Consultoria Na área Internacional
Como
dizia Lewis Carrol, em Alice no país das Maravilhas: “Se você não faz muita
questão de saber para aonde vai, não importa qual é o caminho que vai
utilizar” (Quintella:134). Saber para aonde vamos e por que, é meio caminho
andado para uma boa consultoria, mesmo que “O caminho da consultoria é talvez
um dos mais contaminados pelo desentendimento, quando se trata de
relacionamento entre executivos e pessoas de fora da organização” (Araújo:17).
No caso especifico, o consultor externo.
Este
consultor que vive de dar conselhos, está destinado, se não for preparado, a
uma constante desilusão e desanimo. Por que “Muitos recebem conselhos, mas
poucos se aproveitam deles” (Publius Syrus) e “Para aproveitar um bom
conselho, é necessário mais sabedoria do que para dá-lo” (John C. Collins).
Apesar de Shakespeare dizer que “ Os bons conselheiros nunca ficam sem
clientes”, não é o que acontece na pratica, por que La Rochefoucault dizia
que “ Os homens dão gratuitamente seus conselhos” mas um provérbio árabe
diz , “Nunca se deve dar conselhos a uma multidão” e “ O conselho
gratuito é muitas vezes muito caro”. (Seleção feita por James H. Kennedy,
no livro de Milan KUBR , Management Consulting, A
guide to the profession. (Kubr:5).
Uma
preparação rigorosa precisa levar em consideração, as necessidades do
cliente, pois este é único, nele você precisa estar sempre presente sem, no
entanto, se valorizar, evitando denegrir o trabalho de outros consultores, e
lembrar que você está fazendo o marketing de seus serviços profissionais cujo
objetivo é alcançar alta eficiência e eficácia na sua execução. (segundo
Milan KUBR:530,531).
Nosso
objetivo, aqui, é contribuir na elaboração de uma analise clara e objetiva do
que deve ser feito, ao iniciar uma consultoria internacional, objetivando a
abertura de um novo mercado, a introdução de um novo produto, ou a elaboração
de um diagnostica de analise do SWOT (Strengh, Weakness, Oportunity and
Threat) de uma empresa visando sua adaptação ou inserção num mercado
internacional. É necessário para tal, trabalhar junto com os Recursos Humanos
na empresa que é alvo da consultoria, quer dizer dirigentes, gerentes ou
empreendedores com capacidade de gerir a incerteza e a complexidade, com talento
para inventar ou adaptar, mas ao mesmo tempo, sendo operacionais na suas
organizações. É por essa razão que a orientação profissional se apóia num
ciclo cultural, o mais forte e o mais extenso possível e se diferencia por sua
qualidade operacional utilizando-se de ferramentas pedagógicas, de gestão e de
apoio.
Com
bases conceituais e metodologia sólida, além da assimilação dos conceitos e
das técnicas de gestão, a “abordagem” vai permitir levantar subsídios
para fazer face às necessidades das mudanças necessárias na empresa.
Os
membros da organização, objeto da consultoria, devem ser considerados como
atores motivados e devem construir os percursos a serem seguidos de uma maneira
coerente com os projetos e objetivos da organização.
O
consultor deve descobrir e se integrar à organização. A tomada de consciência
e a estreita relação com a empresa têm que ser progressivas. Baseado sobre o
confronto teórico-prático de uma primeira fase da consultoria, o consultor
utiliza sua larga experiência na analise e diagnósticos necessários para
iniciar seu trabalho. Em seguida, no decorrer da segunda fase, colocará em
pratica, em conjunto com os profissionais executivos da empresa consultada, a análise
e aquisição do melhor modus operandi para aplicar, adaptar e
implementar suas recomendações, baseados az vezes numa experiência real.
A
missão do consultor vai além da transmissão do saber. Ele acompanha os
executivos e/ou um executivo em especial, na reflexão dos projetos
profissionais da organização. Ele é o treinador de talentos capaz de
despertar paixões e descobrir o verdadeiro ator latente em cada um dos
executivos da organização que finalmente devem se beneficiar de seus
conselhos, préstimos e recomendações.
