Equipes Vencedoras
EQUIPES
VENCEDORAS
“E aprendi que se depende sempre
de tanta muita diferente gente
toda pessoa sempre é a marca
das lições diárias de outras tantas pessoas.”
Gonzaguinha
Eu
tive um colega que dizia sempre que em um time em que jogassem onze Pelé(s)
ninguém iria querer cobrar lateral ou bater escanteio...
Na vida e nas empresas, a necessidade de reconhecer e valorizar o complementar,
mostra-se vital e um balizador de efetividade nos resultados.
Em qualquer campo de análise de comportamentos, estilos pessoais e
profissionais, preferências, motivações, podemos identificar a completude na
diversidade.
Os aparentes aspectos antagônicos são no fundo o orgástico encontro entre o côncavo
e o convexo.
Até mesmo a natureza nos presenteia com esse espetáculo: céu e terra, chuva e
sol, noite e dia...
Quando conseguimos abstrair as visões e interesses pessoais e partimos para uma
perspectiva do todo, percebemos com clareza que tudo está interligado e tudo é
interdependente.
Fico imaginando agora, ao olhar o teclado e a tela do computador, de “quanta
diferente gente” eu dependi para estar escrevendo esse artigo, o que só vem
confirmar a tese.
Pense nisso também quando sentar à mesa para fazer uma refeição: da
estrutura da mesa, passando pelo prato, pelo alimento, quantas pessoas colocaram
a sua energia, o seu tempo, o seu amor, para que você pudesse alimentar-se?
Essa é uma poderosa meditação de agradecimento e reconhecimento ao quanto
dependemos uns dos outros, mesmo que não tenhamos oportunidade de nos conhecer.
E o que dizer das equipes que são montadas para trabalharem juntas e produzirem
um bem ou serviço?
Essa interdependência está potencializada, queiramos ou não.
Quem é mais importante para a Organização? O generalista ou o especialista, o
que cria ou aquele que realiza, quem produz ou quem vende, a tecnologia ou o
propósito etc ?
Trabalhei durante muitos anos em grandes empresas, que possuíam toda uma cadeia
produtiva, negócios fora do país, profissionais altamente qualificados que
desenvolviam operações estratégicas.
Chamava-me a atenção o fato de que na mão do “oficce-boy” acabava toda
aquela engenharia financeira, o depósito bancário ou entrega de um contrato
definia ganhos ou perdas significativas.
Será que tínhamos consciência da importância do papel daquele profissional?
Do quanto éramos interdependentes, mostrávamos a ele a importância do seu
papel?
Voltando à metáfora inicial do futebol, era como se ele fosse o goleiro,
aquele que numa falha pessoal, ou numa grande defesa pode definir o resultado da
partida.
Arrisco dizer que não, que não era claro para a equipe que o nosso sucesso era
dependente da diversidade de papéis que desempenhávamos.
E sejam estilos ou papéis, o fato é que ninguém é auto-suficiente o
suficiente, permita-se a redundância, para deixar de olhar o semelhante ou
colega, como alguém de quem você é interdependente.
No círculo dos sonhos, da cultura indígena, podemos perceber a clareza de tudo
isso: “ o que um irmão não vê, o outro vê, o que um não sente, o outro
sente”.
A grande viagem do autoconhecimento é poder aceitar-se e aceitar o outro,
reconhecer e valorizar a importância da sua presença, do seu papel.
Equipes vencedoras são compostas de profissionais interdependentes.
Ampliar a consciência dessa mesma interdependência é potencializar as forças,
é criar uma cultura de comportamento que valoriza a inclusão, o controle e a
abertura de forma eficiente, eficaz e efetiva.
Autor: Antonio Amorim é Consultor Associado à Marcondes & Consultores Associados (SP).
Atualmente é Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos- ABRH-BA e Diretor da Universidade Internacional da Paz- UNIPAZ- BA, e possui 08 livros publicados, entre poesias, contos e artigos voltados para a área de consultoria. |