DETALHES - PARA A GENTE PENSAR UM POUQUINHO
DETALHES - PARA A GENTE
PENSAR UM POUQUINHO
Sou um profissional de treinamento e
minha principal área de atuação é a QUALIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO
CLIENTE.
Minha atividade fez com que eu desenvolvesse, ao longo do tempo, uma percepção
bastante aguçada e crítica com relação aos pequenos detalhes que fazem um
atendimento ter ou não ter qualidade.
Não tenho a pretensão de afirmar que nada me passa despercebido, mas quase
nada. Sendo assim, em minhas andanças diárias pelo comércio, visitando
empresas de diversos ramos de atividade, de diversos portes, de comércio de rua
e de shoppings, deparo-me, não poucas vezes, com uma extrema carência na
qualidade do atendimento prestado.
Em diversas ocasiões fico me questionando: "Será que as outras pessoas,
os consumidores, os clientes desses estabelecimentos não percebem esses
detalhes de precariedade que eu percebo ?"; "Ou será que não se
importam com isso ?; Será que não se importam com um atendimento de tão baixa
qualidade que muitas vezes recebem?"
Diante da falta de investimento em treinamento de boa parte dos empresários do
comércio varejista e, também, da direção de alguns shoppings centers; diante
dos baixos índices de educação formal e de aperfeiçoamento dos
atendentes/vendedores, da quase inexistência de hábitos de leitura e educação
continuada e diante da precariedade do atendimento oferecido em boa parte das
lojas, resolvi realizar uma pesquisa junto aos consumidores para ver se eles se
importavam com isso.
Ofereci-me para realizar, gratuitamente, uma pesquisa nos dois maiores shoppings
de Porto Alegre. Pretendia uma amostragem de 300 pessoas, divididas por sexo,
faixas etárias, nível de escolaridade e de renda, de modo a constituir um
reflexo o mais aproximado possível da realidade. Nenhum dos shoppings se
interessou pelo trabalho e nenhum me autorizou a realizar o mesmo em suas dependências,
afirmando que já possuíam suas informações, que realizavam pesquisas periódicas
e que não gostariam de ver seus clientes abordados, ou "incomodados"
de alguma forma.
Deparando-me com essa impossibilidade, resolvi realizar a pesquisa por conta própria,
não mais nos shoppings mas sim em meus treinamentos, aplicando o questionário
aos participantes dos mesmos, até porque todos também são consumidores. Minha
intenção, com isso, era, além de coletar os dados necessários ao meu estudo,
despertar nos treinandos - a maioria profissionais de atendimento e vendas no
comércio - exatamente a percepção dos detalhes num atendimento de qualidade.
O resultado dessa amostragem está aqui; traz informações bastante
interessantes e, com certeza, serve para inúmeras reflexões. Vejamos:
O questionário foi aplicado a 56 participantes, de 13 empresas diferentes.
27% dos entrevistados estão na faixa etária dos 18 aos 25 anos
33% entre 26 e 35 anos
49% do sexo masculino e 51% do sexo feminino
51% casados (as), 41% solteiros, 8% outros
70% não estão estudando
41% dos entrevistados vão a shoppings uma vez por mês
15% vão a cada 15 dias
29% uma vez por semana
5% 2 a 3 vezes por semana
10% vão todos os dias
4% consideram o atendimento que recebem nas lojas e estabelecimentos dos
shoppings como excelente (caloroso, simpático)
8% consideram regular, mas não se importam com isso
72% consideram regular e acham que precisa melhorar
11% consideram o atendimento indiferente ou neutro
5% consideram ruim ou péssimo
66% dos entrevistados, quando recebem um
atendimento de má qualidade, viram as costas e saem da loja
11% relatam a insatisfação para o
atendente
7% procuram o gerente para reclamar
11% preenchem formulários de reclamação
5% recorrem a serviços de atendimento ao consumidor
95% dos entrevistados, quando recebem um atendimento insatisfatório,
costumam relatar o ocorrido a pessoas de suas relações
5% não costumam comentar o fato com outras pessoas
68% costumam recomendar às pessoas de
suas relações para não irem àquele estabelecimento onde receberam um
atendimento ruim
Dentre as atitudes que causam maior
aborrecimento e insatisfação, as 5 alternativas mais assinaladas foram as
seguintes:
- Demora para vir atender, não dar atenção
- Não deixar o cliente à vontade, seguir o
cliente como uma sombra
- Não cumprir aquilo que prometeu
- Não saber ouvir, ou dar informações
incorretas
- Excesso de agressividade
Dentre os fatores que prezam em um
atendimento de qualidade (mencionados de forma expontânea), os cinco mais