O
aprendizado internacional é um estado de espírito que se verifica no
quotidiano, através de cada contato internacional, através de livros, viagens,
intercâmbios pessoais e profissionais e a “abordagem” Multicultural é
reforçada pela recomendação que cada executivo deve efetuar um estagio
obrigatório, fora do país, numa organização ou numa entidade capaz de
transformar sua maneira de agir do particularismo ao universalismo (ou do
familiar ao estranho)
Antes
de tudo, nunca se deve subestimar a importância do conhecimento do locus
e das pessoas deste local. Para entender realmente um país e sua cultura, temos
que fazer parte dele.
Existem
certos dados que permitem reconhecer as oportunidades invisíveis a pessoas de
fora. Estas oportunidades podem sempre beneficiar o seu consumidor no local.
Inovações e idéias são sempre compartilhadas por pessoas que visitam e
tentam conhecer melhor o mercado. Deve se pensar no conhecimento do local que
poderá beneficiar o planejamento e as ações num mercado internacional.
É
imprescindível pensar e planejar as ações de mercado de acordo com o
conhecimento de USOS e COSTUMES locais, COMO O POVO AGE, O QUE ELE PENSA, COMO
ELE PENSA e COMO ELE QUER que sua necessidade seja vista e entendida.
Nosso
objetivo é tentar transmitir o conhecimento que no decorrer desses anos todos,
recolhemos de viagens internacionais e recomendar ao executivo, observar os
detalhes imperceptíveis do mercado e agir de forma a maximizar seus resultados,
garantindo um entendimento mais racional de povos, cultura, usos e costumes
deste mundo globalizado.
Existe
uma maneira mais racional e prática de talvez vislumbrar se uma empresa em
processo de consultoria deve ou não ser REENGENHARIZADA, receber um
acompanhamento especifico, do tipo COACHING; deve analisar ao seu redor
ou num ambiente internacional outras empresas similares ou concorrentes a fim de
ajustar ou adaptar suas melhores técnicas, modo de operar, novos produtos ou
novos mercados, melhores técnicas de produção, de administração ou de
controle financeiro, ou seja realizar um BENCHMARKING; ou ainda utilizar
fontes alternativas de produção, administração ou comercial, ou então
contratar OUTSOURSING. Esta maneira, sem dúvida nenhuma, seria abordar a
empresa, sua organização, seu mercado, seu pessoal com olhos diferentes, dando
a este pessoal um poder de ação e decisão utilizando-se do EMPOWERMENT
e o desejo de analisar suas potencialidades ou seus erros de atuação quebrando
os PARADIGMAS existentes, como William James alertou ”O mundo seria diferente,
se tal possibilidade ou tal outra fossem verdadeiras” (Extratos 1900); ou para
exemplificar nossa marcha a seguir e nossas convicções para atuar de uma
maneira eficiente, seguimos a recomendação de Charles PEIRCE, que afirma
“Nossas crenças são, em realidade, regras para a ação” (Peirce:1878).
Lembramos
que “A verdade surge mais freqüentemente do erro, do que da confusão”
(KUHN: 1878). Portanto para se resolver algo em consultoria, vamos achar aonde,
por que e como a empresa errou. O nascimento de um paradigma e todas as
ferramentas que são utilizadas para formá-lo, são freqüentemente ininteligíveis,
salvo para o ou os membros do grupo que o formaram.
Como
os consultores só têm acesso ao mundo através do que fazem ou vêem, podemos
dizer que após uma revolução, eles reagem em um mundo diferente. O que um
sujeito vê depende do que ele olha e de sua própria experiência anterior lhe
ensinou a ver. O executivo na empresa alvo da consultoria está mergulhado no
problema e não vê solução. Bem que o mundo não mude após uma troca de
paradigma, o consultor trabalha doravante num mundo diferente dos outros membros
da organização. Podemos citar o exemplo do objeto pendurado num fio. Galileu
viu uma queda interrompida, Aristóteles viu um pendulo, Priestley viu gás,
enquanto que Lavoisier viu oxigênio.O homem de ciência e no nosso caso o
consultor colocado na frente dos mesmos objetos e tendo ciência disto, os
transforma em inúmeros detalhes. A importância é ele poder transmitir isso ao
executivo ou executivos para os quais ele esta trabalhando a fim de que possam,
juntos, modificar seus comportamentos e talvez chegar a modificar a empresa e
conseqüentemente seus resultados. (KUHN:1978)
O
diagnóstico, com base no SWOT, posto em funcionamento, posto em funcionamento,
deve levar em consideração que uma empresa precisa para funcionar bem
de: Conhecimento, Competência e Capital.
