Desperdícios Ou Recursos
Na guerra da competitividade, acirrada pela
estabilização da economia e eliminação das alíquotas de importação,
empresas brasileiras estão a beira de um ataque de nervos.
Esgotados os modelos que prevaleceram ao longo
dos últimos anos, elas buscam soluções para recuperar a competitividade,
enquanto vêem suas margens de rentabilidade desaparecer. Iludidas com os ganhos
fáceis do mercado financeiro e clientes pouco exigentes, incorporaram ineficiências
aos processos, repassando custos exagerados ao consumidor final. Desta forma a
vocação produtiva foi gradativamente sendo relegada a segundo plano, e os
desperdícios se multiplicaram nas inúmeras configurações.
Quando alguém fala em desperdícios todos
concordam que eles não só existem como estão arraigados na cultura do país e
das empresas. O que ninguém se dá conta é quanto representam, e como explorar
este filão. Metodologias até que existem em abundância: sejam JIT, KANBAN,
TQC, KAIZEN, 5S, TPM, OPT, MASP, PDCA, etc. Estas siglas formam uma sopa de
letrinhas que se torna indigesta na medida em que os programas não são
absorvidos, e consequentemente não evoluem ao longo do tempo.
Pontos Fundamentais
Ao implantar um programa voltado a eliminação
dos desperdícios, dois pontos são fundamentais: o conhecimento dos processos e
a adequação dos conceitos às peculiaridades de cada organização.
O conhecimento dos processos sejam eles
administrativos ou produtivos permite identificar a metodologia ideal para cada
situação. Isto requer um polarizador com know how e experiência prática,
para convencer e conduzir os esforços do grupo de apoio no sentido do objetivo
estabelecido. Além disso, devem ser avaliados os recursos disponíveis, no
sentido de alcançar racionalização e simplicidade operacional. Tentar impor
qualquer metodologia pelo simples resultado de sucesso em outras organizações
não é suficiente, e pode conduzir a experiência ao fracasso.
A adequação dos conceitos às peculiaridades
de cada organização é necessária para transformar um produto genérico em
algo que tenha a cara da empresa. O processo não é similar a compra de um
terno pronto. onde um ajuste na bainha ou na cintura são suficientes. Neste
caso o terno tem que ser feito sob medida, e o alfaiate não pode ser um simples
costureiro. Além da experiência comprovada ele tem que respeitar as
peculiaridades do cliente, a cima das tendências da moda.
Respeitar estas duas premissas é condição sine
qua non para implantar um projeto específico de eliminação de desperdícios,
com grandes possibilidades de sucesso. Porém, cumpridos estes pressupostos, é
preciso incorporar a metodologia escolhida à cultura da organização, obtendo
o envolvimento dos diferentes níveis hierárquicos. Sem o comprometimento de
todos não será alcançado o processo de melhoria contínua, que deverá
respaldar a evolução permanente do programa.
A eliminação dos desperdícios pode
representar fonte inesgotável de recursos e o diferencial de competitividade
entre empresas. Mas cuidado durante a implantação. Não basta aplicar um
produto com cara de lebre, focinho de lebre, corpo de lebre, se não age como
lebre. Você provavelmente adquiriu gato por lebre.
OBS: Material retirado do seminário do MVC -
Instituto M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo - Programa Anti-Desperdício.
- Consultor - Paulo Décio
Ribeiro - Consultor do Instituto MVC - Estratégia e Humanismo
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