citados foram os seguintes:
- Simpatia (mencionado 28 vezes)
- Conhecimento do produto (23 vezes)
- Educação (11 vezes)
- Rapidez (9 vezes)
- Agilidade e Boa apresentação pessoal (8
vezes)
De modo expontâneo, também, foi solicitado
que mencionassem estabelecimentos onde consideram o atendimento excelente. Os
mais citados foram os seguintes:
- Lojas Renner e Mc Donalds (14 citações)
- Paquetá e Lojas Colombo (4 citações)
- Supermercados Záffari, Supermercados
Bourbon, C&A e Gang (3 citações)
100% dos entrevistados disseram que
costumam comentar com as pessoas de suas relações quando recebem um
atendimento altamente qualificado
98% costumam recomendar o local onde são bem atendidos
70% costumam comparar os atendimentos que recebem, mesmo que as empresas não
sejam do mesmo ramo
10% não comparam e 17% nunca haviam pensado sobre isso
Quando ocorre algum problema mal resolvido de
troca de mercadoria, assistência técnica, garantia, etc
27% voltam a comprar no lugar uma vez resolvido
o problema
24% nunca mais retornam ao estabelecimento
14% recorrem a serviços de defesa do consumidor
35% falam mal daquele estabelecimento para as pessoas de suas relações
Com relação ao aperfeiçoamento profissional,
qualificação e requalificação profissional dos atendentes/vendedores:
19% disseram que deve ser de iniciativa do próprio profissional
6% disseram que deve ser de iniciativa do estabelecimento comercial
2% disseram que deve ser de iniciativa das direções dos shoppings
73% disseram que deve haver iniciativa conjunta – dos profissionais, dos
estabelecimentos comerciais e dos shoppings
94% dos entrevistados disseram perceber
quando do atendimento que recebem se o estabelecimento treina seus funcionários
para bem atender
92% afirmaram que o fato de uma empresa treinar seus funcionários faz diferença
positiva para eles, enquanto consumidores
70% dos entrevistados não possuem microcomputador, nem acessam a Internet de
outros equipamentos
Dos que possuem microcomputador, apenas 7% já realizaram algum tipo de compra
pela Internet
Diante dos resultados desta pesquisa, se pode
aferir que existe uma percepção quanto à necessidade de melhorar o
atendimento.
Nada melhor do que se colocar na condição de
consumidor, de cliente, para chegar naquela máxima: TRATAR O OUTRO COMO VOCÊ
GOSTARIA DE SER TRATADO.
E por que não o fazem, então ?
Tudo é uma questão de prática, de mudança
de hábitos, de treinamento, de repetição, de continuidade, de persistência.
Ninguém muda um comportamento da noite para o dia. Nenhuma consultoria ou
profissional de Recursos Humanos tem varinha de condão, ninguém faz mágica.
É necessário investir na qualificação e requalificação dos profissionais
do comércio em geral.
Mas, conforme a própria pesquisa aferiu, a iniciativa por esse aperfeiçoamento
não pode ser isolada, pelo contrário, deve ser conjunta entre os
profissionais, os empresários dos estabelecimentos comerciais e, também, das
direções dos shoppings. Mas não ações esporádicas e sim um programa
permanente de aperfeiçoamento, envolvendo todos os colaboradores.
Comparativamente às verbas destinadas à publicidade e propaganda dos shoppings
e das ações de marketing de atração de consumidores em datas significativas
do calendário comercial, as quantias destinadas a treinamento, à promoção de
palestras, seminários, workshops, etc. são ínfimas. Assim, gasta-se uma
fortuna para atrair o consumidor e muito pouco, ou quase nada, para bem receber
esse consumidor e fazer com que sua vinda ao shopping se concretize num maior
volume de compras.
Em outra pesquisa realizada com o mesmo grupo de treinandos, procurou-se aferir
dados referentes à escolaridade, hábitos de leitura, investimento em qualificação.
Pelos resultados que adiante iremos mencionar, se pode ver o tamanho do caminho
a ser percorrido para a melhora que é necessária. Senão, vejamos:
- 9% dos entrevistados possuem apenas o
primeiro grau
- 6% estão cursando o segundo grau
- 51% possuem o segundo grau completo
- 28% estão cursando nível superior
- apenas 6% possuem nível superior completo
Dos que estão cursando o 3º grau, 2 fazem
Educação Física, 2 Administração de Empresas e os demais Publicidade, Serviço
Social, Jornalismo, Psicologia, Relações Públicas, Economia, Fonoaudiologia e
Biologia. Pela análise dos diversos tipos de cursos superiores mencionados, se
pode verificar que a atividade comercial para esses profissionais é apenas um
bico, uma atividade passageira.