A
fim de permitir que o consultor esteja apto a dar o melhor do seu conhecimento
para esclarecer as duvidas e ajudar a empresa que deseja entrar no difícil e
muito hermético mundo do mercado internacional, devemos analisar quatro pontos
básicos: A produção, a organização da gestão, os aspectos financeiros e
finalmente a comercialização.
1.
Produção.
A
originalidade do Produto deverá ser analisada em conjunto com sua
competitividade e sua adaptabilidade à demanda local. Para isso um levantamento
sério e profissional da produtividade do aparelho de produção, da
possibilidade de aumento desta produção e conseqüentemente dos métodos de
produção devem permitir ao consultor chegar a um consenso sobre que atitude
tomar face aos possíveis problemas detectados. Torna-se necessário avaliar a
possibilidade de contratação ou não de produção alternativa utilizando as
chamada de O.E.M (Original Equiped Manufacturer) ou simplesmente outras fontes
de OUTSOURCING tradicionais. Tudo isso sem nunca esquecer as técnicas de TPM
(Manutenção Produtiva Total), e seguir o exemplo dos extremos orientais
“Para solucionar seus problemas de qualidade os japoneses se prontificaram a
aprender como os outros paises gerenciavam a qualidade” (JURAN). Não vamos
esquecer que “(...) um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende
perfeitamente, de forma confiável, de forma acessível, de forma segura e no
tempo certo às necessidades do cliente” (CAMPOS:1990)
2.
A Organização
da gestão
-
A
eficácia da estrutura da empresa deverá ser analisada setor por setor e
departamento por departamento. Com base nesta analise criteriosa, deverá se
avaliar a necessidade de se fazer mesa rasa de tudo que não está
funcionando ou que poderia vir a ser melhorado utilizando a REENGENHARIA. Não
vamos esquecer que Morris e Brandon afirmaram em 1994 que uma empresa pode
optar por “fazer reengenharia ou morrer” (Araújo:314). Entretanto é
importante “não dizer que está se fazendo reengenharia quando não é
verdade, ou aplica-la onde não cabe, gastando tempo analisando o processo a
ser reformulado, tentar realizar a reengenharia sem liderança necessária,
ser tímido no projeto, passar rapidamente da fase de elaboração do
projeto para a fase de implementação, levar muito tempo para fazer
reengenharia, restringir a abrangência dos estudos deixando por fora parte
da organização, adotar um estilo incorreto de implementação e enfim
deixar de atender as preocupações das pessoas da organização”. (STANTON:1995)
-
A
competência do pessoal é também um fator imprescindível a ser analisado
especialmente se a empresa quer ingressar no difícil e muito competitivo
mercado internacional. Portanto é necessário pessoal altamente treinado,
sempre reciclado, apto a utilizar todas as técnicas modernas de
gerenciamento, administração, organização e marketing sem por isso
esquecer a tecnologia, por que é isso que nos diferencia dos animais. Somos
Humanos por que temos a Tecnologia a nosso serviço e a utilizamos com
maestria. Não podemos esquecer alguns aspectos negativos que um paradigma
detém de inviabilizar a visualização de fenômenos importantes.
Acreditamos em Christensen, autor de diversas obras, que prega que temos
sempre que inovar se não queremos ficar atrás e especialmente da nova
terminologia: tecnologia de ruptura, que prega a mudanças
significativas graças à inovação e tecnologia. Vamos mudar e “mexer
num time que está ganhando”, (e não o contrario) vamos
profissionaliza-lo por que o bom vendedor de hoje, poderá ser totalmente
ultrapassado amanha se não se atualiza e coloque em funcionamento os princípios
básicos das novas tecnologias.
-
A
utilização da recomendação de Hammer, da nova figura do TREINADOR que
tem como nova tarefa dar orientação e suporte as equipes sucedendo ao
gerente.Este treinador colocará em pratica todos os seus SKILLS e os de
seus membros para chegar a uma equipe coesa, coordenada, motivada, eficaz e
especialmente eficiente.
3.
