Engenharia Comercial
Um dos erros mais comuns
cometidos por muitos profissionais competentes é confundir marketing com
vendas. Embora a área de vendas faça parte do escopo de marketing, não o
engloba por completo. Grosso modo, podemos dizer que marketing objetiva, a
partir de atividades de planejamento e tomada de decisão em relação a todos
os aspectos do marketing mix – produto, preço, comunicação e distribuição
–, gerar, no cliente, propensão ao consumo. As vendas, por sua vez, objetivam
efetivar o consumo através de atividades operacionais. Obviamente que um bom
trabalho de marketing alavanca o esforço da área de vendas.
Contudo, o mais importante é
perceber que vender, hoje, já não é mais tão fácil como no passado. A
concorrência aumentou e tornou-se mais acirrada; o cliente tornou-se mais
sofisticado e possuidor de importantes informações para a decisão de compra;
os produtos estão cada vez mais parecidos e encontrar novos diferenciais está
ainda mais difícil. Tudo isso afeta sobremaneira as atividades de marketing e
de vendas.
Nos dias atuais, para se vender
é preciso construir a venda, é preciso que as duas áreas executem um trabalho
de engenharia comercial. Algumas questões devem ser evidenciadas neste
processo, em especial para o marketing business-to-business:
a) A empresa fornecedora
precisa conhecer o tipo de negócio do cliente melhor do que o próprio cliente.
É preciso conhecer a fundo o ambiente mercadológico no qual está inserida a
empresa-cliente:
Mas também precisa conhecer
o ambiente tecnológico:
-
quais as características
tecnológicas do produto ou serviço
-
qual a trajetória tecnológica
do setor
-
quem domina a tecnologia
de ponta naquele setor
-
quais descontinuidades
tecnológicas ocorreram e quais podem vir a ocorrer
Somente assim a empresa
fornecedora estará apta a adequar sua oferta e a antecipar as necessidades e
desejos de seus clientes, oferecendo soluções customizadas ou até
personalizadas, conquistando a sua confiança;
b) A empresa fornecedora
precisa conhecer também o contexto organizacional do cliente. É preciso
considerar que a compra se dá:
-
dentro deste contexto
organizacional
-
influenciada por um orçamento
ou verba
-
influenciada por lucro
-
considerando os objetivos
organizacionais e
-
envolvendo muitas pessoas
inter-relacionadas
Além disso, o comprador deve
executar uma série de atividades:
-
identificar a necessidade
da compra
-
estabelecer as especificações
da compra
-
identificar as
alternativas de compra
-
avaliar essas
alternativas e, enfim, escolher o fornecedor
Assim, a empresa fornecedora
precisa conhecer quem exerce cada papel de compra:
-
quem inicia o processo de
compra
-
quem influencia
-
quem decide
-
quem compra
-
quem usa e,
principalmente, como essas pessoas se inter-relacionam.
Finalmente, deverá analisar a
finalidade da compra (se é um insumo para a produção, se é uma mercadoria
para revenda ou se é para consumo) e a natureza dessa demanda (se é cíclica
ou sazonal). Só assim ela estará apta a construir sua venda, a transmitir as
mensagens adequadas para contatar as pessoas certas, visando à criação de
relacionamentos de longo prazo com os clientes e mantendo a confiança
conquistada.
O século XXI não deixará
espaços para empresas que insistam em vender de forma antiquada, empurrando
produtos sem conhecer o ambiente mercadológico e tecnológico de seus clientes,
muito menos o contexto organizacional. Tornar-se-á fundamental o processo de
construção da venda, de engenharia comercial.
OBS.: Material retirado do programa de Vendas
Consultivas do MVC.
João
Baptista Vilhena
Diretor
do Instituto MVC
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