materiais, entre outros.
Executando um programa de treinamento
Terminada a fase de elaboração do programa de treinamento, entramos na
fase de execução, que envolve a convocação dos treinandos e a execução do
treinamento propriamente dito.
Convocação dos treinandos
É muito comum o instrutor se defrontar com treinandos desmotivados e
desinteressados, onde o instrutor terá que desfazer toda esta resistência.
Isto acontece porque os treinandos não estão cientes da real importância do
aprendizado contínuo.
Para que se minimize este problema ao se convocar um funcionário para um
treinamento temos que ser criativos e inovadores, temos que aguçar a
curiosidade do público alvo, e para isso, podemos: Deixar de lado aqueles
velhos memorandos e passemos a usar um convite ou algo mais atrativo; Procurar
conhecer os pontos fortes dos treinandos fazendo uma rápida reunião com seus
superiores; Quando iniciarmos um programa de treinamento diga coisas agradáveis
sobre o grupo. Esta atitude fortifica os treinandos; No início do programa
deixe bem claro quais são os ganhos que os treinandos terão com a realização
deste treinamento.
Os instrutores
São aquelas pessoas que irão atuar na transmissão do conteúdo teórico e
prático do programa de treinamento.
Para se definir um corpo de instrutores devemos analisar o currículo dos
indicados, para verificarmos se são adequados para o programa, somente a partir
destas análises convocaremos os instrutores.
Para que um programa de treinamento tenha sucesso o instrutor deverá estar
preparado para atuar como um verdadeiro agente de mudança. A atuação deste
que poderá garantir o alcance dos objetivos estabelecidos e o sucesso do
treinamento.
O instrutor deve possuir algumas características básicas para que ele possa
obter sucesso na transmissão de conhecimento. Vejamos algumas: personalidade:
transmitindo segurança; conhecimento do assunto; habilidade para lidar com
ambigüidades; motivado para a função; criar vínculo com o público; liderança:
ter influência; habilidade em vender idéias; criativo; empatia: colocar-se no
lugar do outro; ser ético nas relações, nos procedimentos e nas análises.
Avaliando os resultados
O que mais importará para a organização é estar ciente do tipo de
retorno que o programa de treinamento irá trazer para a empresa. Portanto, ao
terminar um treinamento devemos avalia-lo junto com os treinandos e checar
posteriormente se ele trouxe realmente benefícios para a empresa.
Ao se investir em treinamento espera-se que haja "aumento de produtividade,
mudanças de comportamento, melhoria do clima humano na organização, redução
de custos e de acidentes, rotação de pessoal, além de outros resultados"
(TOLEDO e MILIONI, p. 89).
Conclusão
O aumento da competitividade aliado ao contínuo e assustador avanço da
tecnologia, faz com que as empresas passem a se preocupar com o freqüente
aperfeiçoamento de seus funcionários.
Sendo assim, as empresas deverão se tornar verdadeiros "educandários",
onde o gerente seja o educador, e os seus funcionários serão os educandos.
Trazendo a tona o verdadeiro sentindo da educação, que é de desenvolver a
capacidade física, intelectual, e moral do ser humano, levando este a se
integrar e interagir com o meio que o cerca, podendo refletir criticamente sobre
as mudanças ocorridas a sua volta e dessa reflexão tomar uma decisão e rumo a
seguir.
Logicamente esta postura não será alcançada de uma hora para outra nas
organizações, cabe aos profissionais de Recursos Humanos e verdadeiros agentes
de mudança, fazer desse princípio uma realidade imprescindível para o sucesso
das empresas.
Convém relembrar que o treinamento é um processo contínuo de aprendizagem
elaborado e planejado pelos profissionais de Recursos Humanos com total apoio da
alta gerência.
Vimos que um programa de treinamento envolve algumas etapas que devem ser
seguidas para garantir o sucesso do treinamento, são elas: identificação do
cliente, levantamento de necessidades, diagnósticos, elaboração ou
planejamento, execução e avaliação do resultados obtidos com o treinamento.
Elas não funcionam isoladas mais sim em conjunto umas com as outras, a folha em
qualquer etapa pode por a perder todo programa. Assim, temos que encarar cada
parte como sendo de vital importância para o sucesso do treinamento e para
pleno alcance dos objetivos estabelecidos.
O responsável pelo programa deve empenhar-se ao máximo para fazer com que o
treinamento se torne um investimento feito pela empresa e que após o seu término
traga reais benefícios para a organização e seus funcionários.
A abrangência do papel do treinamento na empresa moderna não se restringe
apenas em oferecer condição para que o empregado melhor se capacite ou se
desenvolva, mas também, como força capaz de intervir na organização e no
processo produtivo. Só entendendo assim, poderemos dar à empresa o que ela
espera - força capaz de ajudá-la na árdua tarefa de maximizar resultados,
minimizando os custos e otimizando os recursos humanos disponíveis, tornando-os
mais eficientes e mais eficazes.
Jorge Eduardo de Vasconcellos
Pós-Graduando em Gestão de
Recursos Humanos na UGF
Bacharel em Administração de Empresas pela UGF
E-mail: ed.rh@mailbr.com.br
Tel: 596-7905
Bibliografia
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO. Manual de
treinamento e desenvolvimento. 2ª edição, São Paulo: Makron
Books, 1994.
CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando pessoas. 2ª edição. São Paulo:
Makron Books, 1994.
FARIA, Heloiza M. Nogueira. "Treinamento de recursos humanos como fator ou
produtividade". In: Caderno Cândido Mendes, 1992.
FERREIRA, Paulo Pinto. Administração de pessoas: relações industriais. São
Paulo: Atlas, 1992.
FEUILLETTE, Isolde. Recursos Humanos, o novo perfil do treinador. São
Paulo: Nobel, 1991.
FONTES, Lauro Barreto. Manual de treinamento na empresa. São Paulo:
Atlas, 1975.
TOLEDO, Flávio e MILIONI, B. Dicionário de Recursos Humanos. 3ª edição.
São Paulo: Atlas, 1986.
WULF, Katie. "Tecnologias multiplicam as formas do aprendizado". RH
em Síntese. N. 18, set/out. 1998. |