Discutindo Alguns Mitos Do Marketing
Marketing é um termo americano
definitivamente incorporado ao vocabulário do empresário global. Esta é, para
alguns, uma característica positiva. Como, de forma geral, as empresas só se
preocupam em praticar o marketing quando se vêem ameaçadas pela concorrência,
o consumidor sempre acaba se beneficiando.
Mas nesse artigo nossa preocupação
volta-se para o fato de muitos empresários e executivos ainda darem ao
marketing um sentido incorreto.
Em geral, admite-se que o
marketing foi introduzido na literatura administrativa com o lançamento do
livro "A Prática da Administração", de Peter Drucker, em 1954. As
funções básicas que delimitam seu escopo de atuação - sinteticamente
conhecidas como os 4 P's: produto, preço, ponto de venda e promoção - sempre
existiram. Mas foi Jerome McCarthy, ainda na década de 50, quem nos alertou
para a importância de sua gestão integrada. McCarthy afirmava que somente
assim se poderia alterar ou influenciar o comportamento das pessoas e dos
mercados.
Basta olhar ao redor para
verificar que as empresas estão constantemente se superando na arte de
conquistar e manter clientes. Mas, para garantir a eficácia das ações, temos
que desfazer pelo menos quatro dos inúmeros mitos criados ao redor do
marketing:
- O objetivo do marketing é satisfazer
as necessidades e desejos dos clientes.
Há aqui uma distorção entre
o que é fim e o que é meio. O objetivo do marketing não é
satisfazer as necessidades e desejos dos clientes; essa é sua estratégia.
Marketing visa contribuir para que as organizações atinjam objetivos relativos
a produtos e mercados. Boas idéias podem fracassar porque a empresa voltou-se
exclusivamente para o consumidor e esqueceu-se de seus próprios interesses.
- O cliente tem sempre razão.
Essa é uma armadilha perigosa
que atrai até mesmo experientes profissionais. Não há dúvidas que, quando o
cliente tiver razão, seus direitos terão que ser respeitados. Mas é preciso
ter em mente que não adianta ter clientes satisfeitos e uma empresa falida.
Basicamente poderíamos estabelecer três limites para as obrigações da
empresa: a ética, a lei e a preservação dos interesses de seus acionistas.
- As empresas devem ser orientadas pelo
mercado.
Este é um mito criado pela
sintaxe. A organização não deve ser orientada pelo e sim para o
mercado. É óbvio que a orientação para o cliente facilita a realização de
negócios. Mas existem potencialidades e limitações ditadas, entre outros
fatores, pela própria conjuntura econômica. Não custa lembrar que a forma
como a empresa administra seus produtos, fixa preços, abastece e se comunica
com o mercado não pode levar apenas os interesses do cliente em consideração.
- As empresas devem ser, sempre,
orientadas para o mercado.
Já dissemos que devem ser
orientadas para o mercado, mas devem proceder dessa maneira sempre ? A
resposta é não. O caso mais genérico desta situação é o mercado
monopolista ou oligopolista. Em mercados dessa natureza, a não ser que haja
alguma restrição de ordem legal, as empresas não precisam ser necessariamente
orientadas para o mercado.
Não pretendemos esgotar o
assunto em uma primeira abordagem. Nosso compromisso para as próximas edições
é continuar discutindo ética e estética do marketing, visando contribuir para
que os leitores da Conjuntura Econômica tirem suas conclusões sobre as
vantagens e desvantagens de utilizá-lo como orientação estratégica básica
para seus negócios.
João
Baptista Vilhena
Diretor
do Instituto MVC
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