Drh Uma Visão Européia E ... Global
Assistimos aos Congressos Mundiais de Gestão
de RH, atividade desenvolvidas pelo MCE-Management
Center Europe, braço europeu da AMA American Management Association.
Nosso propósito neste artigo é apresentar
alguns dos aspectos/tópicos mais importantes abordados nos eventos.
Os palestrantes que mais se destacaram foram
MANFRED PERLITZ, RONNY VANSTEENKISTE, N. VENKATRAMAN, LEIF EDVINSSON, ARIES DE
GEUS e STEPHANE GARELLI. Ao longo do texto colocaremos algumas de sua contribuições.
O tema central do Congresso e grande novidade
no mercado foi a importância da "gestão do conhecimento" (vista mais
como algo estático e como um banco de informações) e a "gestão do
capital intelectual" (vista como algo dinâmico que provoca o fluir sinérgico
da informação entre todos os membros da organização).
O capital intelectual foi definido por LEIF
EDVINSSON como o somatório do Capital Humano, o Capital Estrutural (tecnologia,
ativos) e Capital de Clientes.
Segundo LEIF o período de fluxo mais baixo do
capital intelectual ocorre entre 35 e 45 anos; o maior fluxo ocorre antes dos 35
e após os 45. É evidente a contradição entre esses dados e as condições de
recrutamento de executivos e profissionais em nosso contexto. Durante o evento
foi entregue aos participantes o balanço do capital intelectual da SKANDIA,
empresa da qual LEIF EDVINSSON é Diretor .
Uma conseqüência importante da gestão do
capital intelectual é que a metodologia dos programas de treinamento deve não
só facilitar/incentivar a aquisição individualizada da aprendizagem, mas também
o intercâmbio e sinergia entre aqueles que adquiriram o conhecimento.
Na opinião de CHARLES HANDY, consultor inglês
e autor de mais de 10 livros, empowerment é algo para se exercer mais do
que se pedir; é um problema de iniciativa individual mais do que
organizacional. Como você vai viver 90 anos há muito tempo para se reinventar;
"dá para errar mais", por que então não tomar iniciativa de
aumentar os horizontes de sua autoridade?
"KARL MARX estava certo os empregados são
hoje "donos" das empresas via seu capital intelectual", esta foi
outra das afirmações de CHARLES HANDY.
LIAN FAHEY, do BABSON COLLEGE, abordou o
conceito de Fat Based Organization, quando as organizações, na ânsia
de otimizar seu capital intelectual, acabam ficando mais inchadas, num processo
de reengenharia ao contrário.
ARIES DE GEUS, consultor, mencionou que todos
os fatores de produção estavam se transformando em commodities; até o
capital, anteriormente escasso, hoje estava sendo "oferecido" pelos
banqueiros. O conhecimento e o capital intelectual seriam então os grandes
fatores de diferenciação competitiva; DE GEUS mencionou também que a grande
vantagem competitiva é a habilidade de aprender mais rápido que a concorrência.
ARIES DE GEUS lembrou que as novas formas de
fazer treinamento devem incluir:
Motivação para
aprender/mobilidade/rotatividade
Rapidez na entrega do treinamento
Comprometimento com a divulgação do
treinamento
FERNANDO BARTOLOMÉ, consultor espanhol,
abordando o tema qualidade de vida, mostrou pesquisas que demonstravam, que
apenas 30% do processo de educação dos filhos ficava a cargo do pai, a mulher
se responsabilizava pelos restantes 70% do processo. A grande justificativa
masculina era o excesso de trabalho, mas todos os pais se queixavam do maior
relacionamento dos filhos com a mãe e de sua menor identidade com eles.
FERNANDO frisou também que se você falha no amor, esta falha não pode ser
compensada pelo êxito na carreira e vice-versa.
Os programas de qualidade de vida no trabalho
deveriam focar cada vez mais o equilíbrio do lado pessoal com o profissional,
inclusive porque o conceito de eficácia pressupõe esse equilíbrio.
MANFRED PERLITZ, consultor alemão, salientou
que o melhor lugar para se investir nos próximos 15 anos será a Europa. Entre
outras razões pelo maior giro de dinheiro decorrente do grande número de heranças
(mudança de mãos do patrimônio), 50 anos sem guerra, tamanho do mercado
decorrente da
Comunidade Européia, estabilidade econômica
(bolsas não se alteraram, chegando a crescer com a crise Asiática).
