CONTRATAR UM PPD (PROFISSIONAL PORTADOR DE DEFICIÊNCIA?)
CONTRATAR UM PPD (PROFISSIONAL
PORTADOR DE DEFICIÊNCIA?)
ALGUMAS RAZÕES.......
Aldeia
Global
Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde,
cerca de 10% da população mundial (perto de 600 milhões de pessoas) são
portadoras de alguns tipo de deficiência. Estima-se que a distribuição deste
percentual de PPDs (pessoas portadoras de deficiência) em nível médio
mundial, seja de 5% com deficiência mental, 2% com deficiência física, 1,5%
com deficiência auditiva, 1% com deficiência múltipla e 0,5% com deficiência
visual. Nos paises subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, este numero
pode chegar a 20% da população, onde somente 1 a 2% destas pessoas tem algum
tipo de serviço de assistência, readaptação, acompanhamento clínico /
psicológico, inclusão no trabalho, etc.
A razão do maior percentual de PPDs nos países
subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento justifica-se pela violência
urbana, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, guerras, etc.
Como em quase tudo, a desinformação é uma
das causas da exclusão social destas pessoas no nosso dia-a-dia. A começar
pela palavra DEFICIÊNCIA, que no dicionário Michaelis quer dizer: falta;
lacuna; imperfeição; insuficiência, o que conseqüentemente leva a
definir que o DEFICIENTE é aquele que...tem deficiência; é falho; é
imperfeito, segundo o mesmo dicionário. Sem duvida nenhuma, rotular a
pessoa portadora de deficiência como algo imperfeito, falho, e sabe-se lá o
que mais, só poderia aumentar a distância entre os ditos "normais",
e o deficiente.
No passado, famílias procuravam esconder os
filhos deficientes dos amigos e da sociedade. Pais e parentes diretos se
revoltavam com o mundo ao saber que um filho (a), irmão (a) tinha nascido ou
adquirido alguma deficiência. Nesta mesma linha de pensamento, algumas instituições
de apoio e atenção aos deficientes também adotaram este comportamento e também
esconderam seus "alunos" tornando-se um depósito de gente sem futuro
e sem razão de viver.
Panorama Brasileiro
Está surgindo no Brasil um movimento que está
tratando estas pessoas como dEficientes, ou seja, um movimento que
procura explorar o que estas pessoas têm de bom e de positivo, em linguagem de
RH, conhecer e explorar o perfil de competências destes profissionais. De
repente passamos a conhecer fantásticos artistas plásticos, cantores, atletas,
e profissionais altamente capacitados e preparados. Mas a realidade brasileira
está longe disto, pois em um país onde somente 1% da população ativa ganha
um salário maior que R$ 2.000,00 temos que esperar que os filhos dos pobres
(99% da população), mesmo os não portadores de deficiência não terão
acesso a uma educação que lhes permitira lutar por uma posição de destaque
no mercado de trabalho, imaginem um filho de família pobre e ainda mais
portador de deficiência. Existe sim um grande obstáculo para a inclusão dos
PPDs no mercado de trabalho, pois devido a sua condição social não tiveram
oportunidade de estudar e preparar-se profissionalmente.
O Brasil esta acordando para este fato, afinal
trata-se de uma população de no mínimo 16 milhões de pessoas com
necessidades e direitos iguais a qualquer outro cidadão. Estima-se que 70% que
destes 16 milhões, são portadores de deficiência considerada leve, ou seja
com total capacidade para o trabalho. Sem entrar em detalhes dos vários
"direitos" (saúde, transporte, acessibilidade, etc) o direito ao
trabalho tem sido muito discutido, legislado e documentado com muita ênfase nos
seus vários segmentos:
As universidades têm discutido o Projeto de
Inclusão na rede de ensino segundo o LDB – Lei de Diretrizes e Bases,
As ONGs têm discutido e obtido algum sucesso
na implementação de programas de inclusão no trabalho nas poucas empresas que
decidiram contratar os PPDs, seja pela sensibilidade dos diretores, seja para
cumprir sua responsabilidade social, mais do que simplesmente obedecer a uma
norma ou lei.
O Ministério Público tem se desdobrado para
regulamentar e fazer valer as leis existentes para este tema,
Razões
Desta forma podemos entender que as empresas
brasileiras têm, no mínimo quatro razões para implementar projetos relativos
à contratação de profissionais portadoras de deficiência.
A Razão LEGAL, a mais discutida e
criticada (e pouco atendida), baseada em um sistema de cotas criadas por leis,
tais como a 8213/91, artigo 93; Portaria do Ministério da Previdência e Assistência
Social (MPAS) de número 4.677/98 (também baseada no artigo 93);
lei 7853/89 e Decreto Lei 3298/99 determinam
que as empresas reservem uma quantidade de vagas para os profissionais
portadores de deficiência com a seguinte classificação:
Classe I até 200 funcionários 2% das vagas
para PPDs
Classe II 201 a 500 funcionários 3% das vagas
Classe III 501 a 1000 funcionários 4% das
vagas
Classe IV mais de 1001 funcionários 5% das
vagas
Determina ainda a lei 8112, que a União
reserve, em seus concursos, até 20% das vagas a portadores de deficiência.
É claro que poucas empresas e organismos
oficiais estão cumprindo esta legislação, ora por desconhecimento, ora pela
desculpa de falta de gente capacitada para desempenhar funções muito específicas,
ora porque as empresas entendem que a lei não "pegou" e por esta razão
continuam sem nenhuma ação neste sentido. Um dos temores das empresas está no
fato de que terão que cumprir a lei de um dia para o outro, e de repente ter
que admitir este "x%" de profissionais deficientes, quando na verdade
o Ministério Público esta aceitando que este "x" seja alcançado
conforme a movimentação de pessoal (demissão /contratação) normal e natural
das empresas (turnover).
