Eu Não Sei (repetir é Preciso. Inovar Não é Preciso)
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"Como será o amanhã ?
Responda quem puder"
Gonzaguinha
Praticamente, todo processo de retenção e de
utilização do aprendizado, de quaisquer espécies, se apóia no campo do EU JÁ
SEI. O campo do EU JÁ SEI abrange o já conhecido, o já testado, já
experimentado, medido e avaliado. Tudo que se refere ao campo do EU JÁ SEI pode
ser armazenado na nossa memória e pode, posteriormente, ser reproduzido. Hoje,
agilizamos e otimizamos isto via computador (que ainda é uma extensão
melhorada da nossa capacidade de memória). No processo de memorização, base
da educação tradicional, o computador leva a vantagem de ser mais rápido e de
não "se esquecer". Nosso cérebro retém as informações, mas nem
sempre elas estão acessíveis quando recorremos a elas. Nós
"esquecemos" muita coisa ou demoramos a "lembrar". O
computador nos ajuda a resolver isto.
Também é no campo do EU JÁ SEI que as
pessoas são avaliadas. Nas organizações, quanto mais EU JÁ SEI, mais eu
valho. Os parâmetros do EU JÁ SEI profissional são os valorizados e podem ser
mensurados, reproduzidos e substituídos, por quaisquer outros que também
saibam a mesma coisa (e tenham os mesmos parâmetros). Para isto, basta
reproduzir o SABER estabelecido. Por este caminho, é considerada inteligente (e
"bom" profissional) uma pessoa que acumula conhecimentos (saberes) e
que, quando necessário, saiba reproduzi-los.
RACIOCÍNIO REPRODUTIVO E RACIOCÍNIO PRODUTIVO
Nosso cérebro é programado, pelos sistemas
(Escola, Família, Sociedade, Organizações), a usar o raciocínio reprodutivo
(que se apóia no EU JÁ SEI) e que nos leva ao comportamento reprodutivo. Todos
os sistemas nomeados acima são estruturados para a reprodução, repetição,
iteração e reiteração. E é fundamental e necessário que assim seja, para a
sua manutenção. Sem a repetição, eles entrariam em deterioração. É por
instinto de sobrevivência que eles se conservam. Donde, REPETIR É PRECISO, em
dois sentidos (é necessário e também é exato).
Entretanto, tal estrutura inibe a INOVAÇÃO,
base da renovação dos sistemas (o antônimo de inovação é repetição).
Para inovar, é preciso questionar o EU JÁ SEI. Se usarmos sempre a lógica que
estamos acostumados a usar e fizermos somente o que já sabemos fazer, estaremos
reproduzindo raciocínios e ações, que nos levam ao conhecimento já existente
e à ação previsível. Para inovar, precisamos apoiar o nosso raciocínio, não
na memória, edifício do EU JÁ SEI, mas no terreno do EU NÃO SEI. Neste, uma
nova lógica se impõe. Esta nova lógica se estrutura na criatividade, na
imaginação, na prospecção, na intuição, no insight. Somente ela permite a
produção de novas idéias, novos conceitos, novos processos, produtos ou serviços.
Ela nos permite "fazer diferente". As dificuldades para desenvolver
estas novas lógicas são óbvias. Ao caminharmos no terreno do EU NÃO SEI,
enfrentamos armadilhas e riscos, que nos inquietam pela imprecisão deste
caminho. Porque INOVAR NÃO É PRECISO (no sentido de não ser exato).
TRANSITANDO DO "EU JÁ SEI" PARA O
"EU NÃO SEI"
Nenhuma inovação surge do nada. Inovação
depende de repertório. Se seu estoque de idéias e conhecimentos é baixo, são
poucas as suas alternativas para mudar o já conhecido e consagrado. Inovação
é a passagem do edifício do EU JÁ SEI para o terreno do EU (AINDA) NÃO SEI,
Para que esta passagem seja concretizada são necessárias algumas condições e
ferramentas.
As condições:
1 – FOCO NOS RESULTADOS DESEJADOS. Imaginar
onde quer chegar. "Eu (ainda) não sei".
2 – FLEXIBILIDADE. Aceitar o resultado máximo
conseguido, que nem sempre é o desejado.
3 – PERSEVERANÇA E AUDÁCIA. Assumir os
riscos das tentativas e erros. E recomeçar.
4 – ATENÇÃO AO DIFERENTE. Muitas vezes a
inovação é um acidente de percurso.
5 – PRONTIDÃO. Saber responder rapidamente
às circunstâncias mutantes.
6 – PERMISSIVIDADE. Permitir-se (e também ao
entorno) um ambiente favorável ao novo.
7 – HUMOR. Quem tem mau humor tem rigidez de
raciocínio e de comportamento.
As ferramentas:
1 – CRIATIVIDADE. Pensar o velho de um jeito
novo. Usar o lado direito do cérebro.
2 – IMAGINAÇÃO. "Viajar" nas
fantasias, por mais absurdas que possam parecer.
3 – INTUIÇÃO. Aceitar informações que não
vêm da lógica racional.
4 – PERCEPÇÃO. Ver ao redor o que os outros
não vêem. Perceber o "diferente" no igual.
5 – CUTUCAR O CONHECIDO. Buscar novas soluções
para velhos ou novos problemas.
6 – GERAR ALTERNATIVAS. Uma idéia só pode
ser boa se comparada com outras.
Estas premissas propiciam a gestação de inovações.
É preciso saber criar um "clima" favorável à aventura no terreno do
EU NÃO SEI e escolher as ferramentas adequadas (e conhecemos várias) para os
desafios emergentes nascidos no edifício do EU JÁ SEI. É preciso também ter
a clara consciência de que, no nosso dia-a-dia, pessoal ou profissional,
precisamos esmagadoramente (digamos que 95%) viver no EU JÁ SEI. É nele que
estão nossos parâmetros, nossos valores, nossa convivência social e
profissional. E finalmente saber que, se quisermos inovar e mudar, temos que
sair deste edifício e, na fertilidade do terreno do EU NÃO SEI (digamos que
5%), buscar o desconhecido e a desordem – a nova ordem que ainda não foi
apropriada –, geradores da inovação.
SYLVIO ZILBER - Consultor
do Instituto MVC
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