Conversando sobre gestão estratégica
Conversando
sobre gestão estratégica
Sabemos
que manter a competitividade em alta é um desafio permanente para todas as
empresas. Uma das “ferramentas” para sustentar essa capacidade é a gestão
estratégica. É um processo e deve ser de responsabilidade da alta administração.
Entretanto, deve ser compartilhado com outros níveis de gerência, quando
houver, buscando o envolvimento e comprometimento de todos para o planejar, o
gerenciar, o executar, o acompanhar e o de corrigir rumos quando necessário. É
um processo macro e essencial para a condução de um negócio marcado nos dias
de hoje pela necessidade de mudanças muitas vezes radicais, inúmeras turbulências,
etc.
A gestão estratégica pode ser implementada, considerando-se as proporções e
necessidades, em grandes, médias e também pequenas empresas. Ao pensar em adotá-la,
faz-se necessário em primeira instancia, a vontade e a disposição.
A partir do momento em que se decide realmente pela gestão estratégica do negócio,
o passo seguinte é a elaboração do plano. Vale lembrar que se trata de
atividade que necessita de investimento em tempo e em dinheiro. Faço essa
lembrança por já ter visto planos “engavetados” ou mau implementados. Não
é uma tarefa “do outro mundo” mas também não é simples. Exige, entre
outras coisas, informações consistentes, coerentes, relevantes e em sintonia
com o mercado, conhecimento teórico-prático da área de planejamento estratégico,
postura, firmeza de propósitos, seriedade e liderança.
Na elaboração do plano, deveremos atentar para a dimensão do tempo de abrangência
e as etapas.
Quando citamos etapas, lembramos de que é elementar analisarmos os ambientes da
empresa.
Devemos considerar para a análise do ambiente externo os seguintes componentes:
econômico, político, legal, demográfico, tecnológico, social e natural. Além
desses, não podemos esquecer da análise da concorrência, da probabilidade de
novos competidores, dos produtos e ou serviços que podem ou substituem os
nossos em alguma ocasião/situação, os fornecedores existentes e os
consumidores/clientes. Cabe analisar também as tendências e os números do(s)
segmento(s) de mercado em que a empresa atua. Desta análise, identificamos as
oportunidades e as ameaças tanto presentes como futuras. Bom lembrar que uma
ameaça pode vir a tornar-se oportunidade.
Para a análise do ambiente interno, consideramos, em geral, os aspectos
inerentes às áreas de Marketing, Finanças, Recursos Humanos e Produção da
empresa. Esta análise tem por objetivo mostrar-nos as nossas deficiências e
qualidades, ou seja, nossos pontos fortes e fracos. Não podemos esquecer de
estabelecer uma comparação com outras empresas do setor, sejam elas
concorrentes diretas ou indiretas ou, ainda, potenciais concorrentes.
Após esta análise, elaboramos as declarações da “visão” e da “missão”
da empresa, ou seja, deveremos estabelecer a posição que desejamos estar no
futuro e as atividades que deveremos concentrar nossos esforços para alcançarmos
tal posição.
Tanto para a visão quanto para a missão, devemos defini-las de forma simples e
clara. É preciso que todos na empresa entendam, partilhem e sintam-se
motivados.
Na missão, dentre os tópicos que podem ser abordados podemos citar:
tecnologia, qualidade, responsabilidade social, compromissos com os
clientes internos e externos e com a sociedade. Chamo a atenção para procurar
evidenciar na “missão” o conceito do negócio.
Recomendo, após as declarações da “visão” e da “missão” o
estabelecimento dos “FaCS” (Fatores Críticos de Sucesso) para o negócio.
Os “FaCS” são um número limitado de condições que asseguram a consecução
da missão da organização. São os aspectos-chave nos quais as coisas têm que
dar certo para obtenção dos resultados esperados.
Elaboradas a “visão” e a “missão” e estabelecidos os “FaCS”
devemos declarar os “princípios” e os “valores” que nortearão a
empresa e que contribuam de forma elucidativa. Para estas declarações “a prática
deverá refletir o discurso”. Não basta apenas escrever, devemos praticá-las
e o não cumprimento levará ao descrédito.
