Crescimento Compartilhado
INTRODUÇÃO
Chefes empurram, líderes puxam ...
Chefes têm voz mais forte, líderes têm ouvidos mais acurados ...
O convite para
desenvolver um trabalho de transmissão de conceitos de qualidade, com dois
enfoques, um voltado para padrões de qualidade de recursos, tecnologia e
processos e outro abordando aspectos comportamentais, envolvendo princípios de
mudança e comprometimento, não refletia a realidade que se colocaria a nossa
frente, tão logo este programa, inesquecível, se efetivasse.
Esta empresa,
produtora de artefatos de papel, com cerca de 150 empregados, era dirigida por
um grupo de cinco profissionais, irmãos, tendo outros membros da família em
seu quadro efetivo.
A empresa, que
historicamente desenvolvia um movimento típico de organizações semelhantes,
mostrava um caminho para o futuro provavelmente sem grandes novidades ou
descobertas.
Os irmãos se
sucediam, em forma de rodízio, na direção da empresa, e, na ocasião do
convite, estava no comando o irmão mais jovem do grupo.
Na oportunidade,
contratos firmados com empresas de posição relevante no cenário nacional
abriram à empresa oportunidades até então não acessíveis.
Novas cores, novos cenários, novos ambientes ...
Os resultados econômicos e financeiros logo se fizeram sentir. A
disponibilidade para investimentos e para o custeio de ações de melhoria no
ambiente profissional tornaram-se uma significativa e palpável realidade.
Na primeira
conversa com o diretor, disse-me que a equipe de colaboradores estivera com ele
durante os tempos difíceis. Ele gostaria de retribuir, por meio de nosso
programa, toda esta solidariedade e comprometimento, dando aos membros da
equipe, um novo sentido de qualidade as suas vidas pessoais e profissionais.
O que se passou, a
partir deste primeiro contato, foi uma sucessão de eventos interessantes,
reveladores do impacto provocado nas equipes pela ação diferenciada de seus
componentes.
Para se ter uma idéia
do mecanismo de ações e reações, um exemplo merece ser citado.
Em um determinado mês,
iniciou-se um programa de esforços concentrados com o objetivo de atingir um
resultado reconhecidamente desafiador. Os esforços individuais e coletivos
foram flagrantes, mas, por razões que se colocaram fora do alcance de suas
influências, não permitiram a consecução dos resultados.
Na mente do
diretor, mesmo com o resultado não alcançado, o esforço fora flagrante. A não-consecução
do resultado não descredenciava nem desmerecia o esforço para alcançá-lo.
Por esse motivo, não
aceitou o resultado sem mostrar seu reconhecimento pela dedicação da equipe. Não
podendo retribuir, por exemplo, convidando a todos (incluindo suas famílias)
para um gigantesco churrasco no fim de semana (havia espaço suficiente nas
dependências da empresa), optou por fechar um contrato com um frigorífico,
que, numa marcante e inesquecível sexta-feira, entrou na fábrica com um caminhão
contendo uma peça de carne para cada funcionário. Isto permitiria a todos
curtirem um belo churrasco com família e amigos, no fim de semana. Inusitado?
Sim, mas objetivo e concreto.
Manuais de liderança
estão disponíveis e cada um delas terá uma gama bastante ampla de opções de
modelos de reconhecimento e retribuição, a serem adotados por líderes, em
relação aos seus subordinados.
Fred Polak,
em seu livro "A visão do futuro", afirma que a visão é a
ação que muda o mundo, que visão sem ação é um sonho, e que ação sem visão
é um passatempo; ter uma visão positiva de futuro é um poderoso motivador. A
visão, portanto, é o resultado dos sonhos em ação.
Estar atento aos
sinais e às atitudes, aos comportamentos e aos resultados das ações de seus
subordinados é o principal diferencial competitivo de um líder comprometido
com a contemporaneidade.
Conhecer o perfil
de sua equipe, as características marcantes, capazes de, senão prever, ao
menos delinear o caminho escolhido pela equipe, na tentativa de atingir seus
objetivos exige, dos líderes, um exercício de competência para, percebidos os
sentimentos, selecionar as ações de resposta da liderança.
Algumas questões podem ser postas pela liderança na reflexão sobre a
qualidade do impacto provocado pelo líder sobre a ação de seus liderados:
* Responsabilidade e autoridade claramente
definidas?
* Indisciplina pessoal de membros da equipe contaminando negativamente seus
pares?
* O clima interno de trabalho favorece a integração?
* Mudanças são implementadas sem planejamento e comunicação adequados?
* Os padrões de trabalho têm avaliação ou reflexão constante sobre sua
efetividade?
* Há lógica entre a estratégia organizacional e a operação propriamente
dita?
* A liderança, em vez de se impor, procura parceiros para suas idéias?
* Nas crises, em vez de tratar de solucionar problemas, procuram-se culpados?
