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Como Se Vender A Um Headhunter

"Procure pois, a pessoa sábia ter em si alguma coisa de comerciante, pelo menos o suficiente para não ser enganada ou até ridicularizada. Tenha senso prático, o qual, ainda que não seja o mais alto, é o mais necessário para a vida". Baltasar Gracian Y Morales,Jesuíta Espanhol(1601-1658).

O "headhunter" é, hoje, um dos mais respeitados profissionais no mundo dos negócios, embora sua atuação no mercado de trabalho seja, relativamente, recente. O primeiro "headhunter" de que se tem notícia, Thorndike Deland, surgiu no cenário das organizações dos EUA na década de 20.

O fluxo dos acontecimentos demonstrou que ele estava muitos anos à frente de seu tempo. Apesar de trabalhar no recrutamento de profissionais para os escalões inferiores de organizações privadas e governamentais (US War Departament), ele contribuiu eficazmente para o florescimento da profissão e dos negócios de "headhunter", hoje, estimados em bilhões de US$ dólares.

Posteriormente, nas décadas de 50 e 60, surgiram outros headhunters que se tornaram famosos por seu caráter, nível de profissionalismo, visão e conhecimentos profundos sobre o negócio e, sobretudo, pela rede de relacionamento, que foram capazes de construir ao longo de suas carreiras, em especial, com os mais altos escalões, leia-se - "Chief Executive Officer".

Entre eles, destacam-se: Sidney Boyden, Heidrick e Struggles (1953), Spencer Stuart (1956) (ex-consultores da Divisão de Recrutamento e Seleção da Booz Allen %26 Hamilton); Korn and Ferry (1969, ex-Peat Marwick Mitchell), Russell Reynolds (ex-bancário), Ward Howell (1951) e Canny Bowen (1951), ambos originários da renomada empresa de Consultoria McKinsey %26 Cia. A expansão de seus negócios em escala global deu-se a partir da década de 70, quando instalaram escritórios na Europa, Ásia e América do Sul, aproveitando, na maioria das vezes, a expansão da economia mundial e local.

Hoje, no Brasil, as empresas de Headhunting desfrutam de boa reputação e, em geral, prestam relevantes serviços a empresas e profissionais.

Qualquer que seja a realidade do profissional - bem colocado e prestigiado em sua atual empresa; insatisfeito com o processo de sua carreira ou com o atual empregador; temporariamente desempregado; sequioso por vôos mais altos, dentre outros motivos - o cultivo de um relacionamento estreito com "headhunters" é de fundamental importância. As razões são várias:

Primeira - O profissional, geralmente nunca sabe de antemão, quando necessitará do apoio de um headhunter. Portanto, o melhor é precaver-se e expor-se, qualquer que seja sua situação. Espelhe-se nas formigas: no verão, elas se preparam para o inverno.

Segunda - Atualmente, dependendo do nível hierárquico do profissional procurado e da política interna de recrutamento e seleção de considerável número de empresas, a busca de talentos no mercado de trabalho tem sido confiada a headhunters. Essa postura das empresas é irreversível, até mesmo, por questões financeiras e de segurança do processo seletivo. Inúmeras empresas não querem correr riscos na contratação de profissionais.

Terceira - O headhunter pode aconselhar o profissional sobre vários assuntos como: elaboração de curriculum; conduta ao se apresentar a um empregador em potencial; descrição do histórico organizacional, de valores, missão, objetivos, posição no mercado, nível de concorrência, tecnologia e perfil dos executivos internos, dentre outros tópicos relevantes.

Quarta - Não há qualquer custo para o profissional. Os honorários do consultor são assumidos pelas empresas que patrocinam o processo e giram, em média, ao redor de 35%25 sobre a remuneração anual do profissional assessorado, acrescidos das despesas com viagens, hotel, táxi, restaurante etc.

Quinta - Adicione-se, por fim, o fato de que os headhunters interagem, na maioria das vezes, com presidentes de empresas. Com base nesses relacionamentos, em conhecimentos aprofundados ao longo das atividades de consultoria e na experiência acumulada pelo atendimento a executivos de diferentes culturas, os consultores de ponta estão credenciados a aconselhar o profissional sobre o que dizer e como se portar numa entrevista.