- 64% dos entrevistados participaram de apenas
1 a 3 cursos de atualização profissional no ano anterior
- 8% participaram de 4 a 12 cursos
- 28% não participaram de NENHUM CURSO no
ano anterior
- 15% dos entrevistados decidiram e
patrocinaram seus cursos
- 30% o profissional decidiu e a empresa
patrocinou os treinamentos
- 55% a empresa decidiu e patrocinou
APENAS 8% dos entrevistados afirmaram possuir
um nível intermediário em relação ao conhecimento de outros idiomas
Com relação a hábitos de leitura:
- 72% lêem jornais diariamente
- 9% lêem jornais uma vez por semana
- 15% lêem de vez em quando
- 4% não responderam
- 68% lêem revistas para buscarem informações
- 17% lêem revistas apenas para lazer
- 2% não lêem revistas
- 13% não responderam
- 43% afirmaram que lêem de 1 a 3 livros por
ano
- 15% afirmaram que lêem de 4 a 7 livros por
ano
- 6% afirmaram que lêem mais de 8 livros por
ano
- 17% afirmaram que não lêem livros
- 19% não responderam
Com relação ao volume de investimento
(total em R$), neste ano, com cursos, treinamentos, livros, assinaturas de
revistas, jornais, etc - QUANTO VOCÊ GASTOU DO SEU PRÓPRIO BOLSO ?
- 36% responderam que gastaram menos de R$
100,00
- 17% gastaram entre R$ 100,00 e R$ 200,00
- 10% gastaram entre R$ 201,00 e R$ 500,00
- 4% gastaram entre R$ 501,00 e R$ 800,00
- 2% gastaram entre R$ 801,00 e R$ 1.000,00
- 2% gastaram acima de R$ 1.000,00
- 22 % não gastaram nada, não investiram 1
centavo na sua qualificação
- 7% não responderam
Quais as áreas que gostaria de ter maior
aperfeiçoamento? – as 5 alternativas mais assinaladas foram as seguintes:
- Informática (30 citações)
- Qualificação de Atendimento (28 citações)
- Vendas (25 citações)
- Criatividade (24 cittaria de ter maior
aperfeiçoamento? – as 5 alternativas mais assinaladas foram as seguintes:
- Informática (30 citações)
- Qualificação de Atendimento (28 citações)
- Vendas (25 citações)
- Criatividade (24 citações)
- Qualidade Total e Internet (23 citações)
Diante das aspirações profissionais e da
atual realidade do mercado de trabalho, como são considerados os seus hábitos
de leitura, sua participação em cursos de aperfeiçoamento, nível de
escolaridade, etc...
- 30% consideraram suficiente, mas a
maioria se preocupa em melhorar
- 70% consideraram INSUFICIENTE
Entre os fatores mencionados como
dificultadores para ampliar o aperfeiçoamento profissional, os mais citados
foram:
- falta de tempo
- impossibilidades financeiras
Analisando os resultados das duas
pesquisas chega-se claramente à conclusão de que existe uma percepção
quanto à necessidade de aprimorar os processos de atendimento e vendas. O
que falta é um maior volume de informação e, principalmente, conscientização
dos profissionais quanto à necessidade do aprendizado continuado, quanto à
necessidade de adoção de novos hábitos de leitura e aperfeiçoamento
pessoal e profissional. Falta, também, haver a disseminação de conceitos
de administração do tempo, de planejamento financeiro, de aprendizado
cooperativado, da utilização dos recursos da Internet, de modo a minimizar
as dificuldades financeiras e de falta de tempo. Falta conseguir
"enxergar" que, para sobreviver profissionalmente, é imprescindível
se aperfeiçoar.
Os baixos índices de escolaridade e os parcos hábitos de leitura e
treinamento demonstram que empresários e entidades devem, num esforço
conjunto, realizar um investimento que reverta essa situação, de modo a
criar-se uma nova mentalidade de qualificação, que se reverta numa sensível
melhoria dos padrões de atendimento e vendas, aumentando, por conseguinte,
a satisfação do consumidor e o resultado das empresas.
Hoje em dia o desemprego é o maior flagelo do mundo. Para combater o
desemprego só há uma maneira: crescimento econômico e crescimento econômico
só se consegue com venda; e venda só se consegue com padrões de excelência
em atendimento e técnicas adequadas; e atendimento excelente só se
consegue com treinamento, com visão de mundo, com educação, com elevação
da cultura geral, com conhecimento, com o desenvolvimento da capacidade de
buscar, reter, processar e bem utilizar a informação, seja qual for o ramo
de negócio, o porte da empresa ou região.
A qualidade do contato com o ser humano foi, é e continuará sendo o grande
diferencial para o progresso de empresas e profissionais. Os resultados
dessas pesquisas demonstram, sem sobra de dúvida, que o consumidor quer
carinho, simpatia, atenção, respeito e profissionais bem preparados para
atendê-lo. Hoje, o processo de compra deixou de ser um simples ato
rotineiro e tornou-se um evento. O Atendente/vendedor têm que ter consciência
disso e estar tecnicamente preparado e motivado para tornar a experiência
de compra um ato memorável, para que o cliente saia encantado, retorne
outras vezes e recomende o estabelecimento.
Dessa maneira, para a gente pensar um pouquinho e refletir sobre esses
dados, lembremo-nos do grande sucesso de Roberto Carlos: "detalhes tão
pequenos...são coisas muito grandes prá esquecer....e a toda hora vão
estar presentes...você vai ver...".
JOÃO CARLOS BOICZUK REGO
Consultor e Palestrante
Fone/fax (0-xx-51) 333-1080
tradenew@zaz.com.br
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