* Os membros da equipe têm consciência das conseqüências
positivas ou negativas de seus atos e decisões?
* Momentos de crítica são
superficiais e adia-se a transmissão de informações negativas à equipe?
·* Os membros da equipe sabem a real
finalidade do que fazem?
Colocar em ação
decisões tomadas a partir de uma visão inicial, gerando respostas no sentido
de obter um resultado esperado mostra a competência de um líder.
Na visão de Philip Kotler e Gary Armstrong, há um conjunto de variáveis com
condições de interferir nos resultados de seus negócios produtivos:
*A capacidade visionária da
liderança;
* A dedicação dos funcionários da
organização;
* O perfil de uma orientação
empreendedora, pelos líderes;
* A flexibilidade, diante de processos
e resultados;
* O nível de orientação geradora de
comprometimento com o negócio.
O líder consciente
tem para si, muito claro, o padrão de influência e de importância que essas
variáveis exercem sobre o resultado.
Monitorar cenários
externos a seu segmento de trabalho, identificando as expectativas de sua
clientela, interna e externa, conhecendo as estratégias e as metas da organização
são responsabilidades de quem exerce a liderança de pessoas e está inserido
em um contexto gerador de resultados.
Vale observar,
todavia, a necessidade fundamental de conhecer, de forma intensa, o nível de
qualidade das expectativas dos membros da equipe, ao desenvolver mecanismos de
resposta.
O entendimento dos
traços culturais que prevalecem entre os membros da equipe permite ao líder
delinear, de forma mais efetiva, os mecanismos de impacto com dimensão de
qualidade suficiente para significar como satisfazê-los e motivá-los.
A liderança, ao
mencionar a necessidade, a obrigação em atingir objetivos deverá clarificar,
para a equipe, posturas de reconhecimento.
Ao mencionar a política
de consecução de resultados, a liderança deverá permitir a equipe vislumbrar
oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
Ao mencionar a
expectativa de lucro, a liderança deverá buscar o comprometimento da equipe
pela real possibilidade de participação de seus membros no benefício gerado
pelo resultado atingido.
Uma empresa, com um
efetivo consistente na área de vendas, durante um bom tempo oferecia prêmios
aos vendedores que atingiam ou superavam metas. Isto fez parte da política da
empresa até o dia em que se descobriu, quando da premiação, aguardando fora
da empresa, um grupo de pessoas esperando pelos prêmios, que, antecipadamente já
haviam sido comprados dos vendedores.
Um outro exemplo
nos leva a uma empresa multinacional, que oferecia um relógio de ouro, de marca
famosa, valiosíssimo, aos empregados que completavam 25 anos de serviços
prestados a empresa. Estes empregados, alguns simples operários, não sabiam o
que fazer com os relógios, de altíssimo valor. Guardavam, escondiam, vendiam,
mas raramente usufruíam publicamente do presente.
Carl Rogers
nos ensina a adotar uma atitude, em sua opinião, respeitadora das expectativas,
anseios e valores das pessoas, notadamente aquelas envolvidas em nossas relações
produtivas de trabalho: a escuta eficaz, ou escuta ativa, onde é
essencial verificar se fazem sentido as mensagens trocadas entre as pessoas.
Se o líder se propõe
a reconhecer o esforço e o trabalho de alguém, leva em consideração o
universo em que circula esta pessoa.
Dirigir-se à
equipe ou agir em prol da equipe sem levar em conta a sua realidade é
exprimir-se em um idioma ininteligível para quem recebe a mensagem.
Conclusão
No início do século XXI uma antropóloga fez um trabalho junto a uma tribo
onde se registravam altos índices de suicídio de homens adultos. Nesta tribo,
como prova de virilidade, as anciãs entregavam machadinhas de pedra,
confeccionadas por estes anciãos, sábios, aos seus varões.
Um grupo de missionários,
que passou a desenvolver um trabalho de catequização desta tribo,
identificando a necessidade de suprir a tribo de recursos e instrumentos que
lhes permitissem caçar, cortar alimentos, lenha, defender-se, distribuíram, a
todos os membros da tribo, machadinhas mais fortes e eficientes.
A partir desta
decisão, o que era um sinal de honra, ter uma machadinha confeccionada pelos sábios,
passou a ser uma vergonha. Qualquer membro da tribo, homem, mulher, adolescente
ou criança, passava a portar uma machadinha, mais eficaz, e que não exigia
prova de virilidade. Da vergonha ao suicídio, foi um passo.
O líder, na
visão contemporânea de Likert, tem como característica influenciar
pessoas e gerar resultados. Poderíamos complementar esta afirmativa
incluindo a necessidade de também fazer a leitura competente das expectativas e
dos anseios por reconhecimento e de oportunidade, dos membros da equipe.
FRANCISCO
BITTENCOURT
Consultor do MVC
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