O profissional demitido, dependendo de sua reputação e nível de visibilidade, corre o risco de ser menosprezado por muitos headhunters. Essa atitude, na maior parte das vezes injustificada, deve-se a vários preconceitos e julgamento de valores:

Primeiro - O profissional desempregado não é visto como hábil planejador de sua carreira, pois não foi capaz de antecipar sua demissão. Conseqüentemente, as organizações clientes, segundo muitos headhunters, consideram-no ineficiente e imprevidente. Caso contrário, teria feito algo antes.

Segundo - Quando um candidato está desempregado, torna-se difícil apresentá-lo a um cliente como profissional de primeira classe. Esse contexto dificulta sua recolocação. (Enfatizamos que seria grosseiro classificar todo desempregado como profissional de segunda classe e todos em atividade como profissionais de primeira classe. Não raras vezes, os desligados de várias organizações revelam-se melhores do que muitos que permanecem).

Terceiro - O profissional demitido não corre qualquer risco, diferentemente daquele que está trabalhando. Bem empregado, ele pode enfrentar o perigo de perder tudo. Isso porque está assumindo um compromisso, deixando para trás uma posição confortável e segura por outra que pode chegar a bom termo ou não.

Agora que conhecemos alguns dos preconceitos contra os profissionais, temporariamente, em transição, fica mais fácil abordá-los e convencê-los sobre suas qualificações pessoais e profissionais.

Assim, como estratégia, sugerimos:

Primeiro - Esteja preparado para justificar sua demissão, e não tenha receio de falar honestamente sobre o verdadeiro motivo. O importante é reconhecê-lo, corrigi-lo e tocar a vida para frente. Muitas vezes, são os erros cometidos que alavancam uma carreira para o sucesso.

Segundo - Identifique com clareza e objetividade suas qualificações, competências, projetos implementados, resultados obtidos, enfim, as realizações de sua carreira que revelam talento e podem interessar a um headhunter e às empresas que assessora. Foque seus pontos fortes, mas não se esqueça de examinar, com autoconfiança, suas vulnerabilidades.

Terceiro - Contate e converse com o diretor ou gerente de Recursos Humanos de seus ex-empregados e peça que ele o instrua sobre os melhores headhunters em sua área de especialização. Isso evitará desperdício de tempo, de energia e de recursos. Aborde os profissionais sugeridos.

Quarto - Evite, a qualquer custo, cair em armadilhas, como: arrogância, agressividade ou subserviência. Elas, não raro, atingem profissionais demitidos, principalmente, os que estão há mais tempo disponíveis. Na primeira e segunda armadilhas - arrogância e agressividade - observa-se o desejo do profissional de dominar a entrevista, falando demais e não dando tempo ao entrevistador. Tal atitude é vista pelo headhunter como sinal de insegurança e falta de autoconfiança. Na terceira circunstância - subserviência - o candidato poderá transmitir uma imagem de fragilidade tão desalentadora que levará o headhunter a perder interesse em ouvir sua história.

Quinto - Peça que um amigo o apresente a um headhunter de sua confiança e relacionamento. As melhores opções seriam convidá-lo para um almoço ou um happyhour no final da tarde. Bons candidatos fazem parte do inventário das empresas de headhunting. Prepare-se adequadamente, a fim de causar uma excepcional primeira impressão.

Sexto - Evite aquelas abordagens que no primeiro instante parecem "forçadas". O headhunter poderá irritar-se com tal comportamento e menosprezá-lo como futuro cliente.

Sétimo - Uma vez estabelecido o primeiro contato, mantenha, regularmente atualizado, seu Curriculum Vitae em posse do headhunter. Não o perca de vista e responda a todos os seus chamados com prontidão. Não desperdice oportunidades, e lembre-se: aqueles que silenciam são esquecidos; aqueles que não avançam ficam para trás; aqueles que permanecem parados, como água estagnada, apodrecem; aqueles que deixam de crescer, principiam a morrer; e aqueles que se recusam a estudar, começam a "emburrecer".

O demitido deve comportar-se, não como vítima, pois o mercado só o comprará pelo valor que atribuir a si mesmo. Portanto, o melhor profissional não é aquele que espera por uma oportunidade, mas aquele que a cria, a persegue, a conquista e a torna seu servidor.

Lembre-se de que o segredo de uma vida profissional de sucesso está na capacidade de reunir toda a sua energia e todos os raios de sua mente num único ponto - o novo compromisso profissional.

Gutemberg B. de Macedo
Gutemberg B. de Macedo é Presidente da Gutemberg Consultores, empresa especializada na gestão de capital intelectual e conferencista empresarial em nível nacional.

 

 



 

 

 

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