www.rhpro.com.br Sistema de Identificação de Perfil Profissional | Como prosperar em momentos difíceis
Como prosperar em
momentos difíceis
Quando tudo vai bem no Brasil, sempre
acontece alguma coisa que parece fazer tudo piorar de novo. Quando não é a
crise asiática, é na Rússia ou na Argentina. Bolsa cai, dólar sobre, inflação
uma incógnita... agora até energia elétrica parece que vai faltar. O PIB que
ia crescer 4% já está nos 1,5%... e olhe lá. Será que vamos ter que apertar
os cintos novamente? Será que ainda temos furo sobrando no cinto?
Como prevenir é bem melhor do que remediar, aqui vão algumas dicas para quem
gosta de preparar-se, caso o eventual e fortuito acabe mais uma vez
transformando-se em dura realidade.
- Esqueça relatórios: Aposto que já
aconteceu com você: enquanto pingos e gotas gordas de chuva começam a cair
no pára-brisa, você liga o rádio e ouve um locutor (que provavelmente está
fechado numa sala escura) dizer que lá fora está o maior sol. Por isso às
vezes é tão importante olhar pela janela. Esqueça os relatórios,
planejamentos, teoria – vá lá fora você mesmo, ver com seus próprios
olhos (e ouvir com seus próprios ouvidos) o que realmente está
acontecendo.
- Volte para o básico: Em tempos difíceis, o
básico é o que interessa. Ênfase nos lucros, não no faturamento.
Controle agressivo e inteligente de custos, fluxo de caixa, contas a pagar e
receber... todas as coisas chatas que raramente damos atenção quando tudo
vai bem. Ou pior: quando parece que tudo vai bem. Porque é quando tudo
parece bem que nos acomodamos e passamos a se aceitar a mediocridade. Por
exemplo, funcionários que estabelecem metas ridiculamente baixas e ainda
assim falham em alcançá-las. Ou algumas pessoas tão acomodadas que daqui
a pouco vai ser necessário regá-las duas vezes por semana.
- Cuide dos seus clientes: Esqueça
fornecedores, acionistas, mídia, funcionários. Sem clientes você não
consegue satisfazer a ninguém. Já viu aqueles hamsters presos em gaiolas,
correndo sem parar numa rodinha giratória? É o que acontece quando você
tenta satisfazer a todos ao mesmo tempo. Cuide dos seus clientes, que o
resto se ajeita.
- Seja racional: a economia é cíclica, mas
os empresários e executivos geralmente se comportam como uma manada
desordenada de búfalos, e você já pode imaginar o QI médio de um grupo
desses. Num movimento coordenado, mas sem muito planejamento ou organização,
temos um estouro de negatividade, com gente outrora arrogante e cheia de
pose agora parecendo aborígenes histéricos com uma crendice qualquer.
Algumas empresas contratam executivos incompetentes para dirigi-las (usando
termos pomposos e salários exorbitantes), quando na verdade estão
deprivando algum sanatório mental de mais um paciente com delírios. Da
mesma forma que Maquiavel dizia que "em terra de cego, quem tem um olho
é rei", quem consegue manter a cabeça em momentos de tensão sempre
consegue resultados melhores (ou, como diria um cínico debochado, ainda não
entendeu a gravidade da situação).
- Construa o futuro: Debandada geral, corte drástico
de custos, demissões em massa – muitas vezes demissão de gente preparada
e competente. O que isso faz – que ambiente cria? Na verdade, cria mais
problemas para o futuro, porque uma hora o ciclo negativo passa, a histeria
também, o mercado se acalma e é hora de crescer novamente. Só que aí a
empresa já não tem mais gente para isso: mandou todo mundo embora antes. E
os que ficaram estão tão desmotivados que não sabem se vale mais a pena
vestir a camisa. Então calma e sabedoria continuam valendo, tanto em tempos
de vacas gordas e sem aftosa, quanto de vacas magras e loucas.
- Ajude os outros: empresas com preços baixos
e boa qualidade sempre vão atrair clientes. Companhias que estimulam e
oferecem oportunidades para seus funcionários sempre vão atrair talentos.
Se você quer ganhar dinheiro, ajude os outros a ganharem dinheiro. Ajudando
aos outros, você ajuda a si mesmo. Quem quer ganhar dinheiro a todo custo,
com um discurso público bonito (mas falso) e depois age de forma egoísta
acaba sempre atingindo o fundo do poço. Tem gente que ainda cava mais um
pouco. E não entende que a culpa é sua – prefere reclamar e jogar a
culpa nos outros. Enquanto isso, o fundo do poço afunda mais um pouco.
- Concentre-se em ganhar: Não em não perder.
Karl Walenda, patriarca da família Walenda (os legendários equilibristas
que assombravam o mundo com suas façanhas no alto) fez em Porto Rico o que
seria sua última apresentação - a travessia entre dois prédios a 30
metros de altura. Desequilibrou-se, caiu, morreu. Mais tarde, sua esposa
disse que, pouco antes, pela primeira vez na vida ele tinha demonstrado
preocupação com a possibilidade de cair. Acabou caindo mesmo, porque
estava muito mais preocupado com a queda do que com a travessia. A última
coisa que você deve fazer é entrar em pânico. Quando você entra em pânico,
seu cérebro pára – congela. Então nunca olhe para o abismo:
concentre-se no seu sucesso, e não na probabilidade de cair.
- Invista nas suas forças: Muitos empresários
fazem o contrário: tentam recuperar ou melhorar suas fraquezas. Na imensa
maioria das vezes, isso acaba sendo um desperdício de dinheiro. Coloque seu
foco no que você sabe fazer melhor, no que está dando certo. Não existem
fórmulas mágicas para sobreviver em tempos difíceis. É só trabalho
duro, com determinação e foco. Principalmente, foco nos clientes e, por
conseqüência, na concorrência. As vendas podem estar caindo, mas se
estiverem melhores do que a concorrência, você sabe que está, de certa
forma, tendo sucesso. O sucesso é sempre relativo – se você matar a
concorrência antes que eles matem você, sua empresa estará melhor
posicionada quando o mercado voltar à normalidade.
outubro/2001
Raúl Candeloro ( www.raulcandeloro.com.br
),
Autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado,
é palestrante e editor da revista Venda Mais® e responsável pelo site
VendaMais®
www.vendamais.com.br
candelo@zaz.com.br | | 
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