Alguns insucessos nestas contratações trouxeram uma certeza, a de nunca
cometer o erro de contratar somente para cumprir a lei sem uma atividade
(tarefa) definida, pois estas pessoas são profissionais e assim gostariam de
ser tratados dentro da empresa e nunca como ato de caridade.
Por outro lado, existe uma linha de pensamento
sendo defendida, onde haveria a contratação de PPDs, mas os profissionais não
iriam trabalhar nas dependências da empresa e sim continuariam nas instituições
fazendo trabalhos repetitivos tal e qual no passado nas famosas e deprimentes
oficinas. Em outras palavras a proposta é a de manter os deficientes tal como
no passado, enfurnados num salão, tendo como colegas outros deficientes, sem
assunto e sem futuro.
Para os PPDs, um dos maiores benefícios
conseguidos com a contratação, além do dinheiro, é a participação do
dia-a-dia de uma sociedade produtiva, informada, culta, moderna. É esta
proximidade com o mundo que se pode chamar de inclusão social. Lembro do comentário
do pai de um aluno da APAE que se tornou colaborador de uma grande
multinacional: "ele tem assunto
quando chega em casa".
Com certeza a segunda razão é a mais fácil
de ser implementada, a razão FUNCIONAL, pois nada ou quase nada deverá
ser mudado nas políticas internas da empresa. Contratar um profissional que
tenha um perfil e que possa desempenhar uma atividade definida em um "job
description". O processo de recrutamento e seleção é exatamente o mesmo
e ponto final.
O máximo que pode acontecer é a empresa ter
que se adaptar fisicamente as necessidades de locomoção do profissional, tais
como rampas de acesso, banheiros, estacionamento, etc. No demais nada muda.
Com absoluta certeza existem milhares de postos
de trabalho que profissionais portadores de deficiência poderiam estar fazendo
e que não lhes é dada nem a chance de concorrer. Dependendo do nível de exigência
que o cargo pede, podemos dizer que muitas profissões poderiam ser
desenvolvidas mesmo por profissionais com baixa escolaridade, ex: caixas de
supermercado, caixas de bancos, telefonistas, recepcionistas, setor de
embalagem, telemarketing, ou seja, profissões que com pouco treinamento poderíamos
formar PROFISSIONAIS que com o tempo de atividade com certeza viriam a ser os
futuros encarregados, gerentes, diretores......e quem sabe o presidente da
empresa.
A terceira razão é a razão da
"moda": a RESPONSABILIDADE SOCIAL. Existe uma forte onda de
valorização pelo mercado das empresas que tem a preocupação com a sociedade.
Muito se tem feito para a defesa do meio ambiente, para a defesa da criança,
para a proteção do "mico leão dourado", etc. e porque? Porque as
empresas perceberam que ter responsabilidade social melhora consideravelmente a
imagem e por conseqüência pode ser uma fantástica ferramenta de marketing.
Seja lá qual for a razão o importante é que os consumidores vêem com muito
bons olhos os produtos e as empresas que estão atuando com este objetivo. E por
que não incluir neste rol, a inclusão na sociedade e respeito às pessoas
portadoras de deficiência.
A quarta razão é um tipo de efeito colateral
que somente quem já contratou um PPD sabe que existe. Trata-se da razão EMOCIONAL,
ou seja uma explosão de sentimentos positivos que invadem a empresa
exclusivamente devido ao fato de existir um colega PPD.
São muitos os relatos de empresas onde houve
uma significativa melhora do clima interno, da alegria, da satisfação em
trabalhar na organização, aumento da solidariedade entre os colegas, maior
valorização do ser humano, etc.
Afinal quem que não tem um parente direto
portador de deficiência?
E o que foi feito para que esta pessoa tivesse
a chance de poder sentir-se útil, trabalhando como qualquer outro ser humano?
Quando vemos jovens portadores de deficiência
mental trabalhando ativamente no McDonalds, que sentimento nos passa pela mente?
Este mesmo sentimento poderá passar pela mente
dos clientes de sua empresa ao saber que ela contrata e dá a possibilidade
destas pessoas poderem sonhar.
Logicamente algumas dificuldades vão aparecer,
tais como um pequeno investimento para garantir a acessibilidade, adaptação de
equipamentos e orientação profissional no período inicial.
Hoje, conhecendo o sucesso dos programas de
inclusão em várias empresas, podemos afirmar que, além do cumprimento dos
indicadores de performance das atividades para a qual foram contratados, a
melhoria do clima organizacional e o ganho positivo na imagem da empresa perante
a comunidade, clientes e fornecedores são razões mais que suficientes para
implementar um projeto de contratação destes profissionais. Relativamente ao
Profissional Portador de Deficiência um fator relevante a ser considerado, é a
satisfação pessoal do ser humano que passa a ser tratado como um CIDADÃO.
MAURO RIBEIRO
CONSULTOR DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA
COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
PS. Solicite ao INSTITUTO MVC proposta sobre o
tema – lacostacurta@terra.com.br
11 3171-1645 / 285-2438
REFERÊNCIAS
- Ricardo Tadeu Marques da Fonseca - O Trabalho
Protegido do Portador de Deficiência
- José Pastores – Oportunidades de Trabalho para Portadores de Deficiência
– Editora LTR. |