Normalmente, algumas dessas declarações envolvem questões éticas. Não
devemos apenas citá-las para “fazer de conta” que praticamos na empresa e
até individualmente. A sociedade de uma forma geral não aceita nem tolera mais
ser ludibriada e enganada.
Ao partirmos para a definição dos objetivos da empresa, uma outra etapa,
lembramos que estes deverão ser claros, entendidos, escritos e comunicados,
quantitativos quando for o caso, realizáveis para que funcionem como tensores
motivacionais, operacionalizáveis e consistentes. Deve ser compartilhado e
absorvido por todos os integrantes da equipe.
Vencidas as etapas anteriores, a empresa deverá identificar e desenvolver
estratégias gerais e funcionais, de forma combinada, para atuar, posicionar-se
e alcançar os objetivos propostos.
Para as duas etapas anteriores, devemos tomar o cuidado para com o planejamento
da estrutura da organização, ou seja, entre outros assuntos, atentar para as
instalações e equipamentos, o estabelecimento de procedimentos necessários e
a preparação dos colaboradores para o exercício das suas atividades. Neste último
aspecto, deveremos fornecer os meios para auxilia-los nos seus desempenhos e no
trabalho em equipe. Cabe, inclusive, uma melhor identificação do perfil dos
colaboradores para que possam até trabalhar multidisciplinarmente e desenvolver
suas competências e potencialidades.
Agora é a hora de desenvolver um plano contendo as ações. Essas ações
devem derivar das estratégias. Normalmente utilizamos um quadro contendo a
descrição de cada ação, como será desenvolvida e implementada, quem será o
responsável por cada uma delas, os prazos para a implementação e quanto
custará para a empresa.
A última etapa a ser elaborada é a de como será feito o controle e a
auditagem da gestão em curso. Recomendo, entre outros pontos, medir o
desempenho e comparar esse desempenho medido com os padrões existentes, fazer
uma análise concentrada, desenvolver soluções alternativas e tomar atitudes
corretivas caso haja necessidade.
Alguns lembretes/recomendações importantes:
·
Gestores deverão procurar ter a visão de negócio e não apenas dos seus
produtos e/ou serviços;
·
Gestores deverão procurar repensar os seus e os “paradigmas” da organização;
·
Gestores não podem ser paternalistas;
·
Gestores não podem e nem devem reter informações como forma (ultrapassada) de
assegurar o poder;
·
A comunicação na empresa deverá ser em todos os sentidos (de cima para baixo,
de baixo para cima e horizontalizada) e transparente, fortalecendo a participação
das pessoas em todos os processos. É nesse novo ambiente que os colaboradores
estão ganhando mais espaço e contribuindo;
·
Quando uma empresa decidir contratar profissionais no mercado para auxilia-las,
sejam elas para colaborar regidos por vínculo empregatício ou mesmo
consultores externos, deve avaliá-los em termos de conhecimento, competência técnica,
capacidade de relacionar-se e de trabalhar em equipe, experiência, honestidade
e caráter;
·
Todos numa empresa devem atentar para a relação com os fornecedores,
comunidade onde está inserida, enfim, com todos os públicos que, de alguma
forma, fazem parte da sua existência;
·
É preciso que os gestores sejam líderes para ouvir e dar a devida importância
às sugestões, críticas e análises dos colaboradores. Valorizar o que o
cliente interno diz é essencial para conseguir atender o cliente externo
superando suas expectativas. Não esquecer de que a satisfação do cliente
interno estará repercutindo na satisfação e manutenção do cliente externo.
Nildo Leite,
Consultor de Empresas, palestrante, coordenador e professor de cursos de pós-graduação
e graduação em instituições de ensino em Salvador-Bahia nas áreas de Gestão
Estratégica e Marketing. É mestrando em Marketing e Gestão Empresarial
pela Universidade Internacional de Lisboa – Portugal, pós-graduado em
Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), em
Administração com ênfase em Recursos Humanos pela Universidade Estácio de Sá
(UES-RJ) e em Estudos de Política e Estratégias Nacionais pela Escola Superior
de Guerra (ESG/ADESG-BA).
nildo.leite@uol.com.br |