www.rhpro.com.br Sistema de Identificação de Perfil Profissional | Educação Para A Mudança E Mudança Para Educação
Nada mais previsível do que o embate anual entre os diversos setores com interesse na educação pública de nível superior de nosso país. A agenda de "negociação" do movimento é sempre a mesma: de um lado, professores que se dizem injustiçados divulgam suas pretensões por melhorias salariais acrescidas com reposições de perdas ocorridas no passado; do outro, o empregador, em geral o Governo Federal, que teima em cumprir o que diz ser o orçamento de educação do ano em questão. O resultado costuma ser uma greve prolongada que estende o ano letivo pelos meses de férias de verão do ano seguinte. E como ninguém é de ferro – imaginem ter que recuperar o tempo perdido sob um sol inclemente -, quem perde mesmo é o ensino e, em conseqüência, o aprendizado dos alunos.O segundo semestre de 2001 não fugiu à regra: professores de Universidades, agora com o apoio das escolas públicas federais, mais uma vez decretaram sua greve anual. Para nós é evidente que o modelo universitário atual não mais atende às necessidades da população brasileira. A falta de um consenso mínimo que produza um novo projeto educacional para o futuro – nele incluindo o papel que o setor público desempenhará - implica na manutenção dos conflitos atuais e a certeza de que este ano de 2002 promete a repetição das tradicionais greves com algumas emoções e radicalizações a mais. Neste contexto, fica a pergunta: alguém acredita que a solução para o nosso atual sistema educacional se resumirá a um simples aumento de salário de nossos professores?O fato é que, durante os períodos de greve, os problemas do setor são alvo de muita discussão pela mídia. A análise das polêmicas e dos argumentos recentemente levantados nos permitiu identificar alguns movimentos cujas evoluções deverão transformar as regras atuais que prevalecem em nosso sistema educacional. Vamos a eles:Desejo de um mundo melhor – esta intenção reflete uma crescente preocupação com o Ser Humano e a preservação de sua qualidade de vida. Acontecimentos recentes (os ataques terroristas nos EUA, por exemplo) e não tão recentes (guerras, violência, fome, miséria) motivam-nos a pensar no que temos feito de errado e em como construir um mundo que compreenda os nossos sonhos mais sublimes. Esta vertente pressupõe para todos os seus níveis da educação – do básico ao universitário -, um papel voltado para a formação básica do indivíduo, independentemente de sua aspiração profissional. Aspectos como cidadania, tolerância, aceitação das diferenças, respeito ao próximo, qualidade de vida etc. farão, certamente, parte de um currículo básico do futuro;A necessidade do diploma universitário – critica-se hoje o comércio em torno da obtenção do diploma. A sociedade de um modo geral o vê como o prêmio maior a ser conquistado, capaz de garantir um emprego seguro e bem remunerado. Esta crença produz terríveis distorções e frustrações. De um lado, muda o foco do conteúdo e da seriedade educacional para a obtenção do canudo final; de outro, passa aos estudantes a sensação de que com ele o mundo se abrirá. Para atender esta demanda, universidades, em geral particulares, formam estudantes sob um regime de educação massificada, muitas vezes sem compromisso com a absorção de conhecimento. Um dos resultados perniciosos é o crescente contingente de desempregados universitários;Educação decidida pelo aluno – no modelo atual, o foco da educação está no ensino, do professor para o aluno. Entretanto, o movimento de mudança do foco para o aprendizado, em que a decisão passa a ser do cliente, está cada vez mais evidente. Hoje, os estudantes, ainda sob a égide do processo reativo tradicional, compram muito "gato por lebre" (a corrida pelo diploma descrita no item anterior é prova disso). Mas, o que importa no momento atual é a mudança de comportamento que se verifica entre os estudantes. Em anos anteriores, por exemplo, alinhavam-se incondicionalmente aos pleitos grevistas dos professores. Hoje, começam a questionar suas perdas durante estes movimentos;Ensino à distância (EAD) – a expressão é prova de que o paradigma antigo de ensino, e não de aprendizado, é muito forte. Contudo, as novas tecnologias favorecem o rompimento com o monopólio do formato tradicional de educação. Ao permitir a oferta de educação em áreas distantes, tradicionalmente ocupadas por uma escola física, a EAD aumenta a competição e transfere a escolha da educação ao estudante. Neste formato ele passa a ser totalmente responsável por sua decisão;Quem paga a educação pública - esta questão