Eu Ou Nós?
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O downsizing,
a terceirização, os grandes gurus, os consultores, enfim, todos
"entendidos" na área de management, tudo nos conduz à era do
grupal, trabalho em equipe, sinergia etc. Isso em detrimento de um processo de
individualização que, durante muito tempo pareceu ser uma das essências do
capitalismo. (especialmente o modelo americano)
Quando mais observamos a vida
empresarial encontramos uma discrepância entre o discurso (equipe) e a ação
(individualidade)
A nosso ver tal acontece porque
o sistema organizacional, educacional e os estilos gerenciais induzem à
individualidade, trazendo o efeito de uma causação circular, um alimentando ao
outro, continuamente.
Vamos analisar alguns
indicadores dessa discrepância, considerando os diversos segmentos da vida
empresarial, até mesmo pessoal, em alguns casos
Currículos: A maioria dos currículos
é escrita na primeira pessoa do singular; a impressão que fica é que a pessoa
sempre fez/conseguiu tudo sozinha, nunca tendo trabalhado em equipe. Será que o
futuro empregador apreciaria isso?
Sistema de Reconhecimento: É
muito comum um executivo solicitar um trabalho a um grupo de pessoas. Os
resultados são excepcionais, mas em vez de elogiar o grupo, individualiza o
reconhecimento.
Sistema de Avaliação de
Desempenho/Competências: Se o sistema vigente na empresa for desenvolvido para
premiar os "feitos" individuais, desprezando a qualidade de uma atuação
grupal, por que o funcionário/executivo vai querer trabalhar em equipe?
Monopolização de Informações:
Para muitos executivos informação é poder e para seu uso exclusivo. A era do
conhecimento implica na rapidez do compartilhamento desse conhecimento, uma das
conseqüências desse compartilhamento é uma abertura coletiva de corações e
mentes que induz ao trabalho em equipe, ajuda mútua, motivação para cooperação.
Contatos Externos/Internos: O
executivo que acredita no trabalho em equipe, distribui equilibradamente entre
seus subordinados a responsabilidade pelos contatos com clientes
internos/externos/fornecedores/comunidade/imprensa etc. A idéia é que o autor
seja também o divulgador do trabalho, informação etc. Pode até haver filtros
e controles por parte do executivo, inclusive sua presença. O que não é muito
ético é um fazer e o outro receber os "louros". É um caso típico
de apropriação indébita da propriedade intelectual.
Símbolos: Há alguns símbolos
que fazem parte do comportamento dos executivos e que demonstram seu culto à
individualidade; sentar-se sempre à cabeceira da mesa, ter sempre a primeira (e
última) palavra, delegar, mas controlar a toda hora, falar num tom de voz mais
alto, cortar a palavra dos funcionários. Na maior parte das vezes essas
demonstrações de superioridade, culto à hierarquia inibem o trabalho em
equipe.
Sistema Interno de
Reconhecimento: A maioria dos executivos vem de funções de natureza técnica,
quando o reconhecimento por um bom trabalho decorre da eficácia individual
("meter a mão na massa"). Na posição gerencial é fundamental
alterar esse referencial de reconhecimento, pois a competência do executivo será
medida pela capacidade de fazer o grupo atuar harmoniosa e sinergicamente na
busca de resultados.
Verdade/Amor ou
Verdade/Desamor: A motivação para se dar feedback é imprescindível
para o trabalho em equipe; fundamental para que a outra parte entenda esse
feedback como um ato de contribuição para melhoria do desempenho
(verdade/amor) e não como uma forma de ferir/melindrar/destruir
(verdade/desamor). Privacidade, equilíbrio entre elogios e críticas, momento
adequado, são características de um feedback construtivo.
(Verdade/Amor)
Ouvir: O executivo que consegue
ouvir tudo que sua equipe tem a dizer antes de falar, estará demonstrando
empatia e reconhecendo a importância da contribuição de seus subordinados,
parceiros, até evitando direcionar contribuições para determinado sentido
(normalmente o que representa sua opinião).
Fatos ou Opiniões: O trabalho
grupal sempre será mais eficaz se o executivo e sua equipe trabalharem primeiro
os fatos e depois as opiniões. Os primeiros aproximam as pessoas (são pouco
suscetíveis a divergências); já as opiniões separam as pessoas.
Uma relação que começa com a
exposição de fatos ajuda a construir uma base sólida para aceitação de
opiniões divergentes.
Concordâncias e Discordâncias:
Todo trabalho em equipe incorpora concordâncias e discordâncias. O executivo
experiente (e grupal) busca sempre iniciar os trabalhos pelas concordâncias,
facilitando a criação de um clima de cooperação no âmbito do grupo.
Conhecimento Pessoal da Equipe:
Quanto maior for o conhecimento, por parte do executivo, das características
comportamentais dos membros do seu grupo, maior será sua eficácia como
potencializador dos resultados da equipe. Tão importante quanto um bom
argumento são as diferentes formas de apresentá-lo a pessoas com características
diferentes.
Eu ou nós? A escolha será
sempre sua, leitor; vale lembrar que a pior postura é a coluna do meio, ou o
pendor por um estilo variável.
Seus subordinados, pares,
clientes e fornecedores necessitam saber, tão cedo quanto possível em qual
"time" você joga, pois transparência é o nome do jogo, quando se
fala em trabalhar em equipe.
Consultor - L A COSTACURTA JUNQUEIRA /
VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E
HUMANISMO
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