www.rhpro.com.br Sistema de Identificação de Perfil Profissional | Eu Ou Nós?
O downsizing, a terceirização, os grandes
gurus, os consultores, enfim, todos "entendidos" na área de
management, tudo nos conduz à era do grupal, trabalho em equipe, sinergia
etc. Isso em detrimento de um processo de individualização que, durante
muito tempo pareceu ser uma das essências do capitalismo (especialmente o
modelo americano). Quando mais observamos a vida empresarial encontramos uma
discrepância entre o discurso (equipe) e a ação (individualidade). A nosso
ver tal acontece porque o sistema organizacional, educacional e os estilos
gerenciais induzem à individualidade, trazendo o efeito de uma causação
circular, um alimentando ao outro, continuamente. Vamos analisar alguns
indicadores dessa discrepância, considerando os diversos segmentos da vida
empresarial, até mesmo pessoal, em alguns casos.
Currículos: A maioria dos currículos
é escrita na primeira pessoa do singular; a impressão que fica é que a
pessoa sempre fez/conseguiu tudo sozinha, nunca tendo trabalhado
em equipe. Será
que o futuro empregador apreciaria isso?
Sistema de Reconhecimento: É
muito comum um executivo solicitar um trabalho a um grupo de pessoas. Os
resultados são excepcionais, mas em vez de elogiar o grupo, individualiza o
reconhecimento.
Sistema de Avaliação de
Desempenho/Competências: Se o sistema vigente na empresa for desenvolvido
para premiar os "feitos" individuais, desprezando a qualidade de uma
atuação grupal, por que o funcionário/executivo vai querer trabalhar em
equipe?
Monopolização de Informações: Para muita executiva informação é
poder e para seu uso exclusivo. A era do conhecimento implica na rapidez do
compartilhamento desse conhecimento, uma das conseqüências desse
compartilhamento é uma abertura coletiva de corações e mentes que induz ao
trabalho em equipe, ajuda mútua, motivação para cooperação.
Contatos Externam-Internos: O executivo que acredita no trabalho em
equipe, distribui equilibradamente entre seus subordinados a responsabilidade
pelos contatos com clientes
interno-externos/externos/fornecedores/comunidade/imprensa etc. A idéia é
que o autor seja também o divulgador do trabalho, informação etc. Pode até
haver filtros e controles por parte do executivo, inclusive sua presença. O
que não é muito ético é um fazer e o outro receber os "louros".
É um caso típico de apropriação indébita da propriedade intelectual.
Símbolos: Há alguns símbolos
que fazem parte do comportamento dos executivos e que demonstram seu culto à
individualidade; sentar-se sempre à cabeceira da mesa, ter sempre a primeira
(e última) palavra, delegar, mas controlar a toda hora, falar num tom de voz
mais alta, cortar a palavra dos funcionários. Na maior parte das vezes essas
demonstrações de superioridade, culto à hierarquia inibem o trabalho
em equipe.
Sistema Interno
de Reconhecimento: A maioria dos
executivos vem de funções de natureza técnica, quando o reconhecimento por
um bom trabalho decorre da eficácia individual ("meter a mão na
massa"). Na posição gerencial é fundamental alterar esse referencial
de reconhecimento, pois a competência do executivo será medida pela
capacidade de fazer o grupo atuar harmoniosa e sinergicamente na busca de
resultados.
Verdade/Amor ou Verdade/Desamor: A
motivação para se dar feedback é imprescindível para o trabalho em equipe;
fundamental para que a outra parte entenda esse feedback como um ato de
contribuição para melhoria do desempenho (verdade/amor) e não como uma
forma de ferir/melindrar/destruir (verdade/desamor). Privacidade, equilíbrio
entre elogios e críticas, momento adequado, são características de um
feedback construtivo. (Verdade/Amor)
Ouvir: O executivo que consegue
ouvir tudo que sua equipe tem a dizer antes de falar, estará demonstrando
empatia e reconhecendo a importância da contribuição de seus subordinados,
parceiros, até evitando direcionar contribuições para determinado sentido
(normalmente o que representa sua opinião).
Fatos ou Opiniões: O trabalho
grupal sempre será mais eficaz se o executivo e sua equipe trabalharem
primeiro os fatos e depois as opiniões. Os primeiros aproximam as pessoas (são
pouco suscetíveis a divergências); já as opiniões separam as pessoas. Uma
relação que começa com a exposição de fatos ajuda a construir uma base sólida
para aceitação de opiniões divergentes.
Concordâncias e Discordâncias:
Todo trabalho em equipe incorpora concordâncias e discordâncias. O executivo
experiente (e grupal) busca sempre iniciar os trabalhos pelas concordâncias,
facilitando a criação de um clima de cooperação no âmbito do grupo.
Conhecimento Pessoal da Equipe:
Quanto maior for o conhecimento, por parte do executivo, das características
comportamentais dos membros do seu grupo, maior será sua eficácia como
potencializador dos resultados da equipe. Tão importante quanto um bom
argumento são as diferentes formas de apresentá-lo a pessoas com características
diferentes. Eu ou nós? A escolha será sempre sua, leitor; vale lembrar que a
pior postura é a coluna do meio, ou o pendor por um estilo variável. Seus
subordinados, pares, clientes e fornecedores necessitam saber, tão cedo
quanto possível em qual "time" você joga, pois transparência é o
nome do jogo, quando se fala em trabalhar em equipe.
Luiz A. Costacurta
Luiz A. Costacurta Junqueira é Vice-Presidente do MVC - Instituto Vianna
Costacurta Estratégia e Humanismo. Administrador pela FGV. Coordenador dos
projetos de Educação Corporativa, E-Learning e Consultoria em
Desenvolvimento de Talentos Humanos.
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