A China é a grande ameaça à estabilidade
econômica mundial. Para o profissional de RH a principal missão é lidar com
uma grande gama de economias culturalmente diversas e motivar pessoas num
continente (Europa), onde a utilidade marginal do dinheiro está no ápice (para
motivar é preciso algo mais).
Quem vai decidir os destinos da Europa? CHIRAC,
KOHL? Não, serão os dirigentes das multinacionais, que tem um faturamento
maior que o PIB de vários países a Mitsubishi maior que o da Áustria, a
Mitsui maior que o da Dinamarca, a Ford maior que o da Noruega.
PERLITZ salientou que a cada dia que passa a
globalização está levando um número maior de empresas a criarem o cargo de
Diretor de Alianças Estratégicas.
N. VENKATRAMAN especialista em tecnologia e
professor da BOSTON UNIVERSITY, lembrou que tecnologia não pode ser confundida
com o conhecimento, pois é um processo que ajuda na acumulação e difusão do
mesmo conhecimento. Cabe a RH administrar o processo (tecnologia) para conseguir
o objetivo (conhecimento).
Ainda na opinião de VENKATRAMAN, na sociedade
da tecnologia os novos papéis de RH deverão ser:
Em vez de apoiar a automação de tarefas,
aumentar o nível de conhecimento;
Não é administrar o conhecimento para
buscar a eficiência do que se faz hoje, mas incrementar o conhecimento para
criar a empresa de amanhã;
Integrar o conhecimento de todas as área
da empresa, criando fluxos para a informação
Segundo a revista Fortune (13/4/98) uma
mudança de paradigma entre os jovens MBAs é que eles estão cada vez mais
preferindo ir para as empresas do que para as consultorias. Melhor qualidade de
vida, menos viagens, maiores oportunidades de rápida acumulação de riqueza, são
algumas das causas.
Pesquisa realizada por RONNIE VANSTEENKISTE.
para a SEAGRAM, com 20 empresas benchmarking (EUA, Europa, Ásia, América
Latina), sobre o tema como tornar RH um parceiro estratégico, mostrou os
seguintes dados:
Best Practices
(Comuns às 20 empresas)
A gerência com vontade e capacidade para
dedicar o tempo necessário para desenvolver pessoas
As pessoas vistas como prioridade para o
negócio
Os valores aceitos e vividos por toda a
empresa
Best Practices
(Comuns à maioria das 20 empresas)
75% da população vista como fonte de
talentos
80% das empresas centralizam atividades de
RH
A GAP Empresa do ramo de confecção foi eleita
como a melhor em recrutamento Gerencial. Tem um banco de dados de executivos que
um dia poderão vir a colaborar com a empresa, mantendo permanente comunicação
com eles (cartão no aniversário, etc)
Novos Papéis de RH (Pesquisa SEAGRAM)
Parceiro estratégico (Ex. define a
arquitetura organizacional, conduz auditoria organizacional etc)
Agente de mudança (Ex. transforma a visão
em comportamentos específicos, administra as resistências à mudança,
"administra a performance" etc)
Torna os seres humanos campeões (Ex.
defende os empregados, assegura seu engajamento, mantém o capital
intelectual)
Executa funções administrativas (Ex.
melhora a eficiência dos sistemas de RH, faz com que os sistemas e
procedimentos fluam na organização etc)
Pesquisa realizada pelo MCE (Management
Center Europe) sob o tema O RH Hoje e no ano 2002, envolvendo RH e demais áreas
da empresa (Europa), apresentou as seguintes conclusões:
Áreas da empresa com maior influência/eficiência
no seu negócio
(notas de 0 a 5) – Respostas dos
Profissionais de RH:
Escritório do CEO (4, 2), Marketing/Vendas
(3, 9) Finanças (3, 9), Engenharia/Produção (3, 4), RH (3, 3),
Pesquisa e
Desenvolvimento (3, 1), Logística (2,
9)
A mesma pergunta anterior, respondida por
todas as áreas, exceto RH
(notas de 0 a 5):
Marketing/Vendas
(3, 7), Finanças (3, 4), Escritório do CEO (3, 3), Engenharia/Produção
(3, 3), Pesquisa e Desenvolvimento (3, 2)
Logística (2, 8), RH (2, 4)
Relativamente ao que a área de RH faz de
melhor hoje, o grupo todo colocou em ordem decrescente:
Recrutamento em funções básicas
Recrutamento funções de nível médio
Desenvolvimento Gerencial (nível médio)
Desenvolvimento Gerencial (candidatos com
grau de urgência)
Identificação de gerentes com alto
potencial
Ações relativas à atuação de RH na alta
gerência receberam poucas menções.