diz respeito ao ensino superior público gratuito. É razoável manter esta prática quando as grandes demandas por recursos e investimentos hoje se fazem necessárias nos ensino fundamental (principalmente) e básico? É razoável manter a gratuidade num ambiente educacional cuja prioridade seja a formação básica do Ser Humano tal como descrito no primeiro item? Não será razoável deixar a decisão de financiamento da formação profissional por conta do estudante? Afora isso, a manutenção da gratuidade no ensino superior é concentradora de renda: a maioria quase absoluta da população de baixa renda não chegará jamais ao ensino superior neste modelo e o consumo de recursos na universidade pública por aluno é muito maior do que nos demais níveis;Demandas não atendidas pelo mercado de trabalho - as universidades, em sua maioria presas a currículos ultrapassados, já não cumprem mais o papel de preparar o aluno para o mercado de trabalho. Quem não se empenha em fazer cursos paralelos, aprender línguas, informática, fazer estágio etc. termina a universidade despreparada para iniciar sua vida profissional. Conhecedores desta situação, professores e alunos, mostram-se desinteressados por suas atividades num perverso círculo vicioso: mestres repetem ano após ano a mesma ladainha, sem ao menos se preocuparem em criar situações motivadoras que proporcionem efetivo aprendizado aos alunos; estes, por sua vez, burlam qualquer exigência dos professores por considerarem-nas distantes da realidade profissional. Estágios em empresas tornam-se prioridades principais dos alunos;Avaliação de resultados – assim como em outros setores, também a educação sofrerá crescentes pressões pela avaliação de seus resultados. Hoje, é normal se responsabilizar a situação econômica do país pelo desemprego de universitários recém formados. Já se percebe, entretanto, que muitos estudantes estão chamando para si próprios a responsabilidade por sua empregabilidade: identificam as universidades de boa aceitação no mercado, avaliam os setores de maior potencial empregador nos próximos anos, complementam suas capacitações com atividades extracurriculares etc. A grande avaliação dos resultados atingidos será feita pelo cliente. Professor ruim será descartado e seus salários serão tanto maiores quanto melhores forem seus resultados. Um outro aspecto da avaliação será a sua transferência para o próprio mercado de trabalho. Nesta linha, muitos diplomas obrigatórios de hoje cederão lugar ao conhecimento efetivamente demonstrado pelo estudante;Professores como líderes – recentemente, durante a festa final de formatura de estudantes em uma universidade pública, assustei-me quando o aluno responsável pelo discurso final ressaltou sua nova condição de desempregado, arrancando risos parceiros dos demais colegas e de alguns professores. Sem entrar em detalhes identificadores, assinalo duas razões para meu repúdio total à cena: primeiro, porque se tratava de uma das melhores universidades do país e o curso em que se diplomavam era reconhecidamente de alta empregabilidade no futuro próximo; segundo, porque a maioria presente não se dava conta de tal fato, certamente, por irresponsabilidade de seus professores, incapazes de exercer o papel de liderança positiva que deles seria esperado. Vários aproveitaram seus discursos para divulgar posições políticas, sem nenhuma preocupação em aproveitar aquele momento tão importante para incentivar os formandos a estruturar os passos estratégicos seguintes da profissão que haviam escolhido. No futuro, até por efeito comparação, os professores reconhecidamente capazes de exercer lideranças positivas serão cada vez mais prestigiados pelos estudantes (clientes).Essas são apenas algumas das polêmicas que costuram o futuro da educação brasileira. Embora para muitos possa parecer uma questão insolúvel, várias instituições já começam a se livrar das amarras do passado utilizando novos modelos de negócio. Um bom exemplo foi publicado no jornal Valor Econômico . Com o título "Faculdade modelo busca sua emancipação" o texto descreve o porquê dos brilhantes resultados alcançados pela Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Mais do que uma simples reunião de expoentes acadêmicos fica claro para o leitor que a FEA desenvolveu uma fórmula única de sucesso que concilia gestão profissional comprometida com resultados, competência acadêmica, foco nas necessidades do mercado, além de respeito e parceria com o cliente (estudante). Consultor - SÉRGIO DUARTE VELASCO - VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO | | 
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