Destruição criativa em vendas
Destruição criativa
em vendas
"Ao contrário de aluguéis e salários,
o nível de lucro não sobe com a prosperidade nem cai com as depressões da
sociedade. Ao contrário – ele é naturalmente baixo em países ricos e alto
em países pobres, e é sempre mais alto nos países dirigindo-se rapidamente
para a ruína".
Quem disse isso foi Adam Smith, um dos papas da Economia como a conhecemos, no
seu clássico A Riqueza das Nações. Para Smith, lucros eram sinônimo
de monopólios, favoritismo, restrições, estagnação e pouca inovação. Se
você parar para pensar e analisar bem, essa era mais ou menos a situação do
Brasil antes da abertura e da globalização. Num cenário desses, ter lucro
transforma-se apenas numa questão de aumentar a participação de mercado,
aumentar preços e/ou reduzir custos. O mercado é dominado por poucas empresas,
que ditam os termos das transações. O consumidor é apenas um número, uma
estatística, um meio para se atingir o fim.
Eis que barreiras começam a cair, chegam empresas estrangeiras, aumenta a
competitividade. As empresas brasileiras, atacadas, são obrigadas a compactuar
com o inimigo (muitas vezes sendo vendidas diretamente) ou brigar por uma posição
no mercado – com diminuição de lucros, já que a concorrência aumentou.
Um sinal disso já havia sido dado em 95 por Bill Gates em A Estrada do
Futuro (depois de citar Adam Smith, por acaso): "A Internet nos levará
a um mundo de baixo atrito, capitalismo de baixo custo, onde o mercado estará
bem informado e os custos das transações será baixo. Será o paraíso dos
compradores".
Smith via o lucro como um subproduto da ineficiência econômica. Karl Marx
pegou essa tese e ampliou-a no Das Kapital, pregando que lucros cada vez
menores acabariam com o capitalismo. Marx, como você já deve ter ouvido falar,
estava errado. Smith também.
Os dois subestimaram o poder dos avanços tecnológicos e organizacionais para
aumentar a produtividade. Ou seja, a economia, pessoas e empresas evoluíram.
Através dessa evolução, as empresas podem continuar descobrindo novas formas
de lucrar.
Quem melhor dissecou os erros dos dois foi o economista austríaco Johan
Schumpeter, que defendia a tese da ‘destruição criativa’, num ciclo
constante de renovação e melhorias. Mas a melhor visão sobre a origem do
lucro vem de Frank Knight, que escreveu Risk, Uncertainty and Profit
(Risco, Incerteza e Lucro). Para ele, o lucro só decorre de duas coisas: monopólio
ou incerteza. O monopólio com os problemas de sempre, e a incerteza sendo
vista, neste caso, como a tomada de riscos calculados, onde alguns acertariam
suas previsões (lucro) e outros errariam (prejuízo). Traduzindo: o lucro pela
incerteza é um prêmio aos empreendedores arrojados, que agem enquanto os tímidos
ficam olhando.
Mas você pode criar um monopólio: basta fazer com que seu produto ou serviço
diferencie-se tanto da concorrência que transforme-se em algo único, que ninguém
mais consegue oferecer.
Resumindo toda esta história: num mercado cada vez mais competitivo, onde os
consumidores têm cada vez mais acesso às informações, empresas que queiram
vender (e lucrar mais) só terão duas alternativas:
- Tomar decisões arrojadas, destruindo-se
criativamente e reinventando-se (estamos falando de empresas, produtos,
serviços, mas também das pessoas, das suas carreiras e desenvolvimento
profissional, que não podem ficar estagnados).
- Diferenciar-se tanto da concorrência, seja
por inovações tecnológicas, marketing, sistemas internos, investimentos
em recursos humanos, design, atendimento e satisfação dos clientes, etc.,
que você seja visto como o único no seu nicho, mesmo que existam outros
(pense em McDonald’s – quantos lugares vendem sanduíches no Brasil?).
Nos dois casos é necessário ter audácia e
arrojo – coisas que faltam aos profissionais acostumados a mercados
protegidos, e que sobram aos estrangeiros que chegam (e aos jovens que estão
entrando no mercado de trabalho). Então, se encontrar alguém reclamando do seu
faturamento, saiba que de duas uma: ou é um acomodado, que parou no tempo, ou
alguém que não teve a criatividade e a persistência de diferenciar-se
competitivamente.
Então esta quinzena seja mais arrojado, reinvente-se criativamente,
diferencie-se, e venda mais.
Raúl Candeloro,
Autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado,
é editor da revista Técnicas de Venda e responsável pelo site VendaMais
www.vendamais.com.br candelo@zaz.com.br |