Quanto à maiores demandas para RH de hoje a
2002, em ordem decrescente:
Novas idéias para reter pessoas-chave
Desenvolvimento de novos métodos para
identificar e avaliar gerentes de alta performance
Desenvolvimento de novos métodos de
planejamento de sucessão
Quanto aos atributos, qualificações,
habilidades para o profissional de RH no futuro, em ordem decrescente:
Comunicar-se com a direção
Comunicar-se com os outros departamentos/áreas
Entender as necessidades dos gerentes de
linha
Entendimento amplo do negócio
Encontrar novas maneiras para gerenciar a
organização e vender estas idéias à direção
STEPHEN RHINESMITH, consultor americano em
globalização, apontou os novos padrões/diferenciais para a competitividade
numa sociedade globalizada:
Qualidade - do produto e do processo
Variedade – para possibilitar maiores
alternativas de escolha
Customização – tudo sob medida para o
consumidor
Conveniência – entrega rápida
Tempo – rápido ciclo de inovação
Custo – mais baixo possível, economia de
escala
Disponibilidade – em qualquer lugar do
mundo
À área de RH cabe a gestão do conhecimento
para operacionalização desses diferenciais
O mesmo RHINESMITH citou o termo "GLOCALIZATION"
que significa:
Não aceitação de um único mercado
global
Localizar a produção perto dos mercados
consumidores (Just in Time)
Equilibrar recursos globais, com produção,
marketing e distribuição locais
A pesquisa sobre competências, desenvolvida na
COLGATE PALMOLIVE, através de JILL CORNER, estabeleceu:
Competências em liderança
Visão/estratégia
Trabalho em equipe/construção de
relacionamentos
Influência/negociação
Inovação
Orientação para resultados
Perspectiva global dos negócios
Foco no consumidor
Competências em Gerência
Planejamento, definição de
prioridades
Comunicação
Processo decisório analítico
Administração de pessoas, treinamento
de subordinados
Essas competências passaram a valer para todas
as unidade da COLGATE PALMOLIVE no mundo.
Um das frases mais impactantes do congresso foi
dita por CHRIS PARKER, consultor americano na área de qualidade: "Você não
pode ter clientes encantados se possui empregados miseráveis".
MATTI ALAHUHTA, Presidente da NOKIA, colocou as
expectativas de sua empresa em relação aos Gerentes de RH:
Entendimento do negócio
Atualizado com as tendências e processos
em RH
Proativo e pragmático
Capaz de "ouvir" a organização
e atender ao que é requerido
Ser flexível e persistente
Saber priorizar
Implantar eficientemente (fazer bem as
coisas)
MATTI lembra que o sistema de avaliação de
desempenho deve cobrar dos participantes da área de treinamento a
operacionalização dessas idéias
STEPHANE GARELLI colocou as seguintes
habilidades como fundamentais num mundo altamente competitivo:
Habilidade de relacionamento (Networking)
Habilidade para lidar com a diversidade
(cultura, gênero etc)
Habilidade de intuição (entender o que não
está escrito/falado, conviver com ambigüidade)
Habilidade de gerar energia (lidar com o stress,
gerar entusiasmo)
No mundo atual, 50% do tempo é para cada um fazer
o seu trabalho, os outros 50% é para cada um reinventar o seu trabalho.
Concluindo, podemos dizer que o congresso
desenhou um futuro voltado para o capital intelectual como o grande diferencial
competitivo; mostrou também que a área de RH precisa, cada vez mais, se
transformar em parceira estratégica do negócio.
Outra conclusão importante é que na era da
globalização o profissional de RH deve se preparar para enfrentar desafios de
lidar com culturas diferentes, questões de gênero, recrutamento internacional
etc.
Por último, ficou claro que com o crescimento
das grandes corporações as decisões que afetam o destino de muitos países
tenderão a estar mais mãos dos executivos (empresas) do que dos governantes
(poder político)
- Consultor - L A COSTACURTA
JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA
COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
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