Estabilidade No Emprego Para Portadores Do Vírus Hiv
ESTABILIDADE NO EMPREGO PARA PORTADORES DO VÍRUS HIV
Lendo o Projeto de Lei
no. 267/99, do Senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), aprovado recentemente pela
Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que rege sobre a estabilidade no emprego
de pessoas aidéticas e portadoras do vírus HIV e também sobre a proposição de
modificar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), onde o empregado
soro-positivo só poderá ser demitido por motivo de falta grave ou circunstância
de força maior, devidamente comprovadas. Diante destes fatos, venho me juntar e
apoiar plenamente a essa iniciativa do caro senador, visando sensibilizar aos
demais senadores e dirigentes desta nação, na sanção definitiva desse projeto de
lei pelo Senado Federal e pelo Sr. Presidente da República, como também caberia
apurar-se outros atos discriminatórios com menos evidência, para incorporar a
este projeto ou a um novo projeto.
Olhando na esfera do
desemprego a nível mundial, podemos constatar as dificuldades que um trabalhador
com suas qualificações, habilidades e formação, tem para obter algum emprego no
mercado de trabalho hoje em dia, quer por motivos de diminuição do processo
produtivo, redução da jornada de trabalho, quadro de pessoal mais enxuto,
dificuldades financeiras das empresas, fusões de empresas nacionais com
multinacionais, estabilidade da economia no País, etc. – aliás quando se diz
hoje emprego, entende-se como trabalho/ serviço – pois emprego é uma situação em
descenso atualmente em virtude dos avanços tecnológicos, competitividade das
empresas, processos globalizados e constantes exigências nos níveis de qualidade
dos produtos e serviços finais. O mesmo drama, vem acontecendo com pessoas que
se encontram empregadas, pois elas não tem um horizonte bem delineado e
indefinição de perspectiva de vida, em razão das constantes demissões, ameaças
de desemprego, queda do padrão de vida e principalmente pela manutenção dos
níveis salariais sem reajustes, entre outros motivos.
Diante desta situação
delicada apresentada, o que será então dos aidéticos e portadores do vírus
HIV!
Acreditamos que com
aprovação deste projeto de lei pelo Senado Federal e mudança na nossa CLT
arcaica, os profissionais que foram afetados pelo vírus do HIV por quaisquer
motivos, que não caberia levantar agora os méritos da questão, poderiam terem
seus direitos de cidadão brasileiro garantidos como trabalhador, para assegurar
o seu sustento pessoal e familiar e obter recursos para o tratamento deste mal,
pois sabe-se que diante desta situação de dor e sofrimento estas pessoas
necessitam é de muito apoio familiar, da empresa e da sociedade como um
todo.
No meu ponto de vista,
acredito que não é suficiente somente as empresas através de seus dirigentes,
órgão de recursos humanos ou de seu médico do trabalho, alertarem sobre os
perigos de contágio deste vírus através da fixação de cartazes em pontos
estratégicos nas empresas, distribuição de folhetos informativos para os
empregados e seus familiares, orientações médicas, etc., e sim reforçar ainda
mais sobre os perigos do vírus HIV, através de campanhas internas mais fortes,
introdução de palestras instrutivas, distribuição de preservativos, programas de
conscientização internas, peças teatralizadas, exames rotineiros mais
freqüentes, dentre outras formas que ajudariam a combater o vírus.
Poder ser que esta não
seja a fórmula mágica para sanar com este mal, mas sem sombra de dúvida iria
diminuir consideravelmente o número de pessoas infectadas, melhorar a qualidade
de vida das pessoas, manter um ambiente de trabalho mais saudável, diminuir o
absenteísmo, melhorar os índices de produtividade e reduzir o número de
acidentes no trabalho.
Acho que vale a pena as
empresas entrarem nesta luta pelo combate do vírus HIV, garantindo a
estabilidade dos empregados no trabalho, pois estarão ajudando não somente a
preservar a sua mão-de-obra de forma saudável, como também a evitar a sua
proliferação desordenadamente, colocando a população em risco de
contágio.
Hoje, está se falando
muito em empresas que estão aderindo aos programas do terceiro setor, colocando
uma série de profissionais voluntários para ajudarem a população mais carente,
menos informadas e com menos recursos, orientando-as e dando todo o apoio social
necessário para que elas possam ter um padrão de qualidade de vida melhor e com
menos riscos de vida.
Diante deste fato,
porque não dar todo o apoio também aos trabalhadores que contrariaram o vírus
HIV, afinal, sabe-se que a sua transmissão por uma pessoa infectada para outra
pelo simples contato é muito difícil, a não ser que não se tome as precauções
necessárias.
Caberia aqui uma
reflexão pelos dirigentes das empresas sobre o assunto, pois isto afeta a todos
nós seres humanos.
Artigo elaborado por:
Carlos Luiz Aguiar – Gerente de Consultoria da Millennium RH |