Aspectos Financeiros:
Todas
as possibilidades de financiamento devem ser analisadas e avaliadas, assim como
estudar o estado da tesouraria, verificando se ele é precário ou preparado
para uma aventura internacional e especialmente se tem capacidade de sustentar
as despesas de exportação, importação, de Joint Venture, Franchising ou
outras. Na maioria dos paises, as empresas de consultoria estabelecidas como
empresas ou corporações produzem relatórios financeiros que incluem: balanço,
resultados de lucros e perdas, fontes de usos de fundos, balancete de ganhos
extras, certificados de controladores e anotações de relatórios financeiros.
E mesmo que não seja lei, qualquer empresa de consultoria deve preparar relatórios
financeiros pelo menos uma vez por ano. É um exercício extremamente saudável,
necessário, útil e instrutivo.
4.
Comercialização.
A
eficácia da Força de Vendas, mola mestre da empresa tem que ser bem preparada
e treinada, falando línguas estrangeiras, conhecendo os usos e costumes locais
e em particular saber como se negocia com tal ou tal mercado e como se cativa
tal ou tal povo.
Verificar
a utilização eficiente da Promoção de vendas dos produtos da empresa, das técnicas
de comercialização e merchandising e a otimização da Comunicação tanto
escrita, verbal e visual, sempre adaptada ao meio ambiente em que se considera
uma ação mercadologia internacional. Graças ao apoio de sistemas
informatizados descentralizar suas decisões, o que provoca uma certa agilização
nas vendas, flexibilização no desenvolvimento de novos produtos e minimização
de erros na emissão das faturas, que no mercado internacional é um argumento
mais do que valido para evitar cancelamentos ou reclamações, sempre onerosos
para a empresa.
Agora
damos os conselhos de Gerald M. WEINBERG, “verdadeiro sermão da montanha para
todos os consultores” (Prefácio de James Martin), e que são o segredo do
sucesso de consultores.’. Weinberg cita as três leis se Sherby que “todo
consultor deve ter presente ao assumir um novo encargo”.
-
Primeira
lei da consultoria: “A despeito do que o cliente possa lhe dizer, sempre
existe um problema”.
-
Segunda
lei da consultoria: “Não importa o que pareça a principio, o problema é
sempre com as pessoas”.
-
Terceira
lei da consultoria: “Nunca esqueça que você recebe por hora e não por
tarefa”. (é possível fazê-lo – eis quanto vai custar).
Nota:
complementamos com estas considerações do próprio Weinberg:
-
“Seja
o que for que o cliente estiver fazendo, aconselha alguma coisa a mais”.
(lei de Marvin)
-
“Você
nunca realizará coisa alguma se se importar com quem recebe o credito”
-
“Quando
os clientes não se mostrarem agradecidos, finja que eles estão atordoados
com seu desempenho - mas nunca se esqueça do que a fantasia é sua, não
deles”.
-
“Se
eles não o contrataram, não resolva o problema deles”.
-
"Não
esqueça a lei da geléia: quanto mais espalha mais fina ela fica”. A
cultura é como a geléia, menos você tem, mais você demonstra. (provérbio
francês)
-
“Se
não for capaz de aceitar o fracasso, nunca obterá sucesso como
consultor”.
-
“Logo
que elimine o problema numero um, você promove o numero dois”.
-
“Ajudar
a mim mesmo é ainda mais difícil do que ajudar os outros”. É esta a
mais dura lei da consultoria. (Weinberg:4,5,7,8,10,18,19,20 e 21)
-
Milan
KUBR dá em seguida, conselhos para quem é utilizador real ou potencial de
consultoria. Ele cita os dez mandamentos dos clientes de consultoria, os
pontos críticos (em lembrança e não seqüência) que têm que ser
verificados, lembrados e seguidos:
-
Aprenda
sobre consultoria e consultores
-
Define
seu problema
-
Defina
seu objetivo
-
Escolha
seu consultor
-
Desenvolve
com ele um programa conjunto
-
Coopere
ativamente com seu consultor
-
Envolva
seu consultor na implementação
-
Monitore
o progresso
-
Avalie
os resultados e seu consultor
-
Não
fique dependente de consultores.
E
para finalizar, a recomendação que deve nortear os caminhos de consultores e
de empresas em busca de consultoria:
“A
consultoria produz bons resultados se os consultores são competentes em servir
seus clientes e os clientes em usar os consultores”. (Kubr:721)
- Consultor - L A COSTACURTA
